A rede é uma extensão do nosso sistema nervoso

Da Magda David Hercheui, sobre como ela se informa no dia a dia para não perder o trem da História (Entenda a rede do título como os circuitos elétricos, que é por onde corre a informação nos nossos dias. Circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central.  Todas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física. ).

A primeira coisa que faço quando levanto é ligar o computador. O celular não conta porque está sempre ligado e qualquer informação importante eu teria recebido em tempo real.

Eu gosto de checar primeiro o meu email privado, para ter certeza de que nada de urgente precisa ser resolvido. Na sequência, eu leio as mensagens do Facebook. Depois vou para o email corporativo.

Quando tenho tempo, dou uma lida nas notícias de manhã.  Eu assino a versão eletrônica do Financial Times, então pela manhã tenho o jornal no meu email. Durante o dia, outras mensagens chegam de várias fontes. Eu recebo as mensagens da televisão britânica BBC e da revista Economist, com os alertas do dia.

Também assino vários canais no YouTube, como TED Talks, para saber quando novos vídeos de áreas que eu acompanho ficam disponíveis. Eu assino as mensagens de diversas outras fontes, como a consultoria McKinsey (The social economy: Unlocking value and productivity through social technologies) e órgãos do governo, que mandam os links através de emails.

do silvio meira

Em paralelo,  acompanho várias fontes de informação através do Facebook, como os jornais Guardian, Estadão e Folha de S.Paulo. Infelizmente, o Facebook não permite fazer uma classificação de fontes, para saber o que é mais importante, então tem muita mistura das fontes de informação com o conteúdo produzido por amigos. Isso é uma limitação do Facebook para ter boa informação. Por outro lado, muitos amigos são boas fontes de informação, publicando links ou vídeos para relatórios ou noticias relevantes.

Semanalmente, recebo a revista Economist em papel. Eu ainda gosto de andar de metro com a minha revista em papel.

No topo disso, tenho de estar informada sobre publicações acadêmicas e livros de minha área, e isso realmente é uma atividade que consome muito tempo, porque tenho de consultar cada publicação de meu interesse individualmente. Não existe um agregador que informe sobre os conteúdos dispersos em muitas publicações.

Por fim, sempre tem aquele elemento do acaso. Sem planejar a gente cruza com alguém lendo algo interessante. Fico sempre de olho nos jornais e livros dos outros no metrô…

boa: boa, udav


boa: boa

O Brasil exportando educação. Do sonho à realidade.

“Minha ênfase será sobre tecnologia e infraestrutura. Acho importante trabalhar no Brasil com colegas brasileiros, para criar oportunidades para todos. A partir dessa colaboração no Brasil, podemos gerar modelos de excelência que estabeleçam exemplos para o mundo todo”. Era junho de 2005, Nicholas Negroponte tinha anunciado no início do ano em Davos projeto One Laptop per Child, OLPC, cuja a missão era  projetar, fabricar e distribuir laptops suficientemente baratos para proporcionar a cada criança do mundo acesso ao conhecimento e modernas formas de educação, suportado por uma entidade sem fins lucrativos.

 

 Ele e David Cavallo vieram ao Brasil para apresentar ao PSDB, no iFHC, e ao PT, no NAE, a filosofia do projeto e porque o MIT – Media Lab tinha eleito nosso país como a base de lançamento do projeto global. O discurso foi o mesmo para os dois públicos. “Devemos examinar atentamente as relações entre inovação e indústria e entre academia e indústria. Duas instâncias devem ser consideradas: a inovação e a consolidação. Em uma analogia, as instâncias diferem uma da outra como os estados líquido e sólido. A inovação é líquida e a consolidação é sólida. A consolidação é a solidificação da inovação, a materialização de uma nova idéia ou conceito. Por outro lado, a consolidação é conservadora — tende à rigidez e resiste à inovação. A meta do inovador é sempre explorar as possibilidades do conhecimento”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O Media Lab, criado no início do anos 80, surgiu da necessidade de buscar novos caminhos de expressão. A comunicação é essencial para a expressão, e a expressão é essencial para a mente. Agora, mais de duas década depois, o laboratório já pode avaliar alguns resultados. Como disse o fundador do Media Lab, Norbert Wiesner, nunca acredite em nenhuma idéia com menos de 20 anos”. Walter Bender era nesta época o diretor de geral do Media Lab, o  braço direito de Nicholas Negroponte, que em julho viria ao Brasil com Seymour Papert para propor que o Brasil encomendasse três mil laptops, liderasse o projeto piloto e se preparasse para exportar educação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Walter Bender, já naquela época,  alertava : “é importante hoje repensar as telecomunicações, já que a base tecnológica das telecomunicações não é mais válida. Na época de Marconi, as telecomunicações eram baseadas em um modelo de banda restrita por número crescente de terminais. Hoje é possível ampliar a capacidade sem reduzir a banda por node de conexão. Hoje as comunicações são virais: escaláveis, de baixo custo, incrementais, adaptáveis, contributivas e robustas. Essas novas comunicações aproveitam-se de conhecimentos locais e decisões locais sobre uma estrutura global”. Esta infraestrutura, hoje representada pela internet, vem evoluindo e a sociedade em todo o planeta (a importância do nosso Marco Civil da Internet) lutando paque ele continue livre e sob o conceito da neutralidade para que ninguém, indivíduo, empresa ou entidade, tenha privilégio na sua utilização.

Na conversa com o PSDB, no iFHC, e o PT, no NAE, Bender falava também sobre o contexto: “é importante hoje repensar as telecomunicações, já que a base tecnológica das telecomunicações não é mais válida. Na época de Marconi, as telecomunicações eram baseadas em um modelo de banda restrita por número crescente de terminais. Hoje é possível ampliar a capacidade sem reduzir a banda por node de conexão. Hoje as comunicações são virais: escaláveis, de baixo custo, incrementais, adaptáveis, contributivas e robustas. Essas novas comunicações aproveitam-se de conhecimentos locais e decisões locais sobre uma estrutura global”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E ia adiante exemplificando: ” é  preciso repensar também as regras de envolvimento. Estudos mostram que estruturas com mais de 150 pessoas sofrem fortes mudanças organizacionais, exigindo maior hierarquização para impedir o caos. Mas em estruturas muito numerosas, vale a “regra da multidão”, “rule of many”. O fluxo se organiza sem hierarquia, sem organização de cima para baixo, sem editores — baseado na confiança que cada contribuição é positiva.  Exemplos dessas organizações super-numéricas são a enciclopédia online Wikipedia e o organizador de álbuns de fotos online Flickr. Esses sistemas alimentados por milhares de pessoas são exemplos de inovações (líquido) que atingiram a consolidação (sólido).   São “organic networks“, capazes de reduzir a barreira econômica à inovação. Apresentam arquitetura mais modular, mais flexível e tornam a computação mais acessível para os empreendedores”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nicholas e Seymour vieram ao Brasil um mês depois, propuseram o projeto para o PSDB e o PT, que sob a liderança do Cézar Alvarez criou um grupo de trabalho para consubstanciar a proposta e acabou gerando os programas Um Computador para Todos e Um Computador por Aluno. Nicholas nunca conseguiu entender que o Lula não poderia assumir o projto por decreto. Nossa indústria da educação nunca se interessou pelo projeto. Já a Microsoft e a Intel trabalharam legitimamente seus lobbies. Microsoft temia um sistema operacional fundamentado em processos de aprendizado compartilhado e a Intel, a entrada no mercado de uma máquina, o XO, de baixo custo e equipada com Wi-Fi mesh. Não abraçamos o projeto como um todo, mas a questão da tecnologia na educação ganhou outra dimensão no Brasil e no mundo, onde cerca de cinco mihões de crianças estudam na plataforma da OLPC.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi com este time que aprendi que o computador é muito mais do que uma ferramenta para informação e comunicação. É antes de tudo uma alavanca para criação, expressão, visualização e simulação. Foi com eles e McLuhan, “circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central” (a rede é uma extensão do nosso sistema nervoso), que entendi que vivemos hoje, graças a este fabuloso processo de inovação, na encruzilhada do futuro do presente, que tanto pode ser brilhante quanto uma tragédia. Foi também por isso, dar uma colaboração para o entendimento do momento que vivemos, que inciei esta série de textos com depoimentos de cientistas, empresários, estudantes, jornalistas, professores, sobre como se informam para não perder o trem da história. Em seguida o depoimento do Walter Bender.

Assim como meu cachorro, tenho hábitos constantes. Quando meu cachorro ouve o jornal sendo entregue na entrada da minha casa, ele me acorda. Ligo a máquina de café e saímos para um rápido passeio: enquanto eu vou pegar o New York Times, ele cheira toda a calçada para saber quais outros cachorros passaram pela minha casa. Meu foco é a cobertura internacional. O interesse dele, por outro lado, é estritamente local.

Mesmo tendo o café e o jornal à mão, começo a minha rotina passando os olhos pelos meus emails – na maioria das vezes, algum amigo enviou um link para alguma matéria recomendada. Normalmente, ignoro os alertas de notícias, já que sei que verei essas notícias e muito mais ao acessar o Google News, minha próxima parada. Finalmente, passo uns 20 a 30 minutos com o New York Times. Faço uma leitura cuidadosa do primeiro caderno e superficial do resto.

Durante o meu dia, periodicamente acesso o Facebook, Twitter, Google+ e alguns outros sites de mídia social; por algum motivo, é apenas no Google+ que encontro uma ou duas recomendações de matérias que valem a pena ser lidas. Mas passo a maior parte do dia no IRC, um chatroom do estilo antigo, onde, além de discutir trabalho, meus colegas e eu comentamos nossas percepções sobre o mundo que nos cerca.

Finalmente, uma vez por semana, à noite, escrevo no meu blog e leio outros blogs. Temos um “planeta” de blogs relacionados, mas por vezes eu fujo do assunto e vou para o mundo dos blogs mais convencionais

Journalism & Social Media

See on Scoop.itJournalism and the WEB

– Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação!

– Somos o Noé do novo século

– Não procuro informações e notícias, elas vêm até mim

– Os jornais e outras praças cívicas

– Uma análise do fracasso dos jornais nas mídias sociais

– Um dia nas principais conexões do Sílvio Meira

– Citizen journalism, Instagram, and #Sandy

– Election Disruption: Digital Citizens and Mass Media

– Juan Antonio Giner, nas trincheiras do jornalismo digital

– President Obama’s Re-Election: How the News Media Around the Globe Covered It

– How media companies can think more like startups

– With Sandy, Instagram gaining on Twitter for citizen journalism

– Reconstruir la Democracia con esperanza. Entrevista de Manuel Castells

– Hurricane coverage

– Power to the People

 

searching, investigating and opening trails…

trails: staza, stazama (traje): lasts
See on www.scoop.it

Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação!

Minha prima e amiga Mariana Salles Oliveira é psicologa e trabalha com formação experiencial ao ar livre pela Outward Bound Brasil.  Como ela comenta no seu depoimento sobre como se informa no dia a dia na encruzilahada do futuro do presente, é quase uma nativa. Seu jornal tem uma receita própria composta pelos seus interesse e os de seus amigos, na sua própria rede social.

Ler o bom e velho jornal era e ainda é o hábito matinal do meu pai. Eu desde sempre li tudo aquilo em partes, só as que me interessavam, novos horizontes naquele calhamaço de papel vinham quando alguém me chamava atenção para alguma matéria em especial. Quando fui morar sozinha, todo investimento era algo a se pensar e entre assinar o jornal diariamente, ou investir na melhor velocidade de internet possível, fiquei com a segunda opção!

 

uma história da internet (legendado)

Naquele tempo, o provedor de e-mails tinha como chamariz um portal de notícias. Encontrei lá um ótimo jornalismo internacional, e uma seleção de notícias bem bacana! As redes sociais engatinhavam e os blogs eram mais temáticos e pessoais do que uma fonte de informação alternativa aos grandes veículos impressos. O jornal que meu pai lia, estava lá também, em versão online tinha seu “papel” no meio daqueles novos canais!

Num pula pula filtrado pelo que me interessava e ao mesmo tempo afogada em tantas novas ofertas, aconteceu que, antes mesmo deu ter tempo de estruturar minha busca por notícias, e organizá-las para acessá-las de uma maneira fácil e confortável, uma outra onda fez rever a forma como eu iria me informar dali para frente!

Imagens de cursos da Outward Bound Brasil (OBB) com depoimentos de participantes

Em pouco tempo todos os meus amigos, parentes, colegas de trabalho, autores dos meus blogs favoritos, instituições, o governo, governantes e candidatos, e até pessoas públicas que adimiro, todas elas, passariam a compor um grande filtro de relevância para mim! Viraram meus editores chefes! Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação! Minha rede social virou online e junto comigo tocam meu jornal diário! Os valores são múltiplos, e a ética também, a amostragem gigante, mas ainda sobram alguns filtros onde posso operar!

Canais antes separados de fotos, vídeos e textos, se cruzam hoje com intimidade no meu facebook, twitter, no meu celular, lá estão todas elas, as tais notícias, numa versão multimídia, filtradas pelos meus contatos!

Se elas chegam até mim, o tempo todo, e aos poucos vou filtrando e selecionando minha rede de conexões e provedores de notícias, também descobri que o grupo de pessoas que gerem os browsers que uso, e as redes sociais de que faço parte, gostam e querem também fazer isso por mim!

Ler notícias hoje vai muito além de me manter informada, ler notícias agora constrói o meu perfil de usuário, um perfil de navegadora, que cruzado à minha rede de contatos tem servido para me conectar diretamente às informações que outras pessoas acham relevante que eu leia. Numa  versão ainda mais incrível me conecta ao comércio de produtos e serviços! A cada notícia que leio, recebo mais emails, mais sugestões de links, mais sugestões de amigos e produtos para consumir! É um efeito cascata dessa rede que interconecta planos diversos que antes compunham a minha vida sem que nem eu pudesse visualizá-los! Mais que visível essa trama das minhas conexões, dos meus assuntos de interesses, e dos meus gastos opera selecionando informações, serviços e produtos pra mim!

Navegar na internet atrás de notícias é também construir a maior rede de comércio e produção de subjetividade voltada ao consumo que já existiu no planeta! Parece também ser essa mesma rede, uma forma criativa de outras economias de troca! Para os que além de filtrados, filtram e infiltram, oferecendo conhecimento e fazendo frente à automatização da relevância apenas a serviço da venda de produtos e de uma subjetividade massificada. Tento, entre meus contatos, meus interesses e a oferta, achar a versão de informações que me acompanham na escolha que tenho feito de mundo!

O dilúvio está aí, falta o Noé

 

Por Antonio Mendes Ribeiro

Vivemos um dilúvio de informação ou mais precisamente de dados, pois não temos a capacidade de entendê-los completa e plenamente. Isso faz com que fiquemos perdidos na rede, sem aproveitar as  oportunidades que surgem nas nossas navegações. Precisamos, assim, assumir o papel de um Noé do novo século, selecionando espécies significativas  de informação, colocando-as na nossa arca e com isso sobreviver no mundo do entendimento, da interpretação, da reflexão,  o que é essencial para os nossos estudos e até negócios. Podemos dizer que  era de hoje da internet é  dos  letrados em informação. Na verdade temos que ter essa competência, além do domínio das tecnologias, para gerir a informação  que necessitamos. Isto é válido para todas áreas do conhecimento humano, para profissionais mais especializados e até crianças.

Mas  como uma pessoa pode evoluir ao atuar nessa área, que papéis deve assumir? Além de um simples RECEPTOR de informação (leitor de notícias colocadas pelos amigos que seguimos nos microblogs), podemos assumir uma ação mais ativa. Nos colocando como um EXPLORADOR saimos à cata de  informações já publicadas (pesquisando, filtrando, selecionando),  gerando e personalizando nova informação ( quando  a descrevemos e ilustramos, mesmo de forma sucinta, na nossa rede social). Com um passo além podemos nos ligar diretamente à informação de nosso interesse, tornando-nos um INTERAGIDOR (colocando tags nas mesmas e utilizando um ambiente de bookmarking social). Vivenciando esses papéis podemos criar condições para usar a informação, em vez de somente consumí-la, armazená-la, organizá-la e indexá-la. Como um APLICADOR podemos tomar nossas decisões e  resolver problemas da nossa realidade (a partir da criação de  um sentido à massa de informação a que somos submetidos, ao fazermos sínteses, reflexões e  conclusões  usando um blog). Quando assumimos esse nível de experiência na rede, sendo um especialista na nossa área de atuação, temos condições de agir como um CURADOR (disponibilizando informação atualizada e significativa para nossos parceiros, com a utilização das novas ferramentas de curadoria agora disponíveis).

Mas ser um letrado em informação é suficiente? O importante é que sejamos, além disso, capazes com esse tipo de competência de nos colocar  como um agente de inovação em rede. Com esse posicionamento será possível nos contrapor  às mudanças que ocorrem no mundo de hoje, co-construindo conhecimento de forma colaborativa e auto-regulando o nosso aprendizado,  em benefício pessoal , das nossas comunidades e da sociedade em geral.

O professor Antono Mendes Ribeiro, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, está para lá da encruzilhada do futuro do presente. Há anos atua na rede como um construtor de caminhos. Vale a pena conhecer a sua comunidade de Colaboração e Conhecimento C – 5, na plataforma Peabirus, na qual ele vai mais fundo do que neste depoimento sobre como se informa no dia a dia para não soçobrar.

 

“O homem civilizado, o homem destribalizado.”

A cultura literária é visual e separada (ou alienada). Ela cria o homem civilizado, o homem “destribalizado”. O homem que não está envolvido. E o efeito da Revolução Elétrica é criar novamente um envolvimento que é integral.

O artista é a única pessoa a usar sua antena para captar essas mensagens antes de qualquer outro. Por isso, o artista sempre é considerado como alguém muito à frente do seu tempo: porque ele vive no presente.

A íntegra de uma edição possível  do nosso mundo, construída com McLuhan.

“As sociedades sempre foram mais moldadas pela natureza dos meios usados pelas pessoas para se comunicarem do que pelo conteúdo dessa comunicação.

Todas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física.

A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. As roupas são uma extensão da pele.

Circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central.

A extensão de qualquer um dos sentidos desloca (ou distorce) todos os outros sentidos. Altera o modo como pensamos, o modo como vemos o mundo, e a nós mesmos.

Cada vez que uma mudança dessas ocorre, as pessoas mudam.

A cultura literária é visual e separada (ou alienada). Ela cria o homem civilizado, o homem “destribalizado”. O homem que não está envolvido. E o efeito da Revolução Elétrica é criar novamente um envolvimento que é integral. 

Por que de repente a arte a cultura se tornaram grandes negócios, como é a grande ciência?*. Os motivos para isso estão relacionados com o fato de que vivemos em uma Era da Informação. Quando se vive em uma Era da Informação, a cultura se torna um grande negócio, a educação se torna um grande negócio, e a explosão da cultura através da explosão da informação torna-se cultura por si mesma, derrubando todas as paredes entre cultura e negócios.

O artista é a única pessoa a usar sua antena para captar essas mensagens antes de qualquer outro. Por isso, o artista sempre é considerado como alguém muito à frente do seu tempo: porque ele vive no presente. 
Há uma excelente razão pela qual a maioria das pessoas prefere viver na era imediatamente anterior a elas: é mais seguro. Viver na vanguarda das coisas, na fronteira das mudanças, é algo apavorante.

Nossa cultura oficial está lutando para forçar as novas mídias a fazer o trabalho das velhas mídias. Esses são tempos difíceis porque estamos testemunhando um choque de proporções cataclísmicas entre duas grandes tecnologias.”