web analytics

A Missão dos Jornais

Não procuro dirigir nem criar a opinião pública no meu Estado.  Ao contrário, procuro apenas sondar com cautela as opiniões em que o Estado se divide e deixo-me ir, confiado e tranquilo, na corrente daquela que me parece seguir o rumo mais certo.

Júlio Mesquita – 1862 – 1927, uma cabeça  de rede em qualquer época

Redes sociais não são as ferramentas/mídias (FB, Twitter, Blog, Sulia, Pinterest, Papper.li, Scoop.it, Ning, Youtube, Tumblr, Google+, RSS, o diabo). São as suas (você indivíduo, você entidade, você empresa)  relações (consumidores, fornecedores, distribuidores) articuladas por meio das ferramentas/mídias que você escolheu para estruturar a sua rede social  com as tecnologias digitais na Web. Rede social sempre existiu, o desafio é estruturá-la também no mundo digital e, consequentemente, na nova infraestrutura da economia. É este o caminho para as velhas redações  manterem o seu papel histórico junto à sociedade e contribuírem para a evolução do modelo de negócio dos jornais: se dominam (como deveriam) o ferramental da internet, suas mídias e ferramentas, cabe a elas construir redes de interesse específico para setores da sociedade. Da informação de valor agregado para setores da economia/sociedade para a articulação e organização de setores da economia/sociedade em redes de interesse específico.

Monitoramento + curadoria + edição jornalística da aparente balburdia (O dilúvio está aí, falta o Noé), considerando a arquitetura da nova infraestrutura, a nova plataforma da informação, comunicação, articulação da sociedade. Ênfase para organização, não geração de informação. As fontes estão na rede, todas as fontes estão na rede. Não existem dois mundos, o analógico e o digital. Um é extensão do outro.  Conteúdo não é consequência da sua capacidade escrevinhadora. O conteúdo é o ponto de partida  para a articulação  da sociedade em torno dos seus  interesses. O momento hoje é das redes digitais, a geração  de conteúdo – monitoramento + curadoria + edição jornalística (agregação) – é o caminho para construir redes digitais de interesse específico ou de nicho, redes sociais dentro da rede, o conjunto das mídias que  a compõe.

 

Aí está um resumo do que as empresas jornalísticas e os jornalistas deveriam priorizar, no meu modo de ver. O jornalista Frédéric Filloux, hoje um analista e consultor do setor, argumenta, neste ótimo artigo, que o drama das tradicionais empresas jornalísticas (e dos jornalistas) é que ambos se sentem intelectualmente superiores aos mortais comuns. Em função disso, não mergulharam nas peculiaridades da internet. A principal delas a capacidade do algoritmo de criar comunidade sobre comunidade a partir do nada. Concordo com ele. Nós jornalistas não somos o farol do mundo, somos uma ferramenta do público. Tanto nós quanto as empresas jornalísticas precisamos recuperar o papel de intermediário, de filtro, e abandonar os arroubos de ‘autoridade’, de donos da verdade.

 

A oportunidade está aí, num mundo mais fragmentado, complexo e rico. Monitoramento e curadoria (contexto e perspectiva) em processos organizados é o mercado para os velhos players. E é a demanda Zero para a imensa maioria dos usuários da rede. Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação. O negócio dos jornais é consequência da sua capacidade de articular públicos em torno de ideias, sonhos, problemas, consumo. A notícia e a informação comercial são as ferramentas. Nada mudou. Ficou mais complexo e rico. O algoritmo, uma nova ferramenta, é um aliado. Um aliado para a construção de redes de interesse específico de segmentos da sociedade.

A Web é uma infraestrutura, além de fonte básica sobre qualquer matéria. Uma redação  tem que estar preparada para “editar” a rede, com um determinado olhar, foco, viés, e com isso contribuir para a articulação de públicos, para a articulação da sociedade. Um ecossistema mais complexo e fragmentado, composto por novas ferramentas/mídias e processos de interação, com uma dinâmica evolutiva jamais sonhada. O amadurecimento da utilização desta infraestrutura pela sociedade significa mudanças profundas nos processos sociais, políticos e econômicos.

