Informação: dos jornais a um mundo sem fronteiras


Jornalista da família Mesquita fala sobre a função histórica dos jornais impressos, inclusive o do O Estado de S. Paulo, e das mudanças que a era da internet trouxe. Ele aborda como é possível fazer jornalismo nos novos tempos
 –  entrevista de julho de 2013 transcrita do página 22 da GV

 

Página 22 – Rodrigo,  você acredita na existência de uma crise dos meios jornalísticos provocada pelo descompasso entre a novíssima sociedade do conhecimento, revolucionada pelo digital, e as antigas estruturas da informação ?

Rodrigo – O apogeu da indústria de jornais acontece na década de 1940. A partir daí, este setor da indústria de comunicação social começa a envelhecer. Assim como as plataformas digitais atuais, os jornais também eram plataformas de articulação das comunidades em que estavam inseridos.  Alexis de Tocqueville ( filósofo político francês, 1805-1859) aborda, na Democracia da América o papel dos jornais que estavam se estruturando no século 19 nos Estados Unidos. Para Tocqueville, os jornais contribuíam para  os cidadãos se sentirem parte de uma comunidade local, que por sua vez fazia parte de uma comunidade maior,  que era a nação americana nascendo. O jornal teve durante dezenas de anos o papel de plataforma de articulação das comunidades locais. Veja o caso do meu bisavô, Júlio Mesquita (jornalista, 1862-1927)…

Página 22 –  Júlio Mesquita foi o fundador do jornal “O Estado de S Paulo”?

Rodrigo – Não, meu bisavô foi um “self-made man” e não foi o fundador do Estadão.  O jornal  A Província de S Paulo foi fundado por um grupo de republicanos em 1875 com o objetivo promover a República e a abolição da escravatura.  Ele foi levado como colaborador para este jornal por Rangel Pestana (jornalista e político, 1839-1903) no final do século 19.  Para os republicanos, o jornal não era um negócio. Era uma ferramenta para se atingir seus objetivos. Depois de a República ter sido proclamada e a escravatura abolida, este grupo de republicanos perdeu o interesse no jornal. Ele não tinha mais nenhum valor para eles.

Meu bisavô, com a ajuda do pai imigrante português semi analfabeto e que escolheu o filho que iria estudar, começou a comprar as ações do jornal até adquirir 100%.  Neste processo, partiu para o rompimento dos laços do jornal com o Partido Republicano que o subsidiava. Desde a proclamação da República, o  nome do jornal tinha sido alterado  para O Estado de S Paulo. Concomitantemente ao  rompimento, promoveu uma profunda reforma editorial no jornal e fez uma série de inovações empresariais. Ninguém podia assinar textos no jornal, nem ele, “porque não é nosso, é do  público”. Com isso ele indicava que considerava o jornalismo uma atividade coletiva e colaborativa e começava a definir a missão do jornal.

Era um homem além do seu tempo, como fica claro nesta antevisão do que seria colaboração em rede.

Página 22 –  E qual era esta missão?

Rodrigo –  A missão do O Estado de S Paulo  (e de todos os jornais sérios e éticos) era levantar os problemas que preocupavam a comunidade de São Paulo e promover o debate destes problemas pela comunidade. Ele tinha uma frase que considero lapidar, verdadeira até hoje para as empresas jornalísticas e que mostra que suas ideias (de rede) continuam contemporâneas:  Jamais sonhei que tinha o direito ou o dever de formar a opinião pública de meu estado. Tudo o que eu fiz na minha vida foi sondar a opinião pública e me deixar  levar tranquilo e  sossegado pela corrente que me parecia mais acertada.

Um exemplo disso foi a greve operária de 1917, liderada pelos operários anarquistas. O governo criou um comitê de arbitragem, que não chegava a uma solução. Aí chamaram o jornal para arbitrar o comitê de arbitragem. E O Estado de S Paulo ficou do lado dos operários anarquistas porque as condições dos trabalhadores eram desumanas. Nesta época, os jornais estavam tão inseridos  na vida das comunidades que podiam representar este papel: o de árbitro de uma crise da comunidade que serviam.

A partir do  final da década de 1940, o papel de articulação da sociedade do meio jornal começa a mudar. O jornal deixa de acompanhar proporcionalmente o crescimento da população, começa a enfrentar a concorrência de múltiplas plataformas de mídia, a explosão demográfica e o crescimento desmesurado das cidades, que fazem que o meio jornal comece a se distanciar do seu público.  A sociedade  vai ganhando um outro  grau de complexidade e vai se fragmentando de tal forma que começa ficar difícil para o meio jornal fazer a cobertura jornalística com a mesma amplitude e profundidade do início do século passado até meados da década de 40.

