Caminhando contra o vento, sem lenço nem documento

95: no final de 94, o México tinha entrado na crise que ficou conhecida como “el horro de diciembre” ou “Efeito Tequila”. Em março de 95, com a internet chegando ao Brasil, com as configurações atuais, publico o artigo abaixo no O Estado de S Paulo, com o título infeliz  de um editor do jornal “Tempo real poderá democratizar a informação”, sob a emoção de mais um movimento especulativo do mercado financeiro e da emergência da Internet, com suas perspectivas de futuro.

É  redundância dizer que estamos assistindo ao mais profundo, dramático e rápido processo de mudança que a humanidade já sofreu. Mas é necessário quando estamos falando de responsabilidade das empresas e profissionais empenhados em informar o mercado financeiro: o primeiro setor da nossa sociedade que se interligou em tempo real globalmente, subvertendo a ordem instituída e questionando a noção de soberania nacional. Se isso já está claro há muito tempo para a pequena parcela da aldeia global que participa ativamente deste mercado, é uma grande novidade e fator de insegurança para os meros mortais que vêm de um dia para o outro a economia de um país – o México, e por consequência a de todo o nosso Continente – sofrer uma revolução em função da movimentação dos trilhões de dólares que alimentam o mercado financeiro internacional.

 

Até que ponto um fato como este é de responsabilidade dos protagonistas deste mercado, ou de políticas governamentais, ou de questões estruturais, como cultura protecionista e corrupção, não é objeto de te artigo. Nossa responsabilidade, empresas e profissionais dedicados a fornecer informações em tempo real para o mercado financeiro, é com a correção e acurácia da informação, com a certeza dos protagonistas do mercado de que não temos nenhum tipo de interesse ou posição no mercado. Mais do que isso, a certeza de que o grupo empresarial que hoje sustenta a operação não tem outro interesse econômico fora do setor de informação.

 

O nosso dia a dia é feito de sangue frio e responsabilidade. Sangue frio porque centenas de pessoas estão envolvidas num processo de captar, processar e enviar notícias, análises e dados para milhares de telas de computadores – em mesas de operação de bancos, corretoras, traders, scalpers, departamentos financeiros de empresas – e, por isso, a responsabilidade: são eles que movimentam os trilhões de dólares. Uma operação como essa envolve não só jornalistas. Envolve homens de tecnologia, de marketing, de relação comercial e de administração. É uma operação casada em tempo real, em que todos têm o mesmo nível de responsabilidade em relação à nossa missão: instrumentalizar os homens do mundo de negócios para tomar posições.

 

Mas temos um paliativo: a certeza de que será este o processo da indústria da informação daqui para a frente. Houve um tempo em que o meio jornal tinha o monopólio da informação. Era o único canal entre a sociedade civil e o poder público. Representou, com o desenvolvimento da revolução industrial, a praça da cidade antiga: o ponto de encontro da coletividade. O lugar onde ela se encontrava para se informar, refletir e debater o seu próprio futuro.

Depois, vieram o rádio e a televisão. Junto com eles, a massificação. A possibilidade de um grupo econômico interferir como nunca na evolução dos costumes e da cultura. Com o domínio da informática, que permite a um grande grupo tradicional de informação ter numa mesma base tudo o que captou por meios próprios ou de terceiros, e com o domínio da telecomunicação, que permite a este mesmo grupo fornecer a informação para os mais diversos públicos, pelos mais diversos meios, o jogo mudou.

 

A revolução da informação trouxe incerteza e insegurança. Trouxe a possibilidade de movimentos especulativos jamais sonhados. Mas trouxe também a possibilidade da democracia direta. Quanta tempo e a que custo chegaremos lá é outra questão. O fato é que a forma como hoje o mercado financeiro se informa, em tempo real globalmente, já é algo possível para os mortais comuns: a Internet e derivados representam a democratização da informação, que muito em breve transitará por ela em texto, imagem e som em tempo real. Agora, muito além do que entre todos os mercados, entre todas as pessoas.