Rede social é base das suas relações, seja você um indivíduo, uma entidade, uma empresa, um setor da economia, um partido político, uma igreja, o que for. Fornecer a arquitetura e estruturar estes processos na rede e suas ferramentas/mídias é a extensão natural dos negócios dos jornais, das tradicionais empresas de informação, do mundo analógico para a sua extensão digital. Da informação segmentada para setores da sociedade para a articulação de setores por meio da curadoria, agregação e monitoramento da informação do público, o que significa também geração de informação. O conteúdo ganha novos significados, com a perspectiva, interpretação, contexto e analise fornecidas pelas velhas técnicas jornalísticas.

 

um esboço de modelo

Não é  mais possível menosprezar ou ignorar as novas possibilidades de organização que a Web nos traz. Os impactos vão da relação capital x trabalho, à interação com o mercado; a nova infraestrutura permite e fomenta novas arquiteturas de negócios, novas arquiteturas de relacionamento político e novas arquiteturas de relacionamento social. Ela não é só um novo meio de armazenamento, processamento e distribuição de informação. É muito mais do que isso e, embora não seja a causa primária, percebida com toda a sua dimensão, ajuda a entender a profundidade e extensão da crise global que estamos vivendo.

Este é um dos muitos caminhos para  reestruturar o papel histórico dos jornais na rede, em redes de interesse específico, redes de nicho, revigorando seu modelo de negócios. A gama de serviços e produtos que compõem a receita é  enorme. Os processos informativos das mídias sociais são um novo componente, mas não representam um ponto de encontro, a praça para a reflexão e articulação. O modelo de negócio, aberto e dinâmico, jamais chega a um ponto estável. Na rede, o processo de inovação é contínuo. De modo que o conjunto de produtos e serviços que compõem os streams de receitas evoluirão com o amadurecimento da rede ou conjunto de redes de interesse específico escolhidas pela empresa para serem realizadas, conforme as especificidades do seu mercado e o amadurecimentos das comunidades (mercados) a serem trabalhadas.

 

Tags: , , , , , , , ,

Big data, analytics, mobilidade, social e cloud, a nova onda

See on Scoop.itJournalism and the WEB

RebelMouse organizes your online presence into a beautiful, dynamic and social site – in minutes.

Rodrigo Mesquita‘s insight:

 

big data, analytics, mobile, social e cloud, a nova e violenta onda. quem não pegar dançou. meu resumo da semana

See on www.rebelmouse.com

Tags: , , , , ,

As notícias, uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo

Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação. (Walter Bender)

As notícias – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo – são a porta de entrada para as trilhas dos novos sertões: o ecossistema da informação, comunicação e articulação da sociedade e o novo mundo que emerge com os novos processos.

“O sertão exercia, sobre aquela gente, a mesma atração que exerceu o mar para seus pais ou avós portugueses. Diante do sertão, como diante do mar, é o mesmo assombro, é a mesma impressão de infinito e de eternidade, é a mesma vertigem”, escreveu José de Alcântara Machado, no clássico Vida e Morte do Bandeirante.

Ele falava dos paulistas e do movimento que levou à conquista do espaço territorial do Brasil. Se ele vivesse hoje, estaria falando da internet, a rede: os novos sertões, a última fronteira a ser desbravada e ocupada.

Fui repórter, redator, sub editor, editor e editor chefe do Jornal da Tarde. Em 1988, assumi a diretoria geral da Agência Estado. Através das TICs, abri a empresa para o mercado e desenvolvi o projeto Broadcast, empresa líder do mercado brasileiro de informação eletrônica para o mercado financeiro desde 92. Em 94, a Agência Estado lançou o Agestado, o primeiro site de informação jornalística do Brasil. Iniciava com sucesso o processo de inclusão da S.A. O Estado de S Paulo no mundo das redes, num movimento alinhado à convicção do jornalista Júlio Mesquita de que os jornais e o jornalismo têm sentido na medida em que sevem como plataforma de articulação da sociedade em que estão inseridos.