É bom lembrar que desde o final da década de 40 a comunidade científica acadêmica já estava estudando infraestruturas na direção da internet e prevendo a possibilidade de sistemas de comunicação distribuídos. Em 1968, o cientista  J.C. Licklider  já dizia que, em poucos anos, iríamos nos comunicar melhor através de uma máquina do que face a face.

Página 22 –  Mas se um afastamento de sua missão e novas formas de articulação já se formavam há tanto tempo, por que os jornais continuaram com o mesmo modelo?

Rodrigo – Os graves problemas que a indústria de jornais está enfrentando é resultado da sua acomodação. Esta crise não surgiu de repente. Os jornais tiveram o monopólio dos “classificados” das comunidades em que estavam inseridos durante cerca de meio século. Do início do século 20 aos anos 40, eram a Ágora política e comercial das cidades que serviam.  Todas as empresas que atingem uma posição monopolista emburrecem. Os administradores das empresas jornalísticas se dedicaram apenas a gerenciar fluxo de caixa, relevando as possibilidades de empreenderem como empresários do setor de comunicação social. A maioria deles não tinha e não tem a visão empresarial dos patriarcas.

E isso ocorre até hoje. Por  isso, o que está em risco hoje é o jornal de papel. O papel do jornal, ser um instrumento de articulação para a sociedade, é um espaço que continua aberto para ser ocupado. A nova infraestrutura de comunicação abre espaço para o que chamamos de “jornalismo cidadão” e novos  players sem legados. No futuro, todo cidadão que tiver um compromisso com o processo institucional de alguma forma vai estar ligado ao que chamamos de jornalismo.  O  jornalista profissional será necessário para realizar a filtragem daquilo que tem consistência do que é besteira, bobagem.

Não existem dois mundos hoje. Um analógico, outro digital. O rejuvenescimento e revigoramento da economia analógica depende da evolução da economia digital, que é consequência da evolução da economia da era industrial e do gênio humano. Uma das principais áreas de cobertura jornalística hoje é a própria internet, na medida em que as fontes primárias estão presentes na rede e que o público, a cidadania, está lá num processo de conversação sem fim debatendo seus problemas, ansiedades, sonhos e perspectivas.

Hoje, todas as pessoas e todas as empresas são parte também do setor de informação. Até muito pouco tempo atrás, as empresas tradicionais de informação tinham o domínio da audiência.  E  qualquer pessoa que, por motivo político, econômico, institucional, comercial, quisesse se relacionar com o público, precisava fazer lobby sobre as estruturas jornalísticas e jornalistas para que a sua informação, a sua mensagem, chegasse ao público. Ou comprava espaço publicitário. Hoje isso não é mais necessário.  No futuro, a publicidade e o marketing serão substituídos por um processo de conversação contínuo das empresas, das pessoas, das entidades com o público na Web, na rede. Dentro de muito pouco tempo, não haverá mais barreiras entre conteúdo e mídia. Isso  estará inserido nos processos de cada profissional e de todas as empresas, nas redes sociais que elas paulatinamente estão construindo.

Página 22 – E as empresas de informação tem dificuldade em aceitar esta nova realidade?

Rodrigo – O  problema dos jornais e jornalistas é que se consideravam (e em alguns casos ainda se consideram) superiores aos mortais comuns e por isso, no início da internet como Web, eles não mergulharam nas peculiaridades da rede. E a principal peculiaridade da rede é que, por meio do algoritmo, ela permite a criação de comunidades sobre comunidades a partir do nada.

Historicamente, os jornais eram plataformas de articulação das comunidades em que estavam inseridos. E contribuíram para a articulação dessas comunidades em torno de ideias e ideais, problemas, questões de consumo, da conversação política. Enfim, o papel do jornal era contribuir para articulação da sociedade para que ela fizesse valer seus interesses frente ao poder público e frente aos poderosos da sociedade. Se os jornais tivessem mergulhado na Web, rede, e procurado entendê-la desde o início, com certeza teriam encontrado caminhos para continuar cumprindo sua missão neste novo ambiente da informação, comunicação, articulação, este ambiente de conversação da sociedade.

