AE, urgente: a mídia somos nós

O Estado de S. Paulo, 23/02/05

O primeiro site de informação jornalística no Brasil – o da Agência Estado – começou a nascer em 1988. A visão de que o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, TICs, iriam determinar o futuro das tradicionais empresas jornalísticas, foi o mote para iniciar a transformação de uma unidade operacional do Grupo Estado numa inovadora empresa virtual de informação.

Estávamos em 1988 e o objetivo explícito era o de criar um serviço de informações econômicas em tempo real, visto que a comunidade financeira era a única, naquela época, em condições de sustentar uma empresa de informação com estas características. O objetivo implícito era iniciar o processo de conquista de conhecimento para, no futuro, contribuir para o processo de migração dos tradicionais negócios de uma empresa jornalística do papel para as redes de comunicação e os diversos displays que elas comportam.

A primeira rede de distribuição de informação da AE era estruturada num sistema que utilizava a sub-banda do FM. A Embratel era monopólio estatal e a alternativa para este sistema seria as linhas privadas que, em função da inexistência de um mercado competitivo, eram caras e de operação duvidosa. Era impossível imaginar que as TICs apresentariam a evolução geométrica que vêm ocorrendo desde aquela época. Muito menos que, no início do séc. XXI, as tecnologias não proprietárias estariam iniciando o processo de superação dos grandes monopólios que nasceram com o início desta nova aventura da humanidade.

A Agência, neste processo, atingiu um grau de excelência informativa que a levou a uma situação de referência de mercado. Talvez, seja a única empresa de informação brasileira cujos processos de captação, processamento e distribuição de informação tenham sido, sem exceção, estruturados em rede. Isso também foi verdadeiro para seus processos administrativos, comerciais e tecnológicos. Uma empresa organizada em rede – células de profissionais multidisciplinares com liberdade e responsabilidade para criar e preparar o futuro.

A abertura de caminho para conquistar outras formas de relação com o mercado, além do tradicional modelo de negócio sustentado por distribuição de informaçao, foi possível para a AE por causa desta organização funcional em rede e porque, também em função desta filosofia, a empresa nestes anos todos conquistou um profundo conhecimento das tecnologias de informação e comunicação e suas possibilidades, especialmente as de código aberto.

Por uma questão de custo x benefício, a empresa começou a desenvolver-se em cima do sistema operacional aberto Linux e de softwares livres (o ecosistema linux), a partir de 1996. A consciência dos profissionais da necessidade que tinham de criar novas plataformas de relacionamento com o público, aliada a uma postura aberta em relação à tecnologia, permitiu um primeiro grande avanço neste novo mundo. E daí começa a se explicar a liderança da Agência.

O porvir das tradicionais empresas de informação, está claro, dependerá da capacidade delas para, paulatinamente, desenvolverem novos modelos de negócios sustentados por operações de network. A Internet é muito mais do que um meio adequado para organizar e distribuir informação. É uma nova infra-estrutura que permeia todas as relações e atividades humanas. Como meio de comunicação, é o mais importante desde a prensa de Gutenberg. É um novo ecossistema para a humanidade explorar, abrir novos caminhos e construir novas oportunidades.

Ela contém todos os meios que vieram antes e, por ser rede, enriqueceu este conjunto com a convergência e a interatividade. Este novo ecossistema provoca a mudança, induz a rearticulação dos processos de produção de conteúdo e de riqueza. E com isso abre um novo caminho para o público e, pela primeira vez, com o público. Revirando e contrariando a maioria dos conceitos que assumíamos sobre mídia e sobre modelos de negócio em geral. No mundo da Internet, a rede, nós somos definidos pelo que sabemos e pelo que compartilhamos. Sem conhecimento e sem compartilhamento não se vai a parte alguma.

As empresas jornalísticas tradicionais, no entanto, ainda não despertaram plenamente para este fato. Junto com os outros meios de massa broadcast – a TV aberta e o rádio – detinham, até o advento da Web, praticamente o monopólio de distribuição de informação para uma determinada comunidade, num espaço físico específico. Talvez por isso mesmo esta indústria tenha restringido sua atuação, neste primeiro momento do novo ambiente em construção, a procurar emular seu modelo de negócio, que historicamente se sustenta em função da franquia que deteve até recentemente de distribuição de informaçao editorial e comercial, para o mundo da Internet.

Isso contribuiu para que a rede seja entendida pelo público quase que exclusivamente como uma enorme biblioteca digital composta por sites ou portais, com maior ou menor volume de informação, mais ou menos dinâmicos e com ferramentas melhores ou piores, para manusear e usar a informação. Sua enorme capacidade de organização e publicação de qualquer tipo de conteúdo acabou dando o tom, nestes primeiros anos. Talvez não poderia ter sido diferente, mas mesmo assim não foram poucas as mudanças que ela gerou e vem fomentando nas nossas vidas.

Aspas, uma confissão

Não acredito que os blogs ou os wikis (softwares de publicação de facílima utilização que permitem o desenvolvimento de conteúdos individualmente ou coletivamente), como estão conformados hoje, vão substituir o jornalismo tradicional. A única certeza que tenho é que o processo de formação de opinião daqui para a frente será cada vez mais autônomo, difuso, fragmentado, complexo e sofisticado.

Vejo a internet como uma infraestrutura para articular qualquer tipo de relação humana. Sejam elas de cunho econômico, político ou social. A rede não é só um novo meio de comunicação, apesar de neste primeiro momento ter servido antes de tudo para organizar e distribuir informação. Ela é antes de tudo fator de rearticulação de processos, privilegiando as possibilidades de cooperação, colaboração e compartilhamento.

As tradicionais empresas jornalísticas ignoram estes fatos e, também por isso, vêm perdendo mercado há anos. Suas estratégias são exclusivamente defensivas: jornais populares, jornais gratuitos, tablóides e reformas editoriais clássicas. Nenhum movimento estratégico para procurar explorar as possibilidades de network.

O mundo mudou. Na Idade Média quem dominava a informação era Igreja e o poder temporal. Com a Renascença e o conjunto de inovações que a impulsionaram, entre elas a criação da prensa por Gutenberg, a Igreja e seus aliados perderam este monopólio. A burguesia ascendente teve acesso ao conhecimento e à possibilidade de publicar e vender suas idéias e valores.

Em meados do séc. XIX, o jornalismo começou a virar negócio. As publicações deixaram de ser panfletos de vida efêmera para se tornarem perenes e gerarem uma plataforma de negócios. O apogeu disso ocorreu entre as duas grande guerras. Hoje, com a infra-estrutura de redes, o modelo de negócio baseado exclusivamente em distribuição de informação morreu (não é morte súbita, é um definhar lento e dolorido.). Sempre será mais fácil entender a crise que o declínio.

Em 1930, São Paulo tinha 800 mil habitantes e o principal jornal da cidade circulava com 100 mil exemplares. Seus classificados eram a principal rede de vendas da cidade. Não existiam cadeias de lojas ou de supermercados. Os jornais aqui e em cidades semelhantes eram os principais canais de vendas de uma enorme gama de produtos e serviços – uma plataforma de relacionamento ajustada e adequada para a época como nenhuma outra em todos os tempos. Isso permitiu que os jornais desenvolvessem em todo mundo um jornalismo caro e sofisticado.

Fechas aspas, o mundo em rede

Este tempo acabou. Vivemos num mundo interconectado em tempo real. A minha geração, que foi surpreendida por este processo no meio do caminho, não terá tempo para reaprender a pensar, num contexto tão profundamente modificado por novas ferramentas e possibilidades. Sua responsabilidade é a de facilitar o caminho para as gerações que se seguirão. Estas viverão num tempo em que a conexão será uma commodity, um direito tão fundamental quanto o de votar. Assim como o equipamento para se conectar.

A segmentação da informação, que é possível hoje graças ao poder de distribuição cada vez mais barata e rápida, leva naturalmente à formação das comunidades, e de comunidades dentro de comunidades, e a atenção compartilhada dá um centro de gravidade a elas. A interatividade que a rede traz leva às tecnologias de colaboração, de compartilhamento e de geração de novos espaços de conexão humanos, e cria todo um novo modelo de produção de conteúdo e de riqueza. É esta a mudança mais profunda e radical e, neste contexto, as empresas de informação deixaram de ser o centro.

O cidadão, o usuário, passa neste novo mundo em construção a ser ativo, respondendo on line aos estímulos de atenção e recriando-os. Ele é o centro de geração e ampliação da atenção e dos estímulos. Não mais uma antena, mas um roteador. Não mais um elemento em linha, mas um processador em paralelo. O cidadão é único e fundamental, mas varia na intensidade de sua participação e não pode ser discriminado, é um comunitário. Não podemos menosprezar a quantidade de informação (e, eventualmente, qualidade) que blogs, wikis e outras ferramentas de publicação, que serão desenvolvidas, aportam e aportarão cada vez mais ao processo. São milhões de repórteres com celulares e câmaras, num processo em rede que mal se iniciou e que vai amadurecer.

As tradicionais empresas de informação poderiam ocupar espaços importantes neste processo. A conectividade, enquanto pensamos com o modelo velho na cabeça, implica gradação: ilhas (jornais), arquipélagos (meios de
maior alcance, rádio, tv), o planeta ligado (conectividade ilimitada,
dispersão instantânea da informação, potencialização de nichos e
comunidades isoladas).O que gera necessidade de centros referenciais da busca pela informação, que é global e irrestrita. O Google, neste sentido, é um exemplo que poderia ser referência para os jornais.

Ninguém mais pode controlar as possibilidades de criação, de comerciar, de distribuir, de achar e de interagir dos cidadãos. A barreira de entrada para a mídia foi demolida. A transmissão de informação deixou de ser monodirecional para se transformar num ‘pool’ aberto. Isso muda tudo: as inter-relações, a equação econômica, a estrutura de poder.

Neste mundo novo, o controle está mudando para as mãos do cidadão. O futuro da mídia está nas mãos do público. As tradicionais empresas jornalísticas, os políticos, o governo e o marketing das corporações distanciaram-se da sua dimensão humana ao se colocarem em pedestais frente ao público. Não admitem erro. Por isso resistem em entrar em processos de conversação e têm enorme dificuldade para perceberem que a notícia não acaba quando é impressa e difundida.

Não percebem que o verdadeiro ciclo da história começa aí, quando o público levanta questões, acrescenta fatos e corrige erros, levando a uma nova perspectiva mais próxima da verdade.

O objetivo primordial da mídia talvez seja o seu mais tradicional e valoroso, que vem a ser a defesa da civilização, da democracia e da ética, mas agora na velocidade deste novo tempo. Por isso é primordial que se busque estabilizar este grande e impulsivo criar de comunidades por meio de uma plataforma de valores humanos geradora de confiança entre as pessoas.

É esta a lição que se começou a receber e se poderia aprender, na construção da história da Agência Estado. Os 10 anos de atuação na rede com um portal de informação aceleraram e aprofundaram o processo de aprendizagem. E com certeza ainda há muito mais que aprender do que usufruir.

Rodrigo Lara Mesquita

Informação: dos jornais a um mundo sem fronteiras


Jornalista da família Mesquita fala sobre a função histórica dos jornais impressos, inclusive o do O Estado de S. Paulo, e das mudanças que a era da internet trouxe. Ele aborda como é possível fazer jornalismo nos novos tempos
 –  entrevista transcrita do página 22 da GV

 

Página 22 – Rodrigo,  você acredita na existência de uma crise dos meios jornalísticos provocada pelo descompasso entre a novíssima sociedade do conhecimento, revolucionada pelo digital, e as antigas estruturas da informação ?

Rodrigo – O apogeu da indústria de jornais acontece na década de 1940. A partir daí, este setor da indústria de comunicação social começa a envelhecer. Assim como as plataformas digitais atuais, os jornais também eram plataformas de articulação das comunidades em que estavam inseridos.  Alexis de Tocqueville ( filósofo político francês, 1805-1859) aborda, na Democracia da América o papel dos jornais que estavam se estruturando no século 19 nos Estados Unidos. Para Tocqueville, os jornais contribuíam para  os cidadãos se sentirem parte de uma comunidade local, que por sua vez fazia parte de uma comunidade maior,  que era a nação americana nascendo. O jornal teve durante dezenas de anos o papel de plataforma de articulação das comunidades locais. Veja o caso do meu bisavô, Júlio Mesquita (jornalista, 1862-1927)…

Página 22 –  Júlio Mesquita foi o fundador do jornal “O Estado de S Paulo”?

Rodrigo – Não, meu bisavô foi um “self-made man” e não foi o fundador do Estadão.  O jornal  A Província de S Paulo foi fundado por um grupo de republicanos em 1875 com o objetivo promover a República e a abolição da escravatura.  Ele foi levado como colaborador para este jornal por Rangel Pestana (jornalista e político, 1839-1903) no final do século 19.  Para os republicanos, o jornal não era um negócio. Era uma ferramenta para se atingir seus objetivos. Depois de a República ter sido proclamada e a escravatura abolida, este grupo de republicanos perdeu o interesse no jornal. Ele não tinha mais nenhum valor para eles.

Meu bisavô, com a ajuda do pai imigrante português, começou a comprar as ações do jornal até adquirir 100%.  Neste processo, partiu para o rompimento dos laços do jornal com o Partido Republicano que o subsidiava. Desde a proclamação da República, o  nome do jornal tinha sido alterado  para O Estado de S Paulo. Concomitantemente ao  rompimento, promoveu uma profunda reforma editorial no jornal e fez uma série de inovações empresariais. Ninguém podia assinar textos no jornal, nem ele, “porque não é nosso, é do  público”. Com isso ele indicava que considerava o jornalismo uma atividade coletiva e colaborativa e começava a definir a missão do jornal.

Era um homem além do seu tempo, como fica claro nesta antevisão do que seria colaboração em rede.

Página 22 –  E qual era esta missão?

Rodrigo –  A missão do O Estado de S Paulo era levantar os problemas que preocupavam a comunidade de São Paulo e promover o debate destes problemas pela comunidade. Ele tinha uma frase que considero lapidar, verdadeira até hoje para as empresas jornalísticas e que mostra que suas ideias (de rede) continuam contemporâneas:  Jamais sonhei que tinha o direito ou o dever de formar a opinião pública de meu estado. Tudo o que eu fiz na minha vida foi sondar a opinião pública e me deixar  levar tranquilo e  sossegado pela corrente que me parecia mais acertada.

Um exemplo disso foi a greve operária de 1917, liderada pelos operários anarquistas. O governo criou um comitê de arbitragem, que não chegava a uma solução. Aí chamaram o jornal para arbitrar o comitê de arbitragem. E O Estado de S Paulo ficou do lado dos operários anarquistas porque as condições dos trabalhadores eram desumanas. Nesta época, os jornais estavam tão inseridos  na vida das comunidades que podiam representar este papel: o de árbitro de uma crise da comunidade que serviam.

A partir do  final da década de 1940, o papel de articulação da sociedade do meio jornal começa a mudar. O jornal deixa de acompanhar proporcionalmente o crescimento da população, começa a enfrentar a concorrência de múltiplas plataformas de mídia, a explosão demográfica e o crescimento desmesurado das cidades, que fazem que o meio jornal comece a se distanciar do seu público.  A sociedade  vai ganhando um outro  grau de complexidade e vai se fragmentando de tal forma que começa ficar difícil para o meio jornal fazer a cobertura jornalística com a mesma amplitude e profundidade do início do século passado até meados da década de 40.

É bom lembrar que desde o final da década de 40 a comunidade científica acadêmica já estava estudando infraestruturas na direção da internet e prevendo a possibilidade de sistemas de comunicação distribuídos. Em 1968, o cientista  J.C. Licklider  já dizia que, em poucos anos, iríamos nos comunicar melhor através de uma máquina do que face a face.

Página 22 –  Mas se um afastamento de sua missão e novas formas de articulação já se formavam há tanto tempo, por que os jornais continuaram com o mesmo modelo?

Rodrigo – Os graves problemas que a indústria de jornais está enfrentando é resultado da sua acomodação. Esta crise não surgiu de repente. Os jornais tiveram o monopólio dos “classificados” das comunidades em que estavam inseridos durante cerca de meio século. Do início do século 20 aos anos 40, eram a Ágora política e comercial das cidades que serviam.  Todas as empresas que atingem uma posição monopolista emburrecem. Os administradores das empresas jornalísticas se dedicaram apenas a gerenciar fluxo de caixa, relevando as possibilidades de empreenderem como empresários do setor de comunicação social. A maioria deles não tinha e não tem a visão empresarial dos patriarcas.

E isso ocorre até hoje. Por  isso, o que está em risco hoje é o jornal de papel. O papel do jornal, ser um instrumento de articulação para a sociedade, é um espaço que continua aberto para ser ocupado. A nova infraestrutura de comunicação abre espaço para o que chamamos de “jornalismo cidadão” e novos  players sem legados. No futuro, todo cidadão que tiver um compromisso com o processo institucional de alguma forma vai estar ligado ao que chamamos de jornalismo.  O  jornalista profissional será necessário para realizar a filtragem daquilo que tem consistência do que é besteira, bobagem.

Não existem dois mundos hoje. Um analógico, outro digital. O rejuvenescimento e revigoramento da economia analógica depende da evolução da economia digital, que é consequência da evolução da economia da era industrial e do gênio humano. Uma das principais áreas de cobertura jornalística hoje é a própria internet, na medida em que as fontes primárias estão presentes na rede e que o público, a cidadania, está lá num processo de conversação sem fim debatendo seus problemas, ansiedades, sonhos e perspectivas.

Hoje, todas as pessoas e todas as empresas são parte também do setor de informação. Até muito pouco tempo atrás, as empresas tradicionais de informação tinham o domínio da audiência.  E  qualquer pessoa que, por motivo político, econômico, institucional, comercial, quisesse se relacionar com o público, precisava fazer lobby sobre as estruturas jornalísticas e jornalistas para que a sua informação, a sua mensagem, chegasse ao público. Ou comprava espaço publicitário. Hoje isso não é mais necessário.  No futuro, a publicidade e o marketing serão substituídos por um processo de conversação contínuo das empresas, das pessoas, das entidades com o público na Web, na rede. Dentro de muito pouco tempo, não haverá mais barreiras entre conteúdo e mídia. Isso  estará inserido nos processos de cada profissional e de todas as empresas, nas redes sociais que elas paulatinamente estão construindo.

Página 22 – E as empresas de informação tem dificuldade em aceitar esta nova realidade?

Rodrigo – O  problema dos jornais e jornalistas é que se consideravam (e em alguns casos ainda se consideram) superiores aos mortais comuns e por isso, no início da internet como Web, eles não mergulharam nas peculiaridades da rede. E a principal peculiaridade da rede é que, por meio do algoritmo, ela permite a criação de comunidades sobre comunidades a partir do nada.