A partir daí, mergulhei na prospecção dos novos sertões, o novo confins. Aproximei-me do Media Lab, ‘laboratório’ de mídia do M.I.T, a Escola de Sagres dos novos tempos, a partir de 1992. E daí em diante nunca mais me desconectei. Entre 2002 e 2006, atuei como pesquisador afiliado da entidade então dirigida por Nicholas Negroponte, com Walter Bender como seu braço direito. Em 2005, fui o vetor da articulação do projeto One Laptop per Child no Brasil, origem dos programas Um Computador por Aluno e o Computador para Todos. Sou sócio fundador e fui presidente da Fundação SOS Mata Atlântica. Em meados de 2000, criei o Instituto Peabirus (caminhos em tupy guarani), mais uma ferramenta para prospectar e abrir caminhos nos novos sertões.

O objetivo do blog ArticulaConfins, que lanço neste início de 2012, é cobrir jornalisticamente o processo de conquista dos novos sertões, o “enredamento” da sociedade contemporânea, com sua exponencial evolução tecnológica, seu frenético processo de dirupção e inovação, seus novos processos de informação, comunicação e articulação. A sociedade da chamada era do conhecimento, que ainda não entrou na sua primeira infância.

Sou um generalista com formação em História, com um estruturado e rico caminho no mundo do jornalismo, convicto de que esta atividade só tem sentido enquanto ferramenta de e para a articulação da sociedade e que a plataforma de informação, comunicação e articulação daqui para adiante é a rede, que é muito mais do que um meio de informação. É a infraestrutura do futuro.

Tags: , , , ,

O que a tecnologia traz para as notícias?

O texto  abaixo é de Walter Bender, 1999. Na época, ele era diretor associado do MIT Media Lab. O texto foi produzido para uma palestra de uma reunião da ANJ, Associação Nacional dos Jornais. Era um aniversário importante da entidade que promoveu um encontro de todos os seus associados no  Rio de Janeiro. A arrogância e a empáfia não permitiu que este público prestasse a devidada atenção para as questões que o Walter vinha levantando desde 1992, quando dirigia o programa News in the Future. Não foram só os jornais brasileiros que assumiram este comportamento distante da rede. Por isso, estão pagando o preço tão caro qunto o que aparece no relatório do do Projeto para a Excelência do jornalismo do Pew Research Center.

Tecnologia é alguma coisa que foi inventada depois que você nasceu – Alan Kay

1. Dados e números do Media Lab

O Media Lab do MIT foi fundado em 1983 por Nicholas Negroponte e Jerome Weisner como um lugar para “inventar o futuro”. Enquanto o mantra do laboratório nos anos 80 era “convergência de mídia”, a aproximação de editoração e impressão, televisão e radiodifusão, e computação e telecomunicações, nos 90 estamos buscando um objetivo mais ambicioso, o da “consiliência”, a unidade do conhecimento (uso o termo aqui no sentido em que E. O. Wilson o empregou em seu livro recente, Consilience). No laboratório, trabalhamos em projetos tão diversos quanto computação quântica e ópera, e não seríamos o Media Lab sem essa abrangência de interesses.

Quanto a números, o laboratório tem um volume de pesquisas de US$ 30 milhões. São 450 empregados, professores, funcionários e estudantes – os estudantes representam 80% do pessoal do laboratório. Temos aproximadamente 180 patrocinadores corporativos incluindo a Agência Estado, que vem trabalhando conosco desde 1992. A qualquer momento, há sempre 200 projetos “oficiais” ativos no laboratório e um igual número de projetos paralelos. A pesquisa é organizada em torno de três grandes consórcios, News in the Future (Notícias no Futuro), Digital Life (Vida Digital), e Things That Think (Coisas que Pensam). Temos um programa acadêmico, Media Arts and Science (Artes de Mídia e Ciência) e vamos lançar um novo centro, o Okawa Center for Future Children (Centro Okawa para Crianças do Futuro).