Esse papel continua aberto para ser realizado e existem formas de monetizar isso oferecendo novas formas de serviços para pessoas, para empresas e para setores da economia que vão inexoravelmente entrar neste processo de digitalização da economia.  As empresas têm que organizar suas redes sociais nas mídias sociais. Elas têm que monitorar sua marca, entender como o público enxerga a empresa, o seu setor por meio da rede. Têm que estabelecer canais de conversação com seu público potencial, seus fornecedores e distribuidores.

O monitoramento se faz através de softwares, os processos de big data. A empresa tem que identificar quem é simpático a ela, saber quais são os problemas que ela enfrenta em relação à distribuição, ao preço, entender como sua marca é  vista, cumprir também com seu papel social.

O problema é que as empresas, ainda naturalmente com um pé na velha economia, têm medo do  que  estão vendo pela frente e não sabem como fazer isso. As agências de publicidade tradicionais também não sabem fazer isso, transferem processos analógicos para o mundo digital, fazendo no máximo buzz, quase um barulho inócuo. Existem, é claro, as exceções, empresas modernas que já estão fazendo isso e que deveriam ser vistas como exemplo.

Se existe participantes de um setor da velha economia que têm cultura para fazer isso são as empresas jornalísticas, desde que tenham humildade para olhar para o papel histórico delas, que é sua capacidade para articular públicos. A notícia, a informação comercial é um meio, não um fim.

Página 22 –  Isto está acontecendo?

Rodrigo – Não na dimensão que poderia ocorrer, mas há movimentos  nesta direção. O Nieman Journalism Lab, fundação voltada para o jornalismo da Harvard University, tem alguns trabalhos  nesta direção. Mas os Estados Unidos é prático demais. Para eles é a indústria do News Print. Pra mim, a notícia não tem sentido por si só, distribuída no etéreo. As empresas não fizeram dinheiro pela sua capacidade de distribuir informação. Numa perspectiva histórica, legitimaram-se, fizeram e ainda fazem dinheiro por causa da  sua capacidade de articular públicos. É o conceito do meu amigo Walter Bender, que é uma  das minhas premissas sagradas:  Notícias não mudam o mundo. Elas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir. Elas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação.

É também por isso que os processos de informação, comunicação e articulação na rede, na Web, impactaram e impactam as tradicionais estruturas das empresas jornalísticas e seus modelos de negócios. Invés de procurar um caminho neste novo mundo e mexer na sua estrutura e processos, as empresas jornalísticas estão mandando embora os jornalistas mais experientes e mais caros e contratando mão de obra inexperiente e barata.

A rede permite e fomenta novas formas de relacionamento de capital e trabalho e é sobre isso que todas as empresas (não  só as jornalísticas) deveriam estar refletindo.  As jornalísticas deveriam pegar diversos grupos de jornalistas experientes e criar condições para que estes pequenos grupos formassem suas ilhas jornalísticas, criassem pequenas empresas voltadas para fornecer notícias sobre um nicho, cobrir um nicho. Subsidiá-los por  um período curto. As velhas empresas jornalísticas criariam um canal de  relacionamento com eles e juntos desenvolveriam formas de monetização não exclusivas, mas parcerias. Um processo de satelização, consequência na nova infraestrutura da economia: a internet, a web, a rede.

Se você ficar em uma estratégia de cortar custos em função de queda da publicidade que está sendo registrada e que vai continuar sendo registrada, é a morte. Eu acho também que esses sistemas de “paywall” (acesso a conteúdo da internet apenas através de pagamento de uma tarifa) é uma barreira para a missão dos jornais, que vai além do informar. A informação que o jornal distribui tem sentido na medida que é um fator da articulação da sociedade e se você coloca limites se cria uma barreira também para sua atuação.

Faz sentido você ter sistemas de micropagamentos para informação superespecializada e setorizada, para pacotes específicos, mas não para o geral. Empresas que usam “paywall” como Wall Street Journal, Financial Times e New York Times estão fazendo pouco dinheiro e são brands globais na língua dominante. Sou mais pela abertura de novos caminhos trilhados pelo The Guardian, Forbes e outros. A Web é aberta e não adianta lutar contra isso. O núcleo principal da sua atividade não pode ser fechado, o modelo  de negócio tem que ser aberto.

Página 22 – Mas de onde virá a receita destas empresas?

Rodrigo – O processo de digitalização da economia  é irreversível. As