O Brasil exportando educação. Do sonho à realidade.

“Minha ênfase será sobre tecnologia e infraestrutura. Acho importante trabalhar no Brasil com colegas brasileiros, para criar oportunidades para todos. A partir dessa colaboração no Brasil, podemos gerar modelos de excelência que estabeleçam exemplos para o mundo todo”. Era junho de 2005, Nicholas Negroponte tinha anunciado no início do ano em Davos projeto One Laptop per Child, OLPC, cuja a missão era  projetar, fabricar e distribuir laptops suficientemente baratos para proporcionar a cada criança do mundo acesso ao conhecimento e modernas formas de educação, suportado por uma entidade sem fins lucrativos.

 

 Ele e David Cavallo vieram ao Brasil para apresentar ao PSDB, no iFHC, e ao PT, no NAE, a filosofia do projeto e porque o MIT – Media Lab tinha eleito nosso país como a base de lançamento do projeto global. O discurso foi o mesmo para os dois públicos. “Devemos examinar atentamente as relações entre inovação e indústria e entre academia e indústria. Duas instâncias devem ser consideradas: a inovação e a consolidação. Em uma analogia, as instâncias diferem uma da outra como os estados líquido e sólido. A inovação é líquida e a consolidação é sólida. A consolidação é a solidificação da inovação, a materialização de uma nova idéia ou conceito. Por outro lado, a consolidação é conservadora — tende à rigidez e resiste à inovação. A meta do inovador é sempre explorar as possibilidades do conhecimento”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O Media Lab, criado no início do anos 80, surgiu da necessidade de buscar novos caminhos de expressão. A comunicação é essencial para a expressão, e a expressão é essencial para a mente. Agora, mais de duas década depois, o laboratório já pode avaliar alguns resultados. Como disse o fundador do Media Lab, Norbert Wiesner, nunca acredite em nenhuma idéia com menos de 20 anos”. Walter Bender era nesta época o diretor de geral do Media Lab, o  braço direito de Nicholas Negroponte, que em julho viria ao Brasil com Seymour Papert para propor que o Brasil encomendasse três mil laptops, liderasse o projeto piloto e se preparasse para exportar educação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Walter Bender, já naquela época,  alertava : “é importante hoje repensar as telecomunicações, já que a base tecnológica das telecomunicações não é mais válida. Na época de Marconi, as telecomunicações eram baseadas em um modelo de banda restrita por número crescente de terminais. Hoje é possível ampliar a capacidade sem reduzir a banda por node de conexão. Hoje as comunicações são virais: escaláveis, de baixo custo, incrementais, adaptáveis, contributivas e robustas. Essas novas comunicações aproveitam-se de conhecimentos locais e decisões locais sobre uma estrutura global”. Esta infraestrutura, hoje representada pela internet, vem evoluindo e a sociedade em todo o planeta (a importância do nosso Marco Civil da Internet) lutando paque ele continue livre e sob o conceito da neutralidade para que ninguém, indivíduo, empresa ou entidade, tenha privilégio na sua utilização.