A audiência de massa é uma coleção de indivíduos pensantes – Zeffirelli

2. Coisas para se pensar com

Há duas revoluções fermentando. A primeira é uma revolução de comunicação interpessoal. A segunda revolução não é de tecnologia, mas de epistemologia e aprendizado. Construcionismo, aprender fazendo, é a revolução de Dewey, Piaget e Papert. O aprendizado acontece melhor não no espaço formal da sala de aula. Ele acontece em aplicações concretas, eis porque devemos buscar construir ambientes para fazer.

Há um projeto bastante ativo no laboratório sobre computação embutida. O objetivo é colocar inteligência em “coisas”. Meu colega, Neil Gershenfeld, descreveu porquê e como em seu recente livro, Quando Coisas Começam a Pensar (When Things Start to Think). Ainda que eu seja um entusiasta quanto à computação embutida, tenho um objetivo diferente. Estou interessado em “quando as pessoas começam a pensar.” Tecnologia é para dar às pessoas ferramentas e modelos com que pensar.

Aqueles atributos do mundo físico que influenciam e limitam, por exemplo, distância, barreiras, tempo, etc., estão eles próprios sendo limitados – Ken Haase

3. Tecnologia para repensar comunicação interpessoal

As tecnologias de comunicação são numerosas: palavra falada, arquitetura, artes figurativas, música, teatro, a prensa de Gutenberg, cinema e televisão, dispositivos eletrônicos vestíveis, a Internet, etc. Estas não são apenas as tecnologias de troca de informação – são as tecnologias de narrativa. O avanço e evolução dessas tecnologias continuam a ter um impacto direto sobre o fluxo de idéias. Será que podemos ajudar a assegurar que o fluxo de idéias levará a pensamento e aprendizado coerente, que irão por fim apoiar a sociedade na construção de soluções para problemas sociais, culturais e econômicos?

O propósito da comunicação é nos ajudar a entender, nos ajudar a navegar, nos ajudar a separar a ordem do caos. A ordem surge do caos graças à habilidade de enfatizar aquilo que é importante e universal.

O mercado adota tecnologias que o fazem mais eficiente. O uso da Internet pelo setor jornalístico é tão inevitável quanto foi o uso do telégrafo (um livro interessante, A Internet Vitoriana, compara a adoção do telégrafo e da Internet). No laboratório, estamos explorando uma série de áreas de tecnologia que vão impactar tanto direta quanto indiretamente o setor jornalístico na próxima década.

Tecnologias como Mídia Tangível, Computação Vestível, Interfaces Conversacionais, Modelar Comportamento, Computação Afetiva, Computação Colaborativa, Expressão, Comércio Eletrônico, Compreender Máquinas, e Micro-Mídia estão em todos os nossos futuros. Foi o grupo de Micro-Mídia que desenvolveu a Tinta Eletrônica (e-Ink), que promete revolucionar a produção e distribuição de jornais.

Conteúdo é uma mercadoria. Contexto é o valor adicionado.

4. News in the Future

O consórcio de pesquisa News in the Future (Notícias no Futuro – NiF) está reformulando seu objetivo, que deixa de ser melhorar a eficiência, acesso e utilidade das notícias e torna-se melhorar a qualidade do discurso público. Acreditamos que é vital que o público tenha um papel ativo na tentativa de entender o mundo. Isto sugere que as pessoas não sejam alimentadas com respostas. Em vez disso, elas devem participar da formulação das questões e do debate de assuntos de importância, sejam locais, internacionais, ou de interesse específico na atualidade.new in the future

Nosso desafio é desenvolver novas tecnologias que transformem “bits” em informação útil. A questão principal na pesquisa é: como podemos entender e desenvolver processos que permitam a organização coerente de informação digital? Estamos preocupados com:

Descrição: Quais são os processos envolvidos em nosso entendimento de notícias e informação? Como máquinas podem chegar a ter processos similares, facilitando nosso entendimento e resposta para as notícias em nossos papéis como amigos, membros da família, cidadãos e empregados?