 

O desafio que se coloca para as empresas é perceber que todas as suas cartas estão nos recursos humanos: a tecnologia, o meio, será de todos com custos insignificantes. A futura (não tão futura assim) empresa de informação terá a possibilidade de oferecer ao publico conhecimento agregado. Num processo que privilegia a horizontalização, o trabalho através de células comprometidas com o processo. Ao contrário do antigo processo industrial, que privilegiava estruturas piramidais e concentração de poder. O desafio dos profissionais da informação é manter o elo de confiança com o público em geral, conscientes de que no próximo milênio as grandes empresas de informação vão se atomizar em pequenas unidades. Estamos a um passo da aldeia global. O que estamos assistindo no mercado financeiro é só a ponta do iceberg. A democratização da produção e a disseminação da informação só se legitimarão na medida em que os agentes deste processo tenham consciência rigorosa da sua responsabilidade com o público.

o mundo mudou

Três horas e seis minutos. Esse é o tempo médio de adultos norte-americanos gastaram em atividades on-line todos os dias, no ano passado. Um aumento de duas horas e trinta quatro minutos em relação a 2010. A internet está agora firmemente estabelecida como o segundo mais importante meio de nossas vidas, como a TV continua a ser o número 1, com mais de cinco horas de uso diário.
Três horas e seis minutos. Esse é o tempo médio de adultos norte-americanos gastaram em atividades on-line todos os dias, no ano passado. Um aumento de duas horas e trinta quatro minutos em relação a 2010. A internet está agora firmemente estabelecida como o segundo mais importante meio de nossas vidas, como a TV continua a ser o número 1, com mais de cinco horas de uso diário.

isso muda tudo. as pessoas, a forma como elas pensam, a forma como elas atuam na sociedade, a sociedade. como mostram nestes três videos mcluhan, toffler e benklerhttp://articulaconfins.com.br/quem-somos/

 

 

O Brasil profundo e sua marca estão emergindo graças à rede

Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

depoimento para http://100degreesofbrazil.wordpress.com/

(English version below)

O Brasil profundo e sua marca estão emergindo graças à rede

Em relação ao mundo contemporâneo, vejo uma encruzilhada quando penso o Brasil. Somos a 8ª economia do mundo, houve um significativo processo de ascensão social desde que o governo Fernando Henrique Cardoso acabou com perverso processo inflacionário, com o qual convivemos dezenas de anos, e deu fundamentos para a economia. Lula e sua sucessora Dilma se beneficiaram disso e ampliaram as políticas sociais, mas menosprezaram a obrigação de continuar as reformas necessárias para conquistarmos um crescimento orgânico. E todos os brasileiros estão pagando por isso, como ficou claro nas manifestações e protestos por todo o país neste mês de julho.

Existe algum paradigma, alguma visão para a Humanidade?

alvin toffler

Entendo que vivemos uma crise global. O Estado nacional, os partidos políticos, as instituições que regulamentam as relações globais ficaram velhos para os desafios que tempos pela frente. A globalização, predicava Nicholas Negroponte anos atrás, privilegia antes de tudo o ‘glocal’. E argumentava: ‘Hoje, é óbvia a tendência de a internet modificar o papel que as pessoas exercem, mesclando a separação entre vendedor e consumidor, entre editor e leitor. Todas as coisas digitais são grandes e pequenas ao mesmo tempo – um paradoxo, não uma contradição. Redes descentralizadas irão substituir hierarquias, e os controles centrais serão substituídos por sistemas auto-organizáveis que se parecerão muito mais com a relação entre o homem e a natureza do que com relações institucionais.’

A cultura, e consequente organização social, política e econômica dominante na sociedade contemporânea, ainda é aquela que começou a nascer no século 16, quando um conjunto de inovações tecnológicas num contexto histórico favorável contribuiu para o início do enterro do Antigo Regime, no qual a Terra estava no centro do universo, a ordem social era imutável e a Igreja, junto com o poder absolutista, tinha o monopólio da informação.

A prensa de Gutenberg estava entre as inovações tecnológicas que contribuíram para a ascensão do mundo burguês. E os seus principais produtos – o livro e o jornal – foram entendidos durante muitos anos pela ordem dominante como ferramentas subversivas. Esta subversão gestou e gerou o mundo em que vivemos. Um mundo onde a iniquidade social ainda incomoda e assusta, mas no qual todas as barreiras para a geração de riqueza e de conhecimento foram derrubadas, num processo que também gerou a onda de inovação que estamos vivendo e a possibilidade de darmos o próximo salto.

Pela primeira vez na história desde a revolução industrial, como nota Yochai Benkler, os meios básicos de criação de informação, conhecimento e cultura estão nas mãos da maioria da população do planeta. Nos últimos anos ocorreu uma radical descentralização destes meios. Com isso, tivemos uma radical descentralização dos processos de inovação, tivemos grande descentralização da criatividade, tivemos uma radical descentralização da participação democrática. Você não precisa mais ser dono de um jornal ou rádio nem fazer parte dos afortunados para participar da política, como aponta Yochai Benkler.

Os tremendos e revolucionários impactos da internet na sociedade

yochai  benkler

É este contexto que me faz ser otimista em relação a um futuro que não vou ver. E especialmente otimista em relação ao Brasil. Somos um país continental, sofremos colonização de todas as partes do mundo e soubemos nos abrir a este processo miscigenando raças e culturas de uma forma razoavelmente harmônica. Vivemos nas grandes cidades, que estão no olho do furacão, tensos com o início desta revolução promovida pela internet, a web, a rede. Tensos com a imaturidade do processo e o conflito entre o novo e o velho, entre a economia industrial e a nova economia, que por enquanto destrói empregos no chão de fábrica e agora em setores que usam a inteligência: jornalismo, medicina, advocacia, educação etc.

Mas se o processo não for abortado ou atrasado pelas empresas de telecomunicações, que tem o monopólio do acesso à nova infraestrutura da sociedade, vamos criar com certeza um novo mundo, com novos fundamentos e referências sobre a relação capital trabalho, novos fundamentos e referências sobre os processos políticos, novos fundamentos e referências sobre os processos de produção de informação, conhecimento, cultura, bens de consumo e riqueza.

O Brasil não é um continente envelhecido olhando o seu passado, não é os países asiáticos disciplinados pela miséria e não é os países do Norte da América estressados por dezenas de anos liderando a revolução industrial e seu processo de inovação, que fomentou e construiu a infraestrutura do futuro: a internet, a web, a rede. São nas pequenas cidades do interior do Brasil, nos confins das muitas regiões de florestas nativas e nos nossos sertões que estão as raízes dos brasileiros. Quando todos forem inseridos na sociedade do conhecimento e participarem do processo, ofereceremos ao mundo um novo mundo, transformando e revigorando a marca Brasil e a forma como nos vêm lá fora, num mundo no qual o nacionalismo tenderá a desaparecer.

O Brasil dos confins, das periferias, das pequenas cidades

ditão virgílio, o saci e as chuvas.

São pessoas simples que trabalham o seu dia a dia sem as infinitas perspectivas dos centros do mundo. Eles, os habitantes das periferias, das pequenas cidades, das comunidades da amazônia, os caiçaras, os índios, a maioria dos brasileiros agregarão outros valores e seus humores aos processos institucionais da nossa sociedade. Será um mundo mais aberto, fluido e oxigenado. E a marca Brasil refletirá o seu povo, com o seu colorido, com o seu folclore, com a sua música, com a sua diversificada cultura, as suas praias paradisíacas, as suas florestas misteriosas. Com cordialidade, disposição de conviver com o controverso, sua esperança e frustrações: a marca Brasil dos Confins.

What is your impression about a brand called Brazil?

testimony to http://100degreesofbrazil.wordpress.com/

 

The deep Brazil and its brand are emerging thanks to the network

In relation to the contemporary world, I see a crossroads when I think of Brazil. We are the eighth economy in the world, there has been a significant social ascension process since Fernando Henrique Cardoso’s government ended with the perverse inflationary process, which we lived with for dozens of years, and gave grounds for the economy. Lula and his successor, Dilma, were benefited with that and expanded the social policies, but despised the obligation to continue the necessary reforms to achieve organic growth. And all Brazilians are paying for it, as it became clear during the demonstrations and protests throughout the country this July.

Is there any paradigm, any vision for humanity?

alvin toffler

I understand we live a global crisis. The national State, the political parties, the institutions that govern the global relations got old to the challenges that we will face ahead. The globalization, Nicholas Negroponte used to say years ago, emphasizes above all the “glocal” (global + local). And he argued: “Today, the trend is obvious from the Internet to change the role that people exercise, combining the separation between seller and consumer, between publisher and reader. All digital things are large and small at the same time – a paradox, not a contradiction. Decentralized networks will replace hierarchies and central controls will be replaced by self-organizing systems that will seem much more with the relationship between man and nature than with institutional relations.

The culture, and the consequent social, political, and economic organization dominant in the contemporary society, is still the one that started at the 16th century, when a set of technological innovations in a favorable historical context contributed to the beginning of the burial of the old Regime, in which the Earth was at the center of the universe, the social order was immutable and the Church, along with the absolutist power, had the monopoly of information.

The Gutenberg’s press was among the technological innovations that have contributed to the rise of the bourgeois world. And its main products – the book and the newspaper – have been understood for many years by the dominant order as subversive tools. This subversion nurtured and created the world in which we live. A world where social inequity still bothers and scares, but in which all barriers to the generation of wealth and knowledge were torn down, in a process which also generated a wave of innovation that we are living and the possibility to take the next leap.

For the first time in history since the industrial revolution, as Yochai Benkler notes, the basic means of creating information, knowledge and culture are in the hands of the majority of the world population. In recent years there has been a radical decentralization of these means. With that, we had a radical decentralization of innovation processes, a great decentralization of creativity, a radical decentralization of democratic participation. You no longer need to own a newspaper or a radio or be part of the “fortunate ones” to participate in politics, as Yochai Benkler says.

The tremendous and revolutionary impacts of the Internet on society

yochai  benkler

It is this context that makes me optimistic about a future that I will not see. And I’m especially optimistic about Brazil. We are a continental country, we suffered colonization from all parts of the world and we knew how to open ourselves to this process mixing races and cultures in a reasonably harmonious manner. We live in big cities, which are in the eye of the hurricane, tense with the beginning of this revolution promoted by the internet, the web, the network.  We are tense with the immaturity of the process and the conflict between the new and the old, between the industrial economy and the new economy, which so far destroys jobs on the factory floor and now in sectors that use intelligence: journalism, medicine, law, education, etc.

But if the process is not terminated or delayed by telecommunication companies, that has a monopoly on access to the new infrastructure of society, we will certainly create a new world, with new foundations and references on the capital-work relation, new foundations and references on political processes, new foundations and references on production processes of information, knowledge, culture, consumer goods and wealth.

Brazil is not an aged continent looking at its past, it is not the Asian countries disciplined by misery and it is not the countries from North America stressed for dozens of years leading the industrial revolution and its innovation process, which fostered and built the infrastructure of the future: the internet, the web, the network. It is in the small cities in the interior of Brazil, in the wilds of the many regions of native forests and in our hinterlands that are the roots of the Brazilians. When all is inserted in the knowledge society and participating in the process, we will offer the world a new world, transforming and reinvigorating the “brand Brazil” and how they see us out there (abroad), in a world in which nationalism will tend to disappear.

Brazil of the confines, the peripheries, the small towns

ditão virgílio, o saci e as chuvas.

They are simple people who work their day to day without the infinite perspectives of the centers of the world. They, the inhabitants of the suburbs, small towns, the communities of the Amazon, the native population, the Indians, most Brazilians will add other values and their moods to the institutional processes of our society. It will be a more open, fluid and oxygenated world. And the “brand Brazil” will reflect its people, with its colorful, with its folklore, with its music, with its diverse culture, its heavenly beaches, its mysterious forests. With friendliness, with willingness to live with the controversial, its hopes and frustrations: the “brand Brazil” of the Confines.

rodrigo mesquita

O Espírito da Rede

do Demi Getschko

A Internet na versão que conhecemos, que usa o conjunto de protocolos TCP/IP, completará 30 anos em 1 de janeiro de 2013, daqui a poucos dias. O DoD, Departamento de Defesa dos EUA, havia estabelecido janeiro de 1983 como data limite da migração da ARPANET para TCP/IP. E exatamente do nome deste protocolo (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) que derivou o nome da rede toda: Internet.

A ARPANET desenvolveu-se com recursos do DoD, o que nos levaria a pensar em inspiração puramente militar. O que se esquece é que os envolvidos em sua criação, pesquisadores provenientes da melhores universidades na área de Tecnologia (MIT, UCLA, SRI, UCSB, Utah), compartilhavam de ideias libertários dos anos 70, como livre cooperação, compartilhamento e autonomia. E eles somavam-se a requisitos de solidez para o projeto ARPANET como não haver pontos únicos de falha: “nada que tenha um ´centro de controle´ é suficientemente resistente num caso de problema técnico ou de ataque”. Chegou-se a uma concepção de rede distribuída, sem controle central, em que a adesão era espontânea e voluntária.

Assim nasceu a Internet. Sem uma “chave de desligamento” central, sem um ponto vulnerável específico e sem um “centro de controle”, integrada pelas redes autônomas que aceitassem seguir seus padrões tecnológico, mas sem terem que abdicar de sua administração própria e específica

Aliás, a forma de gerar esses padrões é outra característica marcante e disruptiva em relação ao ambiente de telecomunicações da época. Se a UIT, União Internacional das Telecomunicações, definia padrões de telefonia em reuniões controladas e fechadas, a Internet congregava três vezes ao ano uma comunidade aberta, disforme, sem filiação definida, interessada em discutir padrões. A difícil busca pelo consenso dentro da comunidade do IETF (Internet Engeneering Task Force) é que permitiria a uma proposta específica subir de nível até chegar, eventualmente, a ser ungida como padrão proposto. O documentos que o IETF gera, significativamente, denominam-se RFC (Request for Comments) , ou seja “pedidos para comentários”…

Outro aspecto tecnológico foi igualmente disruptivo: a rede seria baseada em “comutação de pacotes” e não mais em “comutação de circuitos”. Na prática isso marcava um afastamento essencial da telefonia, onde para uma conexão se estabelecer é necessária a definição a priori de um “caminho” entre originador e destinatário: o circuito. Na Internet, qualquer mensagem é quebrada em pacotes que são jogados na rede e seguem pelos diversos caminhos possíveis e dinâmicos, até serem reagrupados no destino final. Isso além de aprimorar a solidez da rede, quebrava a maneira de cobrança da antiga telefonia, definida pela duração e pelo comprimento do circuito alocado à conexão.

E dez anos após o estabelecimento da Internet, outra revolução surge: a WWW (Word Wide Web) que estimulou a participação direta e ativa de todos os internautas no uso e criação de conteúdos, que tornou acessível publicar na rede. Os repositórios de informação e de conhecimento coletivos, as redes sociais e toda a riqueza que vemos hoje, somados a uma barreira de entrada muito baixa, permitem a qualquer um, munido de uma boa idéia e de conhecimentos suficientes, propor um novo serviço na rede.

Esse rompimento com o mundo tradicional das telecomunicações foi perfeitamente percebido no Brasil. Conectamo-nos à Internet em 1991 e já em 1995 foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil, não para regular ou controlar a rede, mas para disseminar seus conceitos e características, recomendar boas práticas e levantar dados sobre sua evolução e penetração no País. À época discutia-se a privatização das telecomunicações e a Anatel, recém-criada como regulador, já distinguia claramente SVA (Serviços de Valor Adicionado) de Serviços de Telecomunicações propriamente ditos. Os SVA estavam fora de sua esfera de regulação. O mesmo estabeleceu a Lei Geral das Telecomunicações, em 1997.

A Internet no Brasil nascia aberta, livre, não regulada, sem barreiras de entrada e com uma perspectiva, então ainda não suficientemente avaliada, de tornar-se numa verdadeira revolução, cuja extensão sequer conseguimos avaliar adequadamente trinta anos após seu estabelecimento mundial. Provedores de acesso surgiram no Brasil do dia para a noite, conteúdo em português foi rapidamente gerado e em profusão, os brasileiros aceitaram a rede instantaneamente e em poucos anos passamos a estar entre os que mais tempo dedicavam a ela.

Na infra-estrutura, rede de cobre e coaxiais cederam o passo a redes ópticas que trouxeram bandas imensas de transmissão a baixo custo. Se em 1991 o Brasil inteiro conectava-se à Internet por uma única linha de 64 Kb/s (quilobits por segundo), hoje esse valor seria inaceitável até para a conexão caseira de um único indivíduo à rede. A disseminação de fibra óptica em várias capitais permite modalidades de assinatura de acesso à rede com velocidades acima de 100 Mb/s por assinante, mais de mil vezes a conexão do Brasil inteiro em 1991!

Mas nem tudo são boas notícias e a rede tem sido ameaçada. O Comitê Gestor da Internet gerou em 2009 um decálogo de princípios que visam a preservar os conceitos que fizeram a Internet ser a ferramenta valiosa que é hoje. Um ambiente legal que protegesse a Internet e os internautas era necessário: surgiu a proposta de um Marco Civil, onde se consolidam os princípios que nortearam sua criação e se busca proteção a direitos como livre expressão e defesa da privacidade. O Brasil, que granjeou admiração mundial pelo decálogo do CGI e pela sua gestão da Internet, entretanto, demora-se em aprovar o Marco Civil. Há nuvens no horizonte que podem indicar procelas. Esperemos que o Espírito da Rede sobrenade…

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O admirável novo mundo, o desafio. Um caminho sem volta.

A World Wide Web é o universo da informação acessível através da rede, a personificação do conhecimento humano. Tim Berners-Lee, o inventor da Web  e fundador do the World Wide Web Consortium (W3C).

 

Nestes infográficos, você tem uma síntese do que é hoje a plataforma dominante de informação, comunicação e articulaçãoda sociedade contemporânea. Ela não é causa da crise que estamos vivendo, que vai muito além da economia. Mas é um dos seus eixos: sua expansão e seu domínio pela sociedade é condição para o amadurecimento da era do conhecimento, com suas estruturas econômicas, sociais e políticas.

No livro Uma breve história do futuro, o economista e historiador Jacques Atalli reflete sobre este momento de transição que vivemos, com os agentes do mercado financeiro – bancos, seguradoras, empresas de cartão de crédito – com um poder desmesurado sobre a sociedade e sem regras claras de responsabilidade, mal reguladas também por causa da rede e da social media. Do fim da era industrial à democracia plena, se sobrevivermos.

Sinopse: Aproximadamente em 2060, ou mais cedo – a menos que a humanidade desapareça sob um dilúvio de bombas -, nem o Império Norte-Americano, nem o hiperconflito serão toleráveis. Novas forças, altruístas e universalistas, já atuantes hoje, tomarão o poder mundialmente, devido a uma premência ecológica, ética, econômica, cultural e política. Elas se rebelarão contra as exigências da vigilância, do narcisismo e das normas. Conduzirão, progressivamente, a um novo equilíbrio, dessa vez planetário, entre o mercado e a democracia a hiperdemocracia. Instituições mundiais e continentais organizarão a vida coletiva, graças a novas tecnologias. Fixarão limites ao artefato comercial, à modificação da vida e à valorização da natureza. O objetivo deste livro é mostrar que essa é, no entanto, a cara mais verossímil do futuro.

Se você ficou intrigado com esta edição desta matéria do Brian Solys, especialista em marketing na social media, vai gostar do livro do Atalli. Outra sugestão é McLuhan por McLuhan, da Edioro.

Sinopse: Uma seleção de conferências e entrevistas inéditas de McLuhan em livro. Permitem ao leitor acompanhar o desenvolvimento das idéias do profeta da globalização. Da criação do primeiro alfabeto fonético, uma mídia, e o fim da soceidade tribal à sua volta, num mundo de tal foma conectado que somos levados a surfar, numa cultura oral.  As opiniões que McLuhan nutria a respeito de sua própria obra e do mundo são complementos valiosos para as suas publicações. Com introdução de Tom Wolfe, convidado de honra da Bienal 2005, esta coletânea ajuda a entender a visão de McLuhan de que “as sociedades sempre foram mais moldadas pela natureza dos meios usados pelas pessoas para se comunicarem do que pelo conteúdo dessa comunicação”.

Se não conseguir comprar na Cultura ou na Edioro (links nos títulos), o sebo Estante Virtual é uma boa alternativa.

Correndo atrás das notícias e do tempo

Gabriel Azevedo, Subsecretário da Juventude do Governo do Estado de Minas Gerais, Secretário de Comunicação Social da Juventude do Partido da Social Democracia Brasileira, Assessor da Presidência do Clube Atlético Mineiro, Coordenador da Turma do Chapéu e empresário, é mais uma vítima do dilúvio de informações que vivemos, dá seu depoimento sobre como se informa no dia a dia para a série na encruzilhada do futuro do presente.

conheça aqui a turma do chapéu

Assim que acordo, utilizo meu iPhone ainda na cama. Ele dormiu ao meu lado enquanto recuperava a carga mais uma vez. Através de um e-mail exclusivo onde recebo o clipping, confiro as principais notícias do dia. O material vem organizado com meus temas de interesse e traz conteúdo da Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo, Estado de Minas, O Tempo, Hoje em Dia, Valor Econômico, Brasil Econômico, Diário do Comércio, Veja, Istoé, Época e Carta Capital. Ao longo do dia, no mesmo e-mail, recebo conteúdo dos mesmos veículos que são veiculados no seus respectivos sites. Em tempo real, recebo a reprodução das postagens nos principais blogs do país no mesmo e-mail. Fica fácil organizar um arquivo na caixa e procurar algo específico quando for necessário. A TV fica ligada no bom dia Brasil da Rede Globo.

Além disso, sigo perfis de interesse no Twitter e clico em links que me direcionam para as notícias caso não me satisfaça ao ler a manchete. Raramente utilizo o facebook para me informar, embora compartilhe notícias no meu perfil.

Se estou no trânsito, escuto a CBN pela manhã e ao fim do expediente na Cidade Administrativa. Ao chegar na sede do governo, leio o clipping do diário oficial com as notícias da minha pasta e outras mais gerais. Também recebe o jornal metro que é entregue no trânsito. Vejo o Jornal Nacional a noite enquanto corro na esteira. Se há algum evento que merece maior atenção, acompanho as transmissões da GloboNews. Tenho o costume de assistir o Jornal das Dez, quando estou em casa, ou o Jornal da Globo. Se o assunto de interesse é internacional assisto a CNN ou a Fox. Tenho aplicativos para iPhone também da CBN e da GloboNews, além da Rádio Itatiaia para ouvir o jogo de futebol no estádio. Acompanho sites institucionais também.

 

Dou uma olhada nos articulistas do Estadão, Folha e Valor

“Grandes portfólios de marcas até ontem independentes, como Unilever e P&G, estão demonstrando, via endosso, maior ligação entre a sua cultura organizacional e os seus produtos. Os dois grupos são exemplos de como as fronteiras entre a marca corporativa e a marca de produto ou serviço estão cada vez mais tênues. … Mas em época de sociedade em rede, tudo se sabe na velocidade do tempo real. Então, por prudência, melhor se antecipar à exposição, planejar e tirar partido da íntima relação entre a cultura corporativa e os produtos e serviços que ela é capaz de entregar para o mercado”.(Clique na imagem para ler a íntegra do artigo)

 

Ricardo Guimarães, o líder da thymus e inventor do branding no Brasil, é uma das minhas referências de processos em rede. Uma das minhas primeiras conversas sobre o ArticulaConfins, um espaço para abrir o debate sobre as profundas transformações que a plataforma de informação, comunicação e articulação da sociedade vem sofrendo em função da emergência da internet, a rede, a infraestrutura da era do conhecimento. Foi nesta conversa que comecei a elaborar o texto “Na Encruzilhada do Futuro do Presente“, que reflete a minha visão dos principais desafios que temos pela frente nestes tempos de crise, de mudança de uma época para outra, de um mundo para outro. E é também o eixo desta série de depoimentos de profissionais a estudantes sobre como me informo no dia a dia que venho publicando neste espaço.

Vamos ao seu depoimento.

No cotidiano, do começo ao fim do dia, as informações mais relevantes eu conto que as pessoas de convívio me tragam, via email ou presencialmente. Uso também ao longo do dia sem nenhuma disciplina o twitter, onde eu te sigo, que me leva a fontes diversas. No café da manhã, dou uma olhada nas opiniões dos articulistas do Estadão, da Folha e do Valor porque notícia mesmo já estava sabendo pela TV- Globonews, Globo e CNN no dia anterior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para outros assuntos frequento, no papel ou digital, a Wired, a Fast Company, a Utne Reader, a Adbusters, The Economist, Nature, Scientific American, Mother Jones, New Yorker e Newsweek. A maioria dessas revistas eu assino. De novo, conto muito com minha rede pessoal de relacionamento que me manda muito material.

Claro que não deixo de dar uma olhada em Veja, Época, Exame e Época Negócios. E Super interessante e Galileu!

Durante o meu trabalho, sempre ouço música via web streaming

O depoimento do Rainer Hartman sobre como se informa no seu dia a dia.

Obtenho minhas informações principalmente pela web. Praticamente não leio mais a mídia impressa. A nossa assinatura do jornal venceu há anos. Acesso alguns portais de notícia (UOL, Estadão, BBC, CNN e Al Jazeera, a última principalmente para notícias do Oriente Médio e Ásia), mas sinto que essas notícias não têm profundidade. Embora saiba que existem análises mais profundas na web, não me sinto inclinado a ler longos artigos.

Para essas análises, procuro The Economist. Assino essa publicação há décadas e, faz uns dois anos, passei da assinatura da revista em papel para assinatura apenas eletrônica. Isso me dá acesso total ao conteúdo pela web e via Android, além de uma versão completa em áudio. Essa última acaba sendo a forma que mais uso, pois permite que eu ouça boa parte das matérias enquanto estou no transporte público ou na academia.

Gosto de visitar o Reddit, para saber o que o público mais jovem e ligado à tecnologia anda fazendo, e um ou outro site, como, por exemplo, o Cool Hunting.

Sou curioso e sempre que fico sabendo de um site ou serviço interessante pelo Reddit ou The Economist, ou por outra forma, vou pesquisar para saber o que é. Tenho uma pasta entre os favoritos do Chrome chamada “Things to check out” para aquilo que quero investigar com mais calma.

Durante o meu trabalho, sempre ouço música via web streaming. Ultimamente, tenho ouvido uma estação de música clássica de San Francisco, a KDFC. Quando não a ouço, sinto falta.

Apesar de razoavelmente antenado no que acontece à minha volta optei por não usar o Facebook. Tenho uma conta aberta, zero amigos, não a mantenho. Confesso que, no fundo, não tenho tempo ou paciência para todos os rituais FB e me preocupo muito com a questão da privacidade.

Tenho uma conta no LinkedIn, mas uso essa ferramenta bem pouco.