Na conversa com o PSDB, no iFHC, e o PT, no NAE, Bender falava também sobre o contexto: “é importante hoje repensar as telecomunicações, já que a base tecnológica das telecomunicações não é mais válida. Na época de Marconi, as telecomunicações eram baseadas em um modelo de banda restrita por número crescente de terminais. Hoje é possível ampliar a capacidade sem reduzir a banda por node de conexão. Hoje as comunicações são virais: escaláveis, de baixo custo, incrementais, adaptáveis, contributivas e robustas. Essas novas comunicações aproveitam-se de conhecimentos locais e decisões locais sobre uma estrutura global”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E ia adiante exemplificando: ” é  preciso repensar também as regras de envolvimento. Estudos mostram que estruturas com mais de 150 pessoas sofrem fortes mudanças organizacionais, exigindo maior hierarquização para impedir o caos. Mas em estruturas muito numerosas, vale a “regra da multidão”, “rule of many”. O fluxo se organiza sem hierarquia, sem organização de cima para baixo, sem editores — baseado na confiança que cada contribuição é positiva.  Exemplos dessas organizações super-numéricas são a enciclopédia online Wikipedia e o organizador de álbuns de fotos online Flickr. Esses sistemas alimentados por milhares de pessoas são exemplos de inovações (líquido) que atingiram a consolidação (sólido).   São “organic networks“, capazes de reduzir a barreira econômica à inovação. Apresentam arquitetura mais modular, mais flexível e tornam a computação mais acessível para os empreendedores”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nicholas e Seymour vieram ao Brasil um mês depois, propuseram o projeto para o PSDB e o PT, que sob a liderança do Cézar Alvarez criou um grupo de trabalho para consubstanciar a proposta e acabou gerando os programas Um Computador para Todos e Um Computador por Aluno. Nicholas nunca conseguiu entender que o Lula não poderia assumir o projto por decreto. Nossa indústria da educação nunca se interessou pelo projeto. Já a Microsoft e a Intel trabalharam legitimamente seus lobbies. Microsoft temia um sistema operacional fundamentado em processos de aprendizado compartilhado e a Intel, a entrada no mercado de uma máquina, o XO, de baixo custo e equipada com Wi-Fi mesh. Não abraçamos o projeto como um todo, mas a questão da tecnologia na educação ganhou outra dimensão no Brasil e no mundo, onde cerca de cinco mihões de crianças estudam na plataforma da OLPC.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi com este time que aprendi que o computador é muito mais do que uma ferramenta para informação e comunicação. É antes de tudo uma alavanca para criação, expressão, visualização e simulação. Foi com eles e McLuhan, “circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central” (a rede é uma extensão do nosso sistema nervoso), que entendi que vivemos hoje, graças a este fabuloso processo de inovação, na encruzilhada do futuro do presente, que tanto pode ser brilhante quanto uma tragédia. Foi também por isso, dar uma colaboração para o entendimento do momento que vivemos, que inciei esta série de textos com depoimentos de cientistas, empresários, estudantes, jornalistas, professores, sobre como se informam para não perder o trem da história. Em seguida o depoimento do Walter Bender.

Assim como meu cachorro, tenho hábitos constantes. Quando meu cachorro ouve o jornal sendo entregue na entrada da minha casa, ele me acorda. Ligo a máquina de café e saímos para um rápido passeio: enquanto eu vou pegar o New York Times, ele cheira toda a calçada para saber quais outros cachorros passaram pela minha casa. Meu foco é a cobertura internacional. O interesse dele, por outro lado, é estritamente local.

Mesmo tendo o café e o jornal à mão, começo a minha rotina passando os olhos pelos meus emails – na maioria das vezes, algum amigo enviou um link para alguma matéria recomendada. Normalmente, ignoro os alertas de notícias, já que sei que verei essas notícias e muito mais ao acessar o Google News, minha próxima parada. Finalmente, passo uns 20 a 30 minutos com o New York Times. Faço uma leitura cuidadosa do primeiro caderno e superficial do resto.

Durante o meu dia, periodicamente acesso o Facebook, Twitter, Google+ e alguns outros sites de mídia social; por algum motivo, é apenas no Google+ que encontro uma ou duas recomendações de matérias que valem a pena ser lidas. Mas passo a maior parte do dia no IRC, um chatroom do estilo antigo, onde, além de discutir trabalho, meus colegas e eu comentamos nossas percepções sobre o mundo que nos cerca.

Finalmente, uma vez por semana, à noite, escrevo no meu blog e leio outros blogs. Temos um “planeta” de blogs relacionados, mas por vezes eu fujo do assunto e vou para o mundo dos blogs mais convencionais

Journalism & Social Media

See on Scoop.itJournalism and the WEB

– Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação!