Projeto: Como podemos encorajar o desenvolvimento de novos processos para expressão digital? Como podemos criar novas formas de estética para atrair usuários e como podemos incluir os usuários no processo expressivo?

Debate: Quais são os processos que indivíduos e comunidades usam para interpretar e organizar informação e para comunicar e aprender? Há processos que podem permitir às pessoas se tornarem organizadoras de sua própria informação?

A repercussão inicial da Internet foi convergência de mídia. O mantra dos gurus de Internet era “bits são bits;” a representação de conteúdo de forma digital tornou possível separar o “meio da mensagem;” e o conteúdo tornou-se independente de seu mecanismo de entrega.

Vim ao Brasil pela primeira vez em 1989 para participar de uma conferência internacional de jornalismo organizada pela IBM Brasil. Naquela época eu apresentei o News Peek, um sistema de notícias que desenvolvemos no Media Lab nos anos 80, cujo conteúdo era adaptado para atender as necessidades e interesses de um indivíduo. “Mordomos” ou “agentes” computadorizados agem no interesse do leitor, colhendo artigos de interesse de fontes tradicionais e não-tradicionais de notícias, antes de mandá-las eletronicamente para a casa do leitor, variando o grau de detalhe e informação de background fornecidos no artigo, ou refletindo o que a comunidade já sabe ou não sabe sobre o tópico. O News Peek está reproduzido hoje nos vários web sites como MyYahoo, MyExcite, MyLycos, etc. As expectativas do consumidor da Internet estavam bastante alinhadas com as do consumidor de mídia tradicional.

Tecnologias como palavras-chave tratam as notícias como se fossem simplesmente uma coleção de palavras. Na verdade, estas tecnologias de base tratam as notícias como se as palavras fossem recortadas individualmente, colocadas num saco, e misturadas. Estas tecnologias não reconhecem quaisquer relações sintáticas ou semânticas entre as palavras. Tecnologias mais avançadas que as de palavras-chave – por exemplo, classificação e agrupamento – apresentam um aumento, e grupos de novos recursos, baseados em entendimento lingüístico e de domínio vêem as notícias como uma coleção de relações. Estas tecnologias são sinais de uma nova geração de ferramentas que levará a modelos de linguagem computacionais mais úteis.

Eu costumava exemplificar que meu carro diria à minha TV quando começar a mostrar anúncios de pneus. Parecia fazer sentido perfeitamente. No meio dos anos 80, a Goodyear colocou silício em seus pneus. E a penetração inicial do celular foi em telefones para carros. Então o carro sabia quando os pneus estavam gastos e tinha os meios de comunicar este conhecimento.

Um sinal mais concreto das coisas por vir foi um protótipo de Popular Photography que construímos. Todo mês, os editores precisavam testar três novas câmeras. Modificamos a rotina na versão eletrônica ao adicionar uma quarta câmera todo mês, sua câmera. De repente você tinha uma referência, o contexto no qual fazer um uso melhor da matéria.

Em meio aos anos 90, construímos o PLUM, a Máquina de Entendimento, Paz e Amor (Peace, Love and Understanding Machine). Como no exemplo da Popular Photography nós utilizamos contexto local para engajar o leitor no conteúdo e facilitar seu uso. Neste caso, pegamos o noticiário da Reuters e construímos um filtro automático. A Reuters escreve notícias para todos, mas cada um de nós é “qualquer um.” Os fatos estão todos lá, mas são impenetráveis. Primeiro ensinamos o PLUM a distingüir entre um furacão em Miami e os Furacões de Miami (este último é um time de futebol americano). Então ensinamos ao PLUM como identificar os atores e ações descritas no artigo. Finalmente, o PLUM usava suas análises para gerar analogias. 250 mil acres de terras, o que quer que signifique, tornou-se COMO SE tudo dentro da Rota 128 estivesse debaixo d’água. As notícias tornaram-se tangíveis. (A analogia do Rio de Janeiro seria um círculo com centro no centro da cidade e raio se estendendo tão longe quanto Niterói.)

Outros exemplos de modelos computacionais que consideram as relações entre palavras incluem: Correlação é usada para revelar padrões nas notícias. Conexões dentro das próprias notícias e entre as notícias e outras fontes de informação podem ser ressaltadas; e Metáfora pode levar a comunicação mais precisa e máquinas de tradução menos imperfeitas. Como sugerido por George Lakoff, metáforas do mundo físico, por exemplo, os altos e baixos da gravidade, e as metáforas de uma cultura comum.

As novas tecnologias podem ser usadas não apenas para acessar os elementos narrativos do texto, mas para “ler nas entrelinhas.” Warrne Sack empregou uma abordagem Socrática para processar as matérias de agências de notícias. Seu software transforma uma matéria em uma lista de questões a respeito do texto – texto que não dá respostas, mas, em vez disso, faz as questões do leitor. Estas questões abrem a porta para a participação no texto. Muito como na tradição Talmúdica, as notícias seriam a base do discurso – um discurso que pretende construir soluções para problemas sociais

É vital que tentemos…

5. Questões

Há questões não resolvidas quanto a acesso, privacidade, competição, e mudança. Estas questões vão determinar muito da discussão em encontros editoriais nos próximos anos.

Hoje, há muitos muitos milhares de vezes mais pessoas que entendem cálculo que há 300 anos. – Ken Haase.

6. Oportunidades

Temos que fazer a conexão com as pessoas, trazê-las para a jornada, e talvez tecnologias como a Internet, a catedral do século vinte, seja a maneira de fazer isso. Sem ambigüidade, não há espaço para questões. Talvez isso seja a razão para a popularidade dos esportes – há sempre alguma incerteza nos resultados. A Internet de hoje tem uma ambigüidade de outro tipo. Os leitores, ou “fãs” nas palavras do professor do MIT Henry Jenkins, tendo sido engajados, se satisfazem ao construir suas própria matérias. O indivíduo pensante de Zefirelli pode e vai fazer questões e procurar respostas. Tecnologia pode ter um papel aqui. Ela pode levar ao compartilhamento de questões e esforços colaborativos na busca de respostas, construcionismo social e espiritual.

Quem deve agir? Quem deve empregar as ferramentas que nos foram dadas pela mídia? Certamente, aqueles que têm o dom da expressão deveriam ser caridosos com ele. Sua habilidade de produzir uma mensagem que atinge a massa é enormemente importante. Entretanto, Zeffirelli nos lembra que “a massa é feita de indivíduos pensantes.” A esses “indivíduos pensantes” também devem ser dadas as ferramentas com as quais agir. A estrada para expressão é difícil. É difícil, mas todos devem tentar. Enquanto alguns serão mais bem sucedidos que outros, todos aprenderão ao fazer a jornada.

É dessa maneira que I-Communities, comunidades de geografia e interesses comuns, estão remodelando os objetivos de “ser digital”. Estivemos evoluindo de melhorar o consumo de serviços para melhorar a qualidade e quantidade do discurso e redefinindo o papel do consumidor como alguém que é mais crítico, mais exigente, e mais comprometido. Ferramentas de descrição, colaboração e projeto de informação estão facilitando essa mudança. As expectativa da I-Community são que seus membros estejam mais engajados, não apenas como consumidores, mas como produtores ativos de conteúdo. Elevar esta expectativa de engajamento é o novo desafio e oportunidade da Internet.

Continuamos a desenvolver uma série de serviços – serviços entregues ao consumidor que incluem direcionar, auditar, verificar, e expressar informação de importância e localizar esta informação através de aumento. O consumidor de Internet agora espera eficiência, acesso e utilidade.

Coisas que pensam não devem impedir pessoas que pensam

7. Sociedade criativa

Eu concluo com um cenário, as aventuras de uma avó, Sally a Contadora de Histórias, 86 anos, e seus dois netos, Edward o Editor, 12 anos, e Lisa a Aprendiz, 14 anos.

Sally é membro de uma organização conhecida como Silver Stringers. Este grupo de pessoas de 60, 70, e 80 anos formado há três anos para publicar um jornal na Internet. O objetivo do grupo não era e não é ensinar as manias dos computadores (Dois membros do grupo tinham alguma experiência com computadores antes de entrar, mas nenhum sabia se tinha usado um PC ou um Macintosh). O que os motiva é uma paixão por contar histórias. Eles se reúnem pessoalmente três vezes por semana e realizam um encontro de “orçamento”, discutindo sobre conteúdo e processo, e criticando as palavras e trabalhos um do outro. Eles descobriram que as ferramentas disponíveis para expressão são inadequadas, então alguns estão aprendendo a programar para exercer um controle melhor. Os SilverStringers são um exemplo de uma I-Comunidade que descobriu o poder da auto-expressão e construção social. Eles mudaram em suas relações uns com os outros e com a mídia tradicional. Eles têm expectativas muito altas quanto a narrativa, responsabilidade e processo. Eles estão ligados em discurso, projeto e debate.

Edward também está envolvido em outro projeto de jornalismo, The Junior Journal. Juntamente com 20 outras crianças, de igual número de meridianos, Edward está publicando um jornal mensal dedicado à discussão de questões de importância para as crianças. Edward e seus companheiros não têm o luxo de encontros pessoais, então trocam cerca de 100 mensagens de e-mail por dia, que vão desde debates sobre a guerra em Kosovo à etiqueta apropriada para conduzir uma entrevista. Como sua avó, Edward tornou-se um praticante de habilidades investigativas, de pensamento-crítico e expressivas que normalmente são adquiridas na escola de jornalismo. Ele também tem expectativas muito diferentes quanto à mídia.

Lisa, também, tomou uma posição Construcionista quanto a seu aprendizado. Quando ela tinha onze anos, projetou e construiu um alimentador de pássaros com seu Lego-Logo que tirava fotos dos pássaros quando eles vinham se alimentar (Ela estava frustrada com o hábito dos pássaros para alimentar quando estava na escola). Mais recentemente, ela vem fazendo experiências com a Image Maps. Esta câmera, construída pelo grupo de descrição de arquitetura de Brian Smith, justapõe as fotos que ela tira com as tiradas por outros, inclusive imagens históricas. Assim, cada exposição torna-se uma oportunidade para participação e perspectiva.

Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação.

Obrigado

Walter Bender era diretor Associado do MIT Media Lab, em 1999.

Tags: , , , , , , , , , , ,

Os jornais pelos seus números | State of the Media

See on Scoop.itJournalism and the WEB

Rodrigo Mesquita‘s insight:

os classificados se foram. se as empresas jornalísticas não tiverem coragem para se reiventarem, elas também se irão.

See on stateofthemedia.org

Tags: ,

Jornais: alguma luz no fim do túnel

See on Scoop.itJournalism and the WEB

The Pew Center’s latest report on the state of the media shows the financial woes affecting the traditional news business continue, and this is having an effect on consumers — but there are a few bright spots as well.

Rodrigo Mesquita‘s insight:

state of the media: as boas notícias: + demanda por notícias, sucesso em assinaturas, acesso direto às fontes, emergência de novas fomas de se anunciar

See on paidcontent.org