Historicamente, os jornais eram plataformas de articulação das comunidades em que estavam inseridos. E contribuíram para a articulação dessas comunidades em torno de ideias e ideais, problemas, questões de consumo, da conversação política. Enfim, o papel do jornal era contribuir para articulação da sociedade para que ela fizesse valer seus interesses frente ao poder público e frente aos poderosos da sociedade. Se os jornais tivessem mergulhado na Web, rede, e procurado entendê-la desde o início, com certeza teriam encontrado caminhos para continuar cumprindo sua missão neste novo ambiente da informação, comunicação, articulação, este ambiente de conversação da sociedade.

Esse papel continua aberto para ser realizado e existem formas de monetizar isso oferecendo novas formas de serviços para pessoas, para empresas e para setores da economia que vão inexoravelmente entrar neste processo de digitalização da economia.  As empresas têm que organizar suas redes sociais nas mídias sociais. Elas têm que monitorar sua marca, entender como o público enxerga a empresa, o seu setor por meio da rede. Têm que estabelecer canais de conversação com seu público potencial, seus fornecedores e distribuidores.

O monitoramento se faz através de softwares, os processos de big data. A empresa tem que identificar quem é simpático a ela, saber quais são os problemas que ela enfrenta em relação à distribuição, ao preço, entender como sua marca é  vista, cumprir também com seu papel social.

O problema é que as empresas, ainda naturalmente com um pé na velha economia, têm medo do  que  estão vendo pela frente e não sabem como fazer isso. As agências de publicidade tradicionais também não sabem fazer isso, transferem processos analógicos para o mundo digital, fazendo no máximo buzz, quase um barulho inócuo. Existem, é claro, as exceções, empresas modernas que já estão fazendo isso e que deveriam ser vistas como exemplo.

Se existe participantes de um setor da velha economia que têm cultura para fazer isso são as empresas jornalísticas, desde que tenham humildade para olhar para o papel histórico delas, que é sua capacidade para articular públicos. A notícia, a informação comercial é um meio, não um fim.

Página 22 –  Isto está acontecendo?

Rodrigo – Não na dimensão que poderia ocorrer, mas há movimentos  nesta direção. O Nieman Journalism Lab, fundação voltada para o jornalismo da Harvard University, tem alguns trabalhos  nesta direção. Mas os Estados Unidos é prático demais. Para eles é a indústria do News Print. Pra mim, a notícia não tem sentido por si só, distribuída no etéreo. As empresas não fizeram dinheiro pela sua capacidade de distribuir informação. Numa perspectiva histórica, legitimaram-se, fizeram e ainda fazem dinheiro por causa da  sua capacidade de articular públicos. É o conceito do meu amigo Walter Bender, que é uma  das minhas premissas sagradas:  Notícias não mudam o mundo. Elas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir. Elas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação.

É também por isso que os processos de informação, comunicação e articulação na rede, na Web, impactaram e impactam as tradicionais estruturas das empresas jornalísticas e seus modelos de negócios. Invés de procurar um caminho neste novo mundo e mexer na sua estrutura e processos, as empresas jornalísticas estão mandando embora os jornalistas mais experientes e mais caros e contratando mão de obra inexperiente e barata.

A rede permite e fomenta novas formas de relacionamento de capital e trabalho e é sobre isso que todas as empresas (não  só as jornalísticas) deveriam estar refletindo.  As jornalísticas deveriam pegar diversos grupos de jornalistas experientes e criar condições para que estes pequenos grupos formassem suas ilhas jornalísticas, criassem pequenas empresas voltadas para fornecer notícias sobre um nicho, cobrir um nicho. Subsidiá-los por  um período curto. As velhas empresas jornalísticas criariam um canal de  relacionamento com eles e juntos desenvolveriam formas de monetização não exclusivas, mas parcerias. Um processo de satelização, consequência na nova infraestrutura da economia: a internet, a web, a rede.

Se você ficar em uma estratégia de cortar custos em função de queda da publicidade que está sendo registrada e que vai continuar sendo registrada, é a morte. Eu acho também que esses sistemas de “paywall” (acesso a conteúdo da internet apenas através de pagamento de uma tarifa) é uma barreira para a missão dos jornais, que vai além do informar. A informação que o jornal distribui tem sentido na medida que é um fator da articulação da sociedade e se você coloca limites se cria uma barreira também para sua atuação.

Faz sentido você ter sistemas de micropagamentos para informação superespecializada e setorizada, para pacotes específicos, mas não para o geral. Empresas que usam “paywall” como Wall Street Journal, Financial Times e New York Times estão fazendo pouco dinheiro e são brands globais na língua dominante. Sou mais pela abertura de novos caminhos trilhados pelo The Guardian, Forbes e outros. A Web é aberta e não adianta lutar contra isso. O núcleo principal da sua atividade não pode ser fechado, o modelo  de negócio tem que ser aberto.

Página 22 – Mas de onde virá a receita destas empresas?

Rodrigo – O processo de digitalização da economia  é irreversível. As empresas têm que procurar caminhos de monetização em função de serviços de articulação na rede e no processo de digitalização das empresas. Hoje você tem softwares que podem monitorar as informações que estão sendo publicadas nas diversas mídias/ferramentas sociais que estão dentro da internet, como Google+, Facebook, Twitter, Linkedin, Pinterest, Path, Youtube, Tumblr, Orkut etc.  Você pode acompanhar as discussões de assuntos específicos ou de determinada indústria ou governo ou entidade, praticamente em tempo real, em cada uma dessas mídias e nas mídias tradicionais que  atuam na rede.  Por outro lado, estes softwares mostram apenas estatísticas que precisam ser analisadas em função do seu objetivo. E este papel de análise pode ser feito por jornalistas com a contribuição de outros profissionais.

A rede hoje em certa medida é uma balbúrdia. Você tem uma porcentagem muito grande do público, com certeza mais do que 50%, que não consegue fazer distinção entre informação estruturada, relevante, primária ou uma  análise fundamentada e com valor   da “informação” dos espertalhões que estão fazendo marketing no mau sentido, retrabalhando informações de terceiros sem acrescentar  nada, fazendo  barulho para pegar vítimas.  As tradicionais empresas jornalísticas, com a força de suas marcas e sua relação centenária com a cidadania, deveriam estar oferecendo este serviço também. De monitoramento, de curadoria da rede, de agregação temática e de público.  Com isso, se colocariam como um dos vetores do processo de debate e articulação da sociedade na rede.

Enquanto a velha indústria fica parada, veja o Google… Com menos de 15 anos de idade, fatura mais com publicidade que todos os grupos jornalísticos norte-americanos juntos.

Página 22 – E os jornalistas? Qual o futuro para estes profissionais?

Rodrigo –  Antes, o profissional de informação se preparava para fazer carreira em uma empresa que o ajudava a expô-lo para o público, ajudava a promovê-lo como jornalista. Agora, ele terá que encontrar seu próprio caminho. A Universidade de Stanford, Columbia e outras nos Estados Unidos estão discutindo como fomentar o empreendedorismo entre os estudantes da área jornalística.

Os novos jornalistas terão que criar sua própria estrutura de trabalho ou manter relações mais abertas com as empresas tradicionais que sobreviverem. As oportunidades são muitas, este campo nunca esteve tão aberto. É um momento de profunda e acelerada mudança. Os profissionais que já percorreram meio caminho de suas vidas na estrutura antiga sentem uma justificada insegurança. Tecnologia é tudo aquilo que inventaram depois  que você nasceu. Não está no seu córtex, você não sabe pensar naturalmente com aquilo, não  é ainda uma extensão  da sua inteligência, das suas possibilidades.

Para quem está começando agora, as oportunidades são infinitas. O futuro do jornalista está no empreendedorismo. E o futuro das tradicionais empresas jornalísticas está no processo de digitalização das empresas de todos os setores, que  abre um novo campo de receitas que pode ser tão importante quanto os classificados, o velho marketplace,  foi para o jornal de papel. Em outra dimensão, é importante frisar. A Ágora agora é  pública. Cada um de nós está no centro do processo na Web, na rede.

Página 22 – Ao criar um um sistema de informações econômico-financeiras em tempo real, o Broadcast, sucesso instantâneo no início dos anos 1990, você previa esta migração do jornal de papel para o eletrônico?

R – Minha visão, ainda no início dos anos 90, era que a empresa jornalística que ia dar certo nesta nova fase seria aquela que tivesse coragem de se “perder na rede”.  Quando criei, na Agência Estado, o serviço de informação em tempo real (pregões das bolsas, notícias e análises) Broadcast, a ideia era construir um bom negócio e a plataforma de aprendizado da S.A. O Estado de S Paulo para o mundo das telecomunicações, da computação e do software, para o mundo da economia digital, que batia nas nossas portas.

Em 1992, éramos líderes deste mercado, posição que a Agência Estado ainda ocupa mesmo com a competição de gigantes como Reuters e Bloomberg. Naquela época, desenvolvemos um serviço taylorizado para o mercado brasileiro em relação às bolsas e mercados usados pela maior parte dos agentes do setor financeiro e injetamos no  serviço uma competentíssima cobertura jornalística técnica do  mercado financeiro e de informações locais de cunho geral que impactavam os  mercados. Isso com um preço adequado. A Broadcast era o fuscão envenenado; o rolls royce era a Reuters. Hoje, o rolls royce é a Bloomberg, mas a Broad continua liderando o mercado.

Mas tanto a Broadcast quanto os  outros serviços que  criamos na Agência Estado estavam estruturados sobre o velho modelo de monetização a partir da sua capacidade de distribuir informação.  Quando propus para o Conselho do Grupo Estado o projeto Broadcast, entre os argumentos estava o de que os classificados iriam migrar para o resultado  da convergência entre telecomunicações, computação e software. O MIT – Media Lab,  foi um dos primeiros centros  de think tank do novo cenário que estava se desenhando e eu estava lá, desde o  início da década de 90.  Em 1997, escrevi um artigo que já previa o desenvolvimento do cenário que estamos vendo hoje.

Em termos empresariais, meu objetivo era vender o sistema Broadcast a partir do momento em que a internet estivesse mais estruturada e a banda larga mais disseminada no Brasil (isso ocorreu em meados dos anos 2000). E colocar o foco no varejo da economia brasileira, se voltar para setores como micro e pequenas empresas, agronegócio, tecnologia, educação. A informação jornalística seria uma cunha para entrarmos com  serviços de articulação de setores e mercados no processo de digitalização da economia. A receita viria de processos de gestão  de relacionamento e serviços,  não da venda de informação.

Era esse o plano porque estava claro para mim que o mercado financeiro é um mercado das empresas que estão nas capitais financeiras do mundo e por isso nasceram globais. Nova York (Bloomberg) e Londres (Reuters). Em termos locais, o mercado brasileiro, é um mercado pequeno. A capacidade de investimento das empresas globais  neste mercado é muito maior do que o nosso. Enquanto o mercado de articulação e digitalização do varejo da nossa economia tem um potencial muito maior e tem muito mais  a  ver com o papel histórico dos jornais: servir como plataforma de articulação  da sociedade. A notícia, a informação editorial e a comercial, é um meio, não o  fim. Sempre foi assim.

Página 22 –  Entendo que você levou adiante seu projeto de criar processos de articulação na rede.

 Rodrigo – Sim, desde 2002, quando profissionalizamos a gestão da “S.A. O Estado de S Paulo” e eu saí, desenvolvo projetos de gestão de relacionamento na Web, rede, para empresas, setores e entidades. Começamos em Biriguicom uma rede de colaboração, conhecimento e negócios para a capital do calçado infantil. Perdi  dinheiro, mas aprendi muito.

Depois disso, desenvolvemos dezenas de projetos.  Entre eles, a plataforma Peabirus, o TEIAmgmaior projeto de processos crowdsourcing do Brasil,  a Rede CIMPequenas Empresas & Grandes Negócios da Globo, Museu em RedeO Milagre de Santa LuziaRaio Brasil, a República Popular do Corínthians entre outros. Um longo caminho de aprendizado, da minha  adolescência e meu sonho  de ser o repórter dos confins às novas fronteiras do desenvolvimento da sociedade humana, a Web, a rede.

Breve, estaremos lançando novos projetos. Agora, com o objetivo de criar uma empresa de informação aberta na Web, na rede,  da qual não seremos  donos nem teremos  o controle, mas teremos o domínio e a gestão.

Página 22 – Confins, acompanho-o por meio deste blog e outros canais que você mantém na rede. Que objetivos você tem com eles?

Sou jornalista, com uma forte e acentuada tendência para o empreendedorismo. Acho que esta característica por causa das circunstâncias do tempo que vivi e vivemos e por  respeito, admiração e amor pelo meu bisavô, meu avô e acima de tudo pelo meu pai, o  jornalista Ruy Mesquita. Na S.A. O  Estado de S  Paulo fiz tudo o que pude para contribuir para a perpetuação da empresa, para abrir um novo caminho no novo  sertão, que é a fronteira da Web, da rede. Dei à empresa muito mais  do que recebi nos meus  quase 30 anos de dedicação exclusiva a ela.

O blog Confins é a minha landing page. Minha formação teórica é em História. Para desenvolver os meus projetos, tive que me debruçar sobre a cobertura jornalística da evolução do ecossistema de informação, comunicação e articulação da sociedade e procurar dominar as mídias/ferramentas que vão surgindo na Web, na rede. Daí, o jornal dos confins, o meu canal no rebel mouse, no google+, no linkedin, no  facebook, no youtube, no peabirus, no  twitter, no pinterest, no scoop.it, no scribd, no slideshare, no delicious, no instagran  e outros. Eles estão mais ou menos interligados e em todos é o mesmo foco de conversação: a evolução do ecossistema da informação… Além desta função, há a do aprendizado para usar estas ferramentas na construção  das nossas redes sociais de interesse específico.

Não trabalho sozinho, tenho sócios, somos um time. Eles são mais moços do que eu. Têm mais agilidade e conhecimento para o desenvolvimento dos ambientes de curadoria, agregação, articulação e governança que desenvolvemos, a partir de processos estruturados de monitoramento da rede. O new new new jornalismo. Eu trouxe esta visão que desenvolvi graças a ter “nascido dentro das redações” da “S A O Estado de S Paulo”, de ter sido primeiro sponsor de programas do MIT – Media  Lab e depois pesquisador afiliado, durante quase 15 anos, deste que foi naquele tempo a Escola de Sagres dos novos tempos. Além disso, puxo a articulação no mundo físico (analógico)  e digital.

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Sobre os impactos deste processo na sociedade como um todo ver o post A infraestrutura do futuro.

Nele, utilizando entrevistas em vídeo de Alvin Toffler, Yochai Benkler e Marshall McLuhan,  procuro tecer o quadro do  momento da transição de uma era para outra  que estamos vivendo.

Alvin TofflerAs nações estão perdendo seu poder relativo… a propagação não só de computadores, como também de outros sistemas de comunicação e redes de todo o gênero, com isso  vemos atividades ocorrerem à margem do sistema ou mesmo à margem, em muitos casos, do controle das nações.

Yochai BenklerA principal mudança que a internet criou é a radical descentralização dos meios básicos de produção  de informações e conhecimento e cultura… pela primeira vez desde a revolução industrial estes recursos estão nas nas mãos da maioria da população.

Marshall MacLuhanTodas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física. A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. As roupas são uma extensão da pele. Circuitos elétricos (a internet, a web, a rede) são uma extensão do sistema nervoso central.  A extensão de qualquer um dos sentidos desloca (ou distorce) todos os outros sentidos. Altera o modo como pensamos, o modo como vemos o mundo, e a nós mesmos. Cada vez que uma mudança dessas ocorre, as pessoas mudam.

 

FB, twitter, google+, instagram, tumblr, youtube, nem o diabo são donos da minha rede social.

O jornal não é nosso, é do público
O jornal não é nosso. É do público.

 

As redes sociais ainda não têm maturidade para serem tão orgânicas  quanto poderão vir a ser. A ética deste novo mundo ainda está sendo gestada no âmago de todos nós. E a expansão da sociedade analógica para sua extensão digital é muito recente.

Abstraindo isso, os fundamentos institucionais, convivemos com o imponderável do antrópico algoritmo das plataformas sociais (FB, twitter, youtube, tumblr, flipboard, google+ etc etc etc), regidas pelos objetivos comerciais de cada uma das empresas que as mantêm.

Como se fosse preciso intrincar um pouco mais o cenário, a maioria dos usuários e mesmo analistas dos fenômenos de articulação do público e da opinião pública por meio da internet confundem ferramentas (FB, twitter, youtube, tumblr, flipboard, google+ etc etc etc) com processos.

Rede social é processo, não as ferramentas que são usadas na estruturação dos processos digitais de conversação e compartilhamento de informação. Verdadeira ou falsa. Os fluxos de informação das redes sociais que participo em função da base das minhas amizades, dos meus interesses, dos meus sonhos, eticamente sustentados.

As redes sociais são tão orgânicas quanto a maturidade digital de quem as utiliza
As redes sociais são tão orgânicas quanto a maturidade digital de quem as utiliza

 

As redes sociais nasceram quando o homem se tornou um animal gregário e foram se sofisticando conforme a sociedade humana foi evoluindo e se tornando mais complexa. A internet, a rede, exponenciou esta complexidade ao permitir que todos nós estruturássemos nossas redes sociais, a base de relacionamento de cada um de nós (indivíduos, partidos políticos, entidades, setores da economia etc) digitalmente.

Quando e se a imprensa tradicional entender isso e por isso se inserir de forma coerente nos fluxos de informação das redes sociais e criticar com conhecimento de causa a responsabilidade das empresas que mantêm plataformas pelo pandemônio que ajudam a formar nos processos de comunicação contemporânea , graças aos seus algoritmos manipuladores regidos exclusivamente por seus objetivos comerciais, poderá haver um renascimento do Quarto Poder.

Yochai Benkler, Robert Faris, Hal Roberts e Ethan Zuckerman, cientistas da comunicação apontam isso em recente estudo que foi objeto desta matéria https://www.cjr.org/…/breitbart-media-trump-harvard-study.p… da Columbia Journalism Review . Abaixo, a conclusão do estudo resumido no artigo do centro mantido Columbia University.

“Reconstruir a base sobre a qual os americanos podem formar uma crença compartilhada sobre o que está acontecendo é uma pré-condição da democracia. Esta é a tarefa mais importante da imprensa daqui para frente.

Nossos dados sugerem fortemente que a maioria dos americanos, incluindo aqueles que acessam notícias através de redes sociais, continuam a prestar atenção à mídia tradicional, seguindo as práticas jornalísticas profissionais e cruzando referências com o que lêem em sites partidários com o que lêem em sites de mídia de massa.

Para conseguir isso, a mídia tradicional precisa se reorientar, e não pelo desenvolvimento de conteúdos virais para competir no ambiente de mídia social, mas por reconhecer que ele está operando em um ambiente de propaganda e rico em desinformação.

É este, não os adolescentes da Macedônia ou ou o Facebook, o verdadeiro desafio dos próximos anos. Vencendo este desafio poderá conquistar uma nova era de ouro para o Quarto Poder”.

Uma década muito turbulenta pela frente

At the World Future Society WorldFuture 2014 event, Lee Rainie discussed an extensiveroster of expert predictions about the internet in the coming decade. He discussed what happens to people’s behavior when the internet is everywhere, how new social and cultural divides will emerge, how deeply education will be disrupted, and how a different mix of companies will influence the Internet.

Este trabalho foi publicado originalmente PewResearchCenter com este título The internet’s turbulent next decade e a abertura que está acima. A apresentação abaixo é uma tradução e montagem minha. Abaixo dela, artigo meu publicado no Estado na véspera das eleições presidenciais cobrando dos nossos políticos e elites atenção para este processo. Estamos avançando no século 21 olhando para trás. E mais uma vez pagaremos um preço alto por esta omissão.

 

Eleição e Civilização

Publicado no Estado de S.Paulo
em setembro de 2014, a propósito
das eleições presidenciais no Brasil

A computação, o software e as telecomunicações, cuja síntese é a Internet, tiraram o domínio do público das tradicionais empresas de informação e colocaram o indivíduo no centro do processo de comunicação. Situação que está subvertendo a arquitetura de todos os processos sociais, econômicos e políticos, neste início do século 21. Trazendo definitivamente para o dia a dia da sociedade um grau de insegurança sobre o futuro que nenhuma das gerações anteriores à nossa sofreu.

O teórico da comunicação Harold Innis, mentor de Marshall McLuhan, considerava que os impérios começavam a morrer quando sua “linguagem” se desestruturava em função de um movimento de inovação tecnológica, normalmente precedida de uma crise de suprimento da matéria prima dos meios de comunicação da época, da argila ao papiro e o papel.

Linguagem aqui no sentido de toda a sua estrutura, arquitetura e consequente dinâmica de comunicação. Dos impérios que precederam Grécia e Roma à nossa época da comunicação de massa, a partir da produção industrial do papel imprensa até chegar à Internet, que será o eixo principal da nova “linguagem do novo império” – a sociedade em rede – e está promovendo a nova ruptura.

Até 2025, estaremos vivendo num “ambiente computacional imersivo, invisível, ambiental e conectado, construído a partir da contínua proliferação de sensores inteligentes, câmeras, softwares, databases e imensos centros de dados em um tecido de informação que envolverá o planeta, chamado Internet das Coisas,” conforme avaliou um recente trabalho do PewResearch Internet Project, respeitado centro de pesquisa e think tank dos EUA, com pouco mais do que 2.500 cientistas pesquisadores, autores, editores, jornalistas, empreendedores, líderes de negócios, desenvolvedores de tecnologia, ativistas, futuristas, consultores, legisladores e advogados. Parte da elite norte-americana.

Neste contexto “imersivo” conviveremos com “aplicações de realidade aumentada sobre o mundo real, que serão percebidas através do uso de tecnologias portáteis/vestíveis/implantáveis.” E assistiremos “a ruptura dos modelos de negócios estabelecidos no século 20 (com maior impacto sobre as indústrias financeira, de entretenimento e a de educação).” A etiquetagem, catalogação e mapeamento analítico inteligente dos mundos físico e social serão uma realidade, que poderá ser usada tanto para o bem quanto para o mal.

O Brasil está preparado para este cenário? Nossos governantes, políticos, empresários, cientistas, profissionais liberais, trabalhadores têm consciência deste processo irreversível?

Não conquistamos sequer os fundamentos da sociedade do século 20, que se vai. Educação, saneamento básico, segurança, infraestrutura e um arcabouço político minimamente preocupado com a sociedade e seu futuro são as reivindicações da sociedade que ainda não conquistou uma cidadania plena. Na campanha eleitoral, as bandeiras são estas questões e as promessas de governar com seriedade. Nada em relação a este futuro e seus processos de disrupção e reconstrução contínua. Esta eleição ainda não promoverá um movimento civilizatório.

A turbulenta próxima década da Internet é o título da pesquisa do PewInternet. E o universo pesquisado, os 2.500 cidadãos da nata da elite norte-americana, não é pessimista sobre o futuro. Têm consciência de que serão tempos difíceis, com “a Internet sendo ‘como a eletricidade’ — menos visível, mas mais profundamente inserida na vida das pessoas”, tanto em termos positivos como negativos. Um cenário que levará a melhorias na saúde, conveniência, produtividade, segurança e muito mais informações úteis ao mesmo tempo em que gerará mais ameaças à privacidade, expectativas irrealistas e alta complexidade tecnológica.

No trabalho da PewInternet são traçados horizontes pessimistas e otimistas sobre o nosso futuro. Vão do crescimento do abismo entre pobres e ricos à possibilidade de governos e corporações, pressionados pelas mudanças, tentarem reforçar seu poder, invocando segurança e normas culturais, no contexto pessimista, e, no otimista, passam por uma revolução na educação em função da rede criando mais oportunidades para todos, reforçando relacionamentos planetários e menos ignorância e vão à maior conscientização do nosso mundo e de nós mesmos gerando ações políticas pacíficas e o compartilhamento de informações integrado sem qualquer esforço à vida diária das pessoas.

Cabe às nossas elites se conscientizarem sobre este processo e liderar um movimento civilizatório que permita ao Brasil superar seu atraso secular em relação às questões como cidadania e avançar sobre este novo tempo investindo o que for necessário em infraestrutura tecnológica e educação. A Internet não é apenas um monte infinito de informações. Ela tem vida. Tem alma. Quando você entra nela e aprende a ouvi-la, com a devida atenção e cuidado, você aprende com ela, que reflete os anseios da sociedade. Não existem dois mundos: um analógico, outro digital. Um é a extensão do outro.

Parafraseando o historiador Fernand Braudel, “vivemos no tempo curto, o tempo da nossa própria vida, o tempo dos jornais, da rádio, dos acontecimentos, em companhia dos homens importantes que dirigem o jogo ou julgam dirigi-lo. É exatamente o tempo, no dia a dia, da nossa vida que se precipita, que se acelera, como que para se queimar rapidamente de uma vez por todas, à medida que envelhecemos. Na verdade é apenas a superfície do tempo presente, as vagas ou as tempestades do mar. Abaixo das vagas há as marés. Abaixo dessas estende-se a massa fantástica da água profunda.”

É este o sentido civilizatório que nossas elites devem promover. A alternativa é o risco de caos, com momentos de anomia e conflito social.

Rodrigo Lara Mesquita é jornalista e diretor da NetNexus

@rmesquita

rmesquita@netnexus.com.br

State of the News Media 2014 – Seis grandes tendências

1) Trinta das maiores organizações jornalísticas totalmente digitais reúnem cerca de 3.000 profissionais e uma das áreas de investimento é a cobertura global. A Vice Media tem 35 sucursais ao redor do mundo; o Huffington Post pretende passar de 11 para 15 edições internacionais este ano; O BuzzFeed contratou um editor de internacional para supervisionar a expansão em locais como Mumbai, Cidade do México, Berlim e Tóquio. A revista financeira online Quartz, que completou dois anos, tem repórteres em Londres, Bangcoc e Hong Kong, e sua equipe editorial fala 19 línguas diferentes. Isso ocorre em um momento de cortes de investimentos na cobertura internacional por parte da mídia tradicional. O tempo de transmissão nos telejornais sobre eventos internacionais em 2013 foi menos da metade do que era nos anos 1980. Com as marcas digitais de mídia aumentando suas equipes, os EUA podem ver o primeiro crescimento na cobertura internacional em décadas.

 

2) Até o momento, o impacto de novos fluxos de capital na indústria se concentra mais na criação de novos métodos de cobertura e envolvimento do público, e menos na criação de uma nova estrutura sustentável de faturamento. A indústria jornalística dos EUA gera pouco mais de US$ 60 bilhões anuais, de acordo com estimativas do estudo. A publicidade, no momento, representa cerca de dois terços do total, e a maior parte desse valor advém de modelos tradicionais. O faturamento com a audiência representa um quarto do total, e está crescendo tanto em valor financeiro como em share. Mas esse faturamento também emerge de um grupo de contribuidores que é menor e de baixo crescimento. Novas fontes incluem promoção de eventos e consultorias, que representam cerca de 7%, enquanto investimentos de fontes como “venture capital” e filantropia atingem apenas 1% do total. Uma parte da equação que merece ser explorada são os tipos de economias realizadas pelas startups de notícias, que surgem livres de infraestruturas herdadas, mas assumem custos novos como o desenvolvimento e manutenção de tecnologias.

 

3) Redes sociais e aparelhos móveis estão fazendo mais do que atrair consumidores para o processo — estão mudando a dinâmica do processo em si. Novos dados da pesquisa mostram que metade (50%) dos usuários das redes sociais compartilha ou repostam notícias, artigos, imagens e vídeos, enquanto quase a metade (46%) discute temas e eventos jornalísticos nas redes sociais. Com o crescimento na adoção de aparelhos móveis, os cidadãos estão agindo como importantes testemunhas de fatos jornalísticos como o atentado em Boston ou a crise na Ucrânia. Cerca de 1 a cada 10 usuários de redes sociais postaram vídeos de conteúdo jornalístico que eles mesmos produziram, segundo a pesquisa. E 11% de todos os consumidores de notícias online enviaram seus próprios conteúdos (incluindo vídeos, fotos, artigos ou textos opinativos) para sites de notícias e blogs. Mas também são muito relevantes as transformações em como as notícias funcionam nesses espaços. Em muitos sites sociais e em vários sites de notícias puramente digitais, as notícias são combinadas com todos os outros tipos de conteúdos — as pessoas “esbarram” nas notícias enquanto fazem outras coisas online. Esse “esbarrar” significa que existem oportunidades para as notícias atingirem pessoas que talvez não prestassem atenção a elas, mas essa função ficaria menos dependente das empresas jornalísticas. Apenas um terço das pessoas que veem notícias no Facebook acompanha uma empresa jornalística ou profissional específico. E poucos visitantes do Facebook, segundo outro estudo do Pew sobre tráfego de sites de notícias, vão depois visitar o site de notícias diretamente. Para os produtores jornalísticos, isso quer dizer que uma estratégia digital única não será o suficiente — tanto em termos de conquistar a audiência como criar uma base viável de faturamento.

 

4) Novos meios de narrativa (“storytelling”) oferecem oportunidades e desafios. Uma área em expansão em 2013 foi o vídeo de notícias online. O faturamento publicitário ligado aos vídeos online de forma geral (nenhuma empresa oferece dados específicos sobre os vídeos de notícias) cresceu 44% de 2012 a 2013, e deve continuar em crescimento. Atualmente, porém, a escala ainda é pequena, representando apenas 10% do faturamento publicitário digital nos EUA. O YouTube representa sozinho 20% desse faturamento, e o Facebook também entrou no mercado publicitário de vídeos online e deve atingir rapidamente uma fatia significativa desse setor. Em termos de alcance de audiência, um terço dos adultos nos EUA assistem vídeos de notícias online, mas o crescimento desacelerou consideravelmente. Depois de um pico de 27% entre 2007 e 2009, os quatro anos seguintes registraram crescimento de apenas 9%. Grandes distribuidores como YouTube e Facebook já abocanham uma parcela considerável desse público. Mesmo assim, alguns fornecedores menores estão realizando investimentos dignos de nota. O Huffington Post comemorou o primeiro aniversário do HuffPost Live, o Texas Tribune promoveu uma campanha via Kickstarter para gerar fundos para a cobertura em vídeo da sucessão ao governo do Texas, e a Vice lançou um portal multimídia para notícias em vídeo.

 

5) A televisão local, que atinge cerca de 9 em cada 10 adultos nos EUA, passou por grandes mudanças em 2013 — a maioria delas mal foi detectada pelo radar geral. Quase 300 canais de TV mudaram de mãos em 2013, por um valor total acima de US$ 8 bilhões. O número de estações vendidas foi 205% maior que em 2012 e o valor foi 367% maior, com grandes proprietários se tornando ainda maiores. Se todos os negócios forem aprovados, a Sinclair Broadcasting será dominante com 167 canais em 77 mercados dos EUA, atingindo quase 40% da população do país. David Smith, CEO da Sinclair, disse em um encontro da UBS em dezembro passado que a empresa quer crescer ainda mais — Smith gostaria que a Sinclair atingisse 80 ou 90% do território. Um dos grandes motivadores desses negócios é o aumento nos “fees” que as emissoras locais estão cobrando das operadoras de cabo pela retransmissão da programação. Os grupos Meredith (que possui 13 emissoras) e Scripps (que tem 19) disseram que seu faturamento com retransmissão quase triplicou nos últimos 3 anos. Em termos de programação, um resultado claro é que mais estações no mesmo mercado estão operando em conjunto e compartilhando mais conteúdo. No começo de 2014, os acordos de serviço comum já estavam presentes em metade dos 210 mercados locais dos EUA, comparado com apenas 55 em 2011. E um número menor de canais está produzindo seus próprios telejornais. O impacto final sobre o espectador é difícil de avaliar, mas os benefícios econômicos para as empresas são indiscutíveis.

 

6) Mudanças dramáticas na composição populacional dos EUA vão causar forte impacto sobre o jornalismo nos EUA, e os hispânicos são um grupo populacional que exemplifica essa transformação. A população hispânica nos EUA cresceu 50% de 2000 a 2012 –atinge hoje 53 milhões de pessoas. A maior parte desse crescimento se deve a nascimentos dentro dos próprios Estados Unidos do que novos imigrantes, revertendo a tendência de décadas anteriores. Como consequência, um percentual crescente dos hispânicos é nativo dos EUA, e fala inglês fluentemente. Diante dessa tendência, grandes grupos como ABC, NBC, Fox e Huffington Post lançaram áreas voltadas para os consumidores hispânicos. Desde 2010, seis empresas jornalísticas hispânicas foram criadas, todas controladas ou com parceria com um grande grupo de mídia geral do país. Algumas delas não tiveram sucesso — NBC Latino e CNN Latino são alguns dos fracassos mais destacados nesse setor. O site Fusion, uma parceria entre a ABC e a rede hispânica Univision, foi lançado inicialmente para a geração “millenial” hispânica, mas se expandiu para essa geração como um todo — atualmente, é o maior e mais diversificado grupo populacional nos EUA. Com os avanços dessas mudanças demográficas, também deve crescer o impacto sobre o ecossistema do jornalismo.

(Traduzido e editado pro Sergio Kulpas  a partir do site http://www.journalism.org/2014/03/26/state-of-the-news-media-2014-overview/)    

 

A era das plataformas se consolidará em 2014

Considerando que nos próximos 10 anos a tecnologia estará integrada nos ambientes e em cada um de nós – não será mais algo que você liga e desliga – e que isso mudará totalmente a experiência humana de viver, vejo os avanços das plataformas de atuação na rede como a principal tendência em 2014.

Monitoramento, curadoria e agregação, articulação e governança são os processos provocados na sociedade pela linguagem, pela informação. Da linguagem oral à eletrônica, que promete, se não o retorno, a valorização da cultura oral. Mídias sociais como Twitter, google+, facebook, linkedin, pinterest, tumblr, youtube, paper.li, rebelmouse, instagram, scoop.it, flipboard, meddle etc  são plataformas pontuais, ferramentas, mídias.

Num mundo que a cada dia ganha maiores índices de complexidade e fragmentação atuar de forma isolada com uma ou outra destas mídias é inócuo. Indivíduos, profissionais e empresas que atuam com propriedade e objetividade no novo ecossistema da informação vêm avançando na construção de suas plataformas com o conjunto de ferramentas que lhes parecem mais apropriadas para seus objetivos.

Rede social existe desde a idade da pedra. É a base de relacionamento de indivíduos, de entidades, de empresas, de setores da economia, de partidos políticos, de sindicatos, de qualquer organização humana. No mundo digital, na economia social, esta base de relacionamento tem que ser organizada na rede para lhe dar mais organicidade e objetividade. Consolida-se aí o conceito de plataforma (e viabilizam-se as redes sociais, as redes de interesse específico), que requer ainda processos de monitoramento e a inter-relação com landing pages apropriadas para fazer  andar o processo de comunicação e articulação frente a um ou uma gama de objetivos. Além, é claro, de uma boa integração com as mídias tradicionais, pois há e haverá por um bom tempo uma forte interdependência entre os dois  mundos, que são um só.

A tendência  tecnológica é reforçada pela demanda da sociedade. A tecnologia, suas ferramentas e processos vão contribuir para dar vazão às necessidades de uma sociedade muito mais complexa e fragmenta da que foi regida pelas tecnologias da era industrial. Esta percepção já é latente na sociedade contemporânea  atônita com o contexto e surpreendida pelos novos processos da informação, comunicação e articulação num mundo em profunda transformação.  Neste cenário, o do avanço das plataformas de atuação, estão contidos também o cloud, a mobilidade e o analytics.

Jornalismo na idade da rede

Artigo  de Mathew Ingram no site GigaOM

publicado originalmente no observatório da imprensa

Num discurso recente, Katharine Viner, subeditora do [diário britânico] The Guardian, descreveu como acredita que as redes sociais e a prática do “jornalismo aberto” alteram fundamentalmente a relação que os jornalistas têm com sua audiência. Na era digital e social, uma das coisas difíceis sobre fazer jornalismo, ou qualquer outro tipo de mídia, é parecer tão simples – em outras palavras, parece muito com o que costumava ser feito: você escreve coisas e as publica, só que em vez de imprimi-las, você as posta na internet. E, se você se estiver se sentindo ambicioso, talvez inclua uns links. Simples, não?

Só que olhar a coisa dessa maneira ignora as formas fundamentais pelas quais a prática do jornalismo foi completamente alterada pela internet, como destaca Katharine em seu excelente discurso [em 9/10, vídeo abaixo]. Em sua apresentação, Katharine – que também é editora-chefe da nova edição australiana do Guardian – falou sobre uma entrevista que teve com um candidato a emprego. Quando ela perguntou a esse profissional de jornalismo impresso como ele se adaptaria ao papel digital, ele disse: “Há anos que eu uso computadores.” Como ela diz, este tipo de resposta sugere que a internet é apenas uma mudança tecnológica, como um novo tipo de editor de texto. “Na realidade, o digital representa uma enorme mudança conceitual, uma mudança sociológica, uma bomba de fragmentação explodindo quem somos, como é organizado o nosso mundo, como nos vemos, como vivemos. Nós estamos bem no meio dessa mudança e, às vezes, tão perto que fica difícil enxergarmos. Mas é muito profundo e vem acontecendo a uma velocidade quase inacreditável.”

Mudança fundamental

Katharine Viner continua, falando sobre as oportunidades que se apresentam aos jornalistas quando eles abordam seu ofício de uma maneira mais aberta e como a resistência de “muitos jornalistas a essa mudança prejudica seus próprios interesses, assim como os interesses do bom jornalismo”. Caso você goste de teoria da mídia, ela também fala sobre a crença de algumas pessoas de que a predominância do jornalismo impresso – e não apenas os meios de comunicação de massa, como os jornais, mas toda a revolução de Gutenberg – foi um período temporário e agora voltamos a processar a informação de uma maneira mais verbal e conectada.

Essa ideia não é muito popular em alguns círculos, mas como alguns observadores como Tom Standage, do Economist, destacaram, quando você avalia a maneira pela qual ferramentas sociais, como o Twitter, o Facebook e os blogs, mudaram o panorama da mídia, parece bastante com o jeito que o mundo costumava funcionar antes do surgimento dos jornais – quando os cafés e as redes sociais do mundo real eram a principal maneira pela qual a informação era transmitida e checada de um lugar para outro. Há pessoas que alegam que a era dos meios de comunicação de massa foi uma anomalia histórica.

Mas o fundamental no discurso de Katharine é seu argumento sobre como tudo isso modifica (ou pelo menos deveria modificar) a natureza da relação de um jornalista com o que Jay Rosen e Dan Gillmor chamaram de “as pessoas que antigamente eram conhecidas como audiência”. “O jornalismo digital não trata de colocar uma matéria na internet. Trata de uma redefinição fundamental da relação do jornalista com sua audiência, de como pensamos sobre nossos leitores, da percepção que temos de nosso papel na sociedade, de nosso status. Deixamos de ser os jornalistas que tudo veem e tudo sabem, produzindo palavras a serem aceitas passivamente pelos leitores.”

Os benefícios do jornalismo aberto

Os benefícios de ser mais aberto às pessoas que costumavam ser a audiência, segundo Katharine, vão além das coisas meramente sentimentais, como estar mais conectado com os leitores ou fazer com que eles retuítem ou distribuam o seu conteúdo (função que, aparentemente, muitos veículos e jornalistas julgam ser a da rede social).

Essa abertura pode melhorar o seu jornalismo de várias maneiras:

** Muitas vezes, o leitor sabe mais do que você

A subeditora do Guardian dá como exemplo uma matéria sobre prospecção em águas profundas e como um Google Doc aberto permitiu que especialistas de vários campos contribuíssem com seu conhecimento sobre esse tema, uma abordagem que o jornal britânico faz melhor do que praticamente todo mundo.

**Com a abertura, vem a responsabilidade

Ao invés de tentar esconder os erros, o que muitos veículos tradicionais fazem, Katharine fala sobre uma matéria em que o jornal cometeu um erro e depois, além de corrigi-lo, publicou uma mensagem num blog discutindo-o. Os leitores disseram que isso realmente aumentou sua confiança no jornal.

**Ser aberto pode produzir furos

Pedir aos leitores que o ajudem torna mais provável que eles tragam informações que mudam uma matéria de maneira dramática, diz Katharine – como foi o caso da matéria que o Guardian fez em 2009 sobre a morte de um vendedor de jornais durante os protestos em Londres por ocasião da reunião do G20.

**Os paywalls são antiéticos para a rede aberta

Uma coisa que provavelmente não será uma surpresa é a opinião da subeditora do Guardian sobre paywalls, uma vez que o jornal britânico é um dos que mais resistem quando se trata de cobrar dos leitores pelas notícias. Alguns críticos de mídia destacados, como David Carr, do New York Times, argumentaram que o jornal deveria desistir e juntar-se à brigada pró-paywall, mas Katharine coloca a questão dos paywalls no contexto do “jornalismo aberto”, do qual seu editor-chefe, Alan Rusbridger, fez a pedra angular da abordagem do jornal à internet: “Um paywall é uma resposta típica da ‘mentalidade de jornal’ – antes, os leitores pagavam pelo conteúdo; vamos fazê-los pagarem outra vez. Mas, do ponto de vista jornalístico, os paywalls são completamente antiéticos em relação à rede aberta. Um website com paywall não passa de um jornal impresso com outro formato, tornando muito mais difícil a colaboração com as pessoas que antes eram chamadas de audiência. Você não tem como usufruir dos benefícios da rede aberta se está escondido.”

Katharine prossegue, falando dos benefícios dos links, mesmo em relação aos concorrentes – algo que muitos veículos jornalísticos ainda não dominam –, assim como os desafios de transportar uma observação sobre uma matéria para a seção de comentários de um jornal, e como são poucos os jornalistas que o fazem bem. Foi um discurso fantástico e se você se preocupa com mídia, eu o incentivaria a lê-lo inteiro.

O Brasil profundo e sua marca estão emergindo graças à rede

Qual é a sua impressão de uma marca chamada Brasil?

depoimento para http://100degreesofbrazil.wordpress.com/

(English version below)

O Brasil profundo e sua marca estão emergindo graças à rede

Em relação ao mundo contemporâneo, vejo uma encruzilhada quando penso o Brasil. Somos a 8ª economia do mundo, houve um significativo processo de ascensão social desde que o governo Fernando Henrique Cardoso acabou com perverso processo inflacionário, com o qual convivemos dezenas de anos, e deu fundamentos para a economia. Lula e sua sucessora Dilma se beneficiaram disso e ampliaram as políticas sociais, mas menosprezaram a obrigação de continuar as reformas necessárias para conquistarmos um crescimento orgânico. E todos os brasileiros estão pagando por isso, como ficou claro nas manifestações e protestos por todo o país neste mês de julho.

Existe algum paradigma, alguma visão para a Humanidade?

alvin toffler

Entendo que vivemos uma crise global. O Estado nacional, os partidos políticos, as instituições que regulamentam as relações globais ficaram velhos para os desafios que tempos pela frente. A globalização, predicava Nicholas Negroponte anos atrás, privilegia antes de tudo o ‘glocal’. E argumentava: ‘Hoje, é óbvia a tendência de a internet modificar o papel que as pessoas exercem, mesclando a separação entre vendedor e consumidor, entre editor e leitor. Todas as coisas digitais são grandes e pequenas ao mesmo tempo – um paradoxo, não uma contradição. Redes descentralizadas irão substituir hierarquias, e os controles centrais serão substituídos por sistemas auto-organizáveis que se parecerão muito mais com a relação entre o homem e a natureza do que com relações institucionais.’

A cultura, e consequente organização social, política e econômica dominante na sociedade contemporânea, ainda é aquela que começou a nascer no século 16, quando um conjunto de inovações tecnológicas num contexto histórico favorável contribuiu para o início do enterro do Antigo Regime, no qual a Terra estava no centro do universo, a ordem social era imutável e a Igreja, junto com o poder absolutista, tinha o monopólio da informação.

A prensa de Gutenberg estava entre as inovações tecnológicas que contribuíram para a ascensão do mundo burguês. E os seus principais produtos – o livro e o jornal – foram entendidos durante muitos anos pela ordem dominante como ferramentas subversivas. Esta subversão gestou e gerou o mundo em que vivemos. Um mundo onde a iniquidade social ainda incomoda e assusta, mas no qual todas as barreiras para a geração de riqueza e de conhecimento foram derrubadas, num processo que também gerou a onda de inovação que estamos vivendo e a possibilidade de darmos o próximo salto.

Pela primeira vez na história desde a revolução industrial, como nota Yochai Benkler, os meios básicos de criação de informação, conhecimento e cultura estão nas mãos da maioria da população do planeta. Nos últimos anos ocorreu uma radical descentralização destes meios. Com isso, tivemos uma radical descentralização dos processos de inovação, tivemos grande descentralização da criatividade, tivemos uma radical descentralização da participação democrática. Você não precisa mais ser dono de um jornal ou rádio nem fazer parte dos afortunados para participar da política, como aponta Yochai Benkler.

Os tremendos e revolucionários impactos da internet na sociedade

yochai  benkler

É este contexto que me faz ser otimista em relação a um futuro que não vou ver. E especialmente otimista em relação ao Brasil. Somos um país continental, sofremos colonização de todas as partes do mundo e soubemos nos abrir a este processo miscigenando raças e culturas de uma forma razoavelmente harmônica. Vivemos nas grandes cidades, que estão no olho do furacão, tensos com o início desta revolução promovida pela internet, a web, a rede. Tensos com a imaturidade do processo e o conflito entre o novo e o velho, entre a economia industrial e a nova economia, que por enquanto destrói empregos no chão de fábrica e agora em setores que usam a inteligência: jornalismo, medicina, advocacia, educação etc.

Mas se o processo não for abortado ou atrasado pelas empresas de telecomunicações, que tem o monopólio do acesso à nova infraestrutura da sociedade, vamos criar com certeza um novo mundo, com novos fundamentos e referências sobre a relação capital trabalho, novos fundamentos e referências sobre os processos políticos, novos fundamentos e referências sobre os processos de produção de informação, conhecimento, cultura, bens de consumo e riqueza.

O Brasil não é um continente envelhecido olhando o seu passado, não é os países asiáticos disciplinados pela miséria e não é os países do Norte da América estressados por dezenas de anos liderando a revolução industrial e seu processo de inovação, que fomentou e construiu a infraestrutura do futuro: a internet, a web, a rede. São nas pequenas cidades do interior do Brasil, nos confins das muitas regiões de florestas nativas e nos nossos sertões que estão as raízes dos brasileiros. Quando todos forem inseridos na sociedade do conhecimento e participarem do processo, ofereceremos ao mundo um novo mundo, transformando e revigorando a marca Brasil e a forma como nos vêm lá fora, num mundo no qual o nacionalismo tenderá a desaparecer.

O Brasil dos confins, das periferias, das pequenas cidades

ditão virgílio, o saci e as chuvas.

São pessoas simples que trabalham o seu dia a dia sem as infinitas perspectivas dos centros do mundo. Eles, os habitantes das periferias, das pequenas cidades, das comunidades da amazônia, os caiçaras, os índios, a maioria dos brasileiros agregarão outros valores e seus humores aos processos institucionais da nossa sociedade. Será um mundo mais aberto, fluido e oxigenado. E a marca Brasil refletirá o seu povo, com o seu colorido, com o seu folclore, com a sua música, com a sua diversificada cultura, as suas praias paradisíacas, as suas florestas misteriosas. Com cordialidade, disposição de conviver com o controverso, sua esperança e frustrações: a marca Brasil dos Confins.

What is your impression about a brand called Brazil?

testimony to http://100degreesofbrazil.wordpress.com/

 

The deep Brazil and its brand are emerging thanks to the network

In relation to the contemporary world, I see a crossroads when I think of Brazil. We are the eighth economy in the world, there has been a significant social ascension process since Fernando Henrique Cardoso’s government ended with the perverse inflationary process, which we lived with for dozens of years, and gave grounds for the economy. Lula and his successor, Dilma, were benefited with that and expanded the social policies, but despised the obligation to continue the necessary reforms to achieve organic growth. And all Brazilians are paying for it, as it became clear during the demonstrations and protests throughout the country this July.

Is there any paradigm, any vision for humanity?

alvin toffler

I understand we live a global crisis. The national State, the political parties, the institutions that govern the global relations got old to the challenges that we will face ahead. The globalization, Nicholas Negroponte used to say years ago, emphasizes above all the “glocal” (global + local). And he argued: “Today, the trend is obvious from the Internet to change the role that people exercise, combining the separation between seller and consumer, between publisher and reader. All digital things are large and small at the same time – a paradox, not a contradiction. Decentralized networks will replace hierarchies and central controls will be replaced by self-organizing systems that will seem much more with the relationship between man and nature than with institutional relations.

The culture, and the consequent social, political, and economic organization dominant in the contemporary society, is still the one that started at the 16th century, when a set of technological innovations in a favorable historical context contributed to the beginning of the burial of the old Regime, in which the Earth was at the center of the universe, the social order was immutable and the Church, along with the absolutist power, had the monopoly of information.

The Gutenberg’s press was among the technological innovations that have contributed to the rise of the bourgeois world. And its main products – the book and the newspaper – have been understood for many years by the dominant order as subversive tools. This subversion nurtured and created the world in which we live. A world where social inequity still bothers and scares, but in which all barriers to the generation of wealth and knowledge were torn down, in a process which also generated a wave of innovation that we are living and the possibility to take the next leap.

For the first time in history since the industrial revolution, as Yochai Benkler notes, the basic means of creating information, knowledge and culture are in the hands of the majority of the world population. In recent years there has been a radical decentralization of these means. With that, we had a radical decentralization of innovation processes, a great decentralization of creativity, a radical decentralization of democratic participation. You no longer need to own a newspaper or a radio or be part of the “fortunate ones” to participate in politics, as Yochai Benkler says.

The tremendous and revolutionary impacts of the Internet on society

yochai  benkler

It is this context that makes me optimistic about a future that I will not see. And I’m especially optimistic about Brazil. We are a continental country, we suffered colonization from all parts of the world and we knew how to open ourselves to this process mixing races and cultures in a reasonably harmonious manner. We live in big cities, which are in the eye of the hurricane, tense with the beginning of this revolution promoted by the internet, the web, the network.  We are tense with the immaturity of the process and the conflict between the new and the old, between the industrial economy and the new economy, which so far destroys jobs on the factory floor and now in sectors that use intelligence: journalism, medicine, law, education, etc.

But if the process is not terminated or delayed by telecommunication companies, that has a monopoly on access to the new infrastructure of society, we will certainly create a new world, with new foundations and references on the capital-work relation, new foundations and references on political processes, new foundations and references on production processes of information, knowledge, culture, consumer goods and wealth.

Brazil is not an aged continent looking at its past, it is not the Asian countries disciplined by misery and it is not the countries from North America stressed for dozens of years leading the industrial revolution and its innovation process, which fostered and built the infrastructure of the future: the internet, the web, the network. It is in the small cities in the interior of Brazil, in the wilds of the many regions of native forests and in our hinterlands that are the roots of the Brazilians. When all is inserted in the knowledge society and participating in the process, we will offer the world a new world, transforming and reinvigorating the “brand Brazil” and how they see us out there (abroad), in a world in which nationalism will tend to disappear.

Brazil of the confines, the peripheries, the small towns

ditão virgílio, o saci e as chuvas.

They are simple people who work their day to day without the infinite perspectives of the centers of the world. They, the inhabitants of the suburbs, small towns, the communities of the Amazon, the native population, the Indians, most Brazilians will add other values and their moods to the institutional processes of our society. It will be a more open, fluid and oxygenated world. And the “brand Brazil” will reflect its people, with its colorful, with its folklore, with its music, with its diverse culture, its heavenly beaches, its mysterious forests. With friendliness, with willingness to live with the controversial, its hopes and frustrations: the “brand Brazil” of the Confines.

rodrigo mesquita

A entrevista do Paulo Bernardo no Estadão, um exercício de desinformação

Não dá para considerar como  entrevista (http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,brasil-exigira-respeito-a-privacidade-na-rede,1053264,0.htm): os entrevistadores dão o microfone para o entrevistado, nosso ministro das comunicações, fazer o seu jogo. Entrevista ocorre quando há perguntas fundamentadas e contrapontos e contestações quando é necessário.

Vamos à entrevista ou, melhor, exercício de desinformação: Paulo Bernardo fala que vai exigir explicações do governo norte-americano sobre a espionagem em massa que foi feita no Brasil. Até aí, tudo bem. É a obrigação do seu ministério.

Em seguida, ele argumenta que o órgão que regulamenta a internet globalmente, sem citar o nome, Icann (http://en.wikipedia.org/wiki/ICANN), é ligado ao departamento de comércio dos EUA, procurando levar o leitor desavisado acreditar que se trata de uma uma extensão do governo norte-americano e que defende exclusivamente seus interesses.

Não diz que é uma instituição do mundo científico global, com brasileiros no board, e responsável até agora pela liberdade e neutralidade da rede, que desde o início vem sendo ameaçada pelas empresas de telecomunicações de todo o mudo, que têm um poder desmesurado  por terem o monopólio do acesso à internet e que lutam com todas as suas forças, maior que a maioria dos governos do planeta, para acabarem com a neutralidade da internet para poderem lucrar ainda mais com a rede. E os entrevistadores do #Estadão? Deixam o ministro com o microfone e não fazem nenhuma das perguntas obrigatórias sobre esta questão.

Além, de não fazerem as perguntas obrigatórias, aceitam a argumentação do ministro de que a reunião da União Internacional das Telecomunicações, UIT, um braço das empresas de Telecomunicações, sem nenhum compromisso com a liberdade de neutralidade da rede, em Dubai, abriu a discussão sobre uma forma de tirar o poder dos EUA sobre a internet.

China, Irã e a Líbia do facínora Kadafi, junto com o Brasil do PT, foram alguns dos governos de países que se aliaram às empresas de Telecomunicações. Evidentemente, não porque estão comprometidos com o a liberdade e a neutralidades da internet e o processo de inovação que ela desencadeou. Porque querem controlar a internet e ter o domínio da informação contra os interesses dos cidadãos das nações que deveriam representar e servir.

Mas o jogo de desinformação do ministro, com a cumplicidade da ignorância e falta de profissionalismo dos pseudos jornalistas do #Estadao não para aí. Paulo Bernardo fala da instituição brasileira responsável pela gestão da internet aqui, o Comitê Gestor da Internet, que tem uma “minoria de representantes do governo”, como se isso fosse um erro, um defeito. E não um mérito, algo extremamente positivo e necessário para o futuro da liberdade e da neutralidade da rede. A cidadania está representada, as teles estão representadas, os agentes da economia estão representados e o governo de forma minoritária, como deve ser. Desta forma, o órgão não está nas mãos do governo, seja lá quem for que detenha o poder.

Pra terminar, os pseudos jornalistas do #Estadao, não fazem nenhuma pergunta sobre o Marco Civil da Internet, que está para ser votado pelo nosso medíocre Congresso e que em função dos interesses do Paulo Bernardo (contribuir para a  eleição de sua mulher como governadora do Paraná), da falta de compromisso com o interesse público dos nossos deputados e senadores e do poderoso lobby das empresas de Telecomunicações corre o risco de sofrer adendos que podem transformar num frankenstein uma lei considerada exemplar em todo o mundo e que já passou por todos os processos de debate público. Deveria ser aprovada como está e ponto final.

É isso aí: o #Estadao graças à falta de profissionalismo e ignorância dos seus jornalistas fazendo o jogo do Brasil da parte mais sórdida do PT em função de um jogo de poder global que sempre existiu e deve ser combatido. Mas com inteligência, seriedade e profissionalismo. É triste e dolorido ver isso num jornal com a história do #Estadão.

Jornais: alguma luz no fim do túnel

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The Pew Center’s latest report on the state of the media shows the financial woes affecting the traditional news business continue, and this is having an effect on consumers — but there are a few bright spots as well.

Rodrigo Mesquita‘s insight:

state of the media: as boas notícias: + demanda por notícias, sucesso em assinaturas, acesso direto às fontes, emergência de novas fomas de se anunciar

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Os norte-americanos estão mais distantes das notícias

See on Scoop.itJournalism and the WEB

Rodrigo Mesquita‘s insight:

state fo the media 2013: a queda da amplitude e qualidade de cobertura jornalistica das tradicionais empresas de informação, que não foi complementada pela ação dos puros players, vem afastando os norte-americanos das notícias.

que consequências este processo terá para a democracia e economia de mercado?

“Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação.”

“Organizações jornalísticas devem continuar a fornecer notícias para indivíduos e conhecimento enciclopédico sobre suas comunidades. Mas também devem reconhecer o papel dos consumidores como produtores. O futuro do setor é tanto de construção quanto de consumo. O impacto de “ser digital” é a emergência de uma nova relação entre editores e seu público: tornar as notícias mais relevantes ao construir conexões entre fornecedores de notícias e consumidores.”

Walter Bender

See on stateofthemedia.org