– Somos o Noé do novo século

– Não procuro informações e notícias, elas vêm até mim

– Os jornais e outras praças cívicas

– Uma análise do fracasso dos jornais nas mídias sociais

– Um dia nas principais conexões do Sílvio Meira

– Citizen journalism, Instagram, and #Sandy

– Election Disruption: Digital Citizens and Mass Media

– Juan Antonio Giner, nas trincheiras do jornalismo digital

– President Obama’s Re-Election: How the News Media Around the Globe Covered It

– How media companies can think more like startups

– With Sandy, Instagram gaining on Twitter for citizen journalism

– Reconstruir la Democracia con esperanza. Entrevista de Manuel Castells

– Hurricane coverage

– Power to the People

 

searching, investigating and opening trails…

trails: staza, stazama (traje): lasts
See on www.scoop.it

Juan Antonio Giner, nas trincheiras do jornalismo digital

Juan Antonio Giner é presidente da consultoria Innovation in Newspapers. Mora hoje no País de Gales, numa “pequena cidade perto do nada”. É um apaixonado pelo meio jornal e um ferrenho crítico dos gestores das tradicionais empresas de informação, que ficaram sentados nos louros, se recusaram a procurar entender as peculiaridades da rede e hoje estão ameaçados de perderem o trem da História. Cidadão do mundo globalizado, trabalha na encruzilhada do futuro do presente.

Na véspera das eleições norte-americanas, ele foi para os Estados Unidos. Acompanhou o processo eleitoral em Harvard, Cambridge. Não disfarçava seu horror pelo  Romney numa intensa cobertura jornalística do final da campanha, que ele só parou ontem com a vitória do Obama. Abaixo, transcrevo o depoimento que me deu sobre como se informa para não perder o pe´com o futuro, intermeando com suas últimas postagens sobre as eleições nos Estado Unidos, com o Obama vitorioso. Clicando nas imagens, você será levado às matérias e fotos que ele publicou nos 140 sinais do twitter, que podem carregar uma biblioteca.

Acordo e vou checar os emails no meu iPhone.

 

 

 

Antes de tomar café da manhã olho minhas contas de Twitter e Facebook. Entro no site mediagazer ver as novidades no mundo das mídias.

Já não dependo das “web” de notícias. Acabo chegando nelas através de recomendações de amigos que sigo pelo Twitter. Eles são meus prescritores.

Se estou em casa, leio o jornal impresso de The Guardian e assino a versão digital do Times de Londres.

Quando viajo, nos aviões e aeroportos devoro jornais e revistas impressas.

 

 

 

 

Quase não vejo TV e se chego a ver, é de novo por recomendação de amigos ou links das redes sociais.

 

 

 

Não me acostumo com o iPad, que fica em casa e é monopolizado pelo meu filho.

 

 

 

Vivo conectado ao meu MacBook.

 

 

 

Faço anotações à mão nas minhas Moleskines de bolso, mas as vezes uso o aplicativo de notas do iPhone.

 

 

 

Constantemente me comunico pelo skype com todo o mundo (sempre tenho comigo um fone de ouvido).

 

 

 

Só assino a versão impressa de Monocle.

 

 

 

 

Estou cada vez mais viciado no iPhone como plataforma de mídia, cada vez dependendo menos das bancas de jornais, mais das redes sociais e menos das “webs” e blogs.

 

 

 

 

Acompanho todas as revistas semanais impressas do local onde vivo: mal escritas, mal ilustradas, mas, todavia, imprescindíveis.

 

 

 

Leio mais livros impressos do que nunca…. poque tenho pouco tempo.

 

 

 

E durmo com o iPhone
na mesinha de cabeceira,
meu despertador e minha
nova caixa de pandora informativa.

 Na encruzilhada do futuro do presente

Carta aberta aos ambientalistas: o buraco é mais embaixo

A crise tem pelo menos três eixos principais: o stress do modelo de financiamento da economia pelo mercado financeiro, a falência do sistema de representação política da sociedade contemporânea em todo o mundo e o esgotamento do modelo de relação com o meio ambiente.

Isso tudo no âmbito da mais profunda e dramática mudança de infraestrutura da plataforma de informação, comunicação e articulação da sociedade.  A rede é um novo ambiente, um novo ecossistema, que vai determinar a reformulação das instituições e de todo o jogo das práticas sociais, econômicas e políticas da sociedade que se está formando.

Ignorar isso significa ignorar a História e levar a discussão para um buraco sem fim, um campo de radicalização maniqueísta entre bandidos e mocinhos. As futuras gerações cobrarão pelo tempo perdido e por soluções com fundamento para um conjunto de problemas que não serão resolvidos em uma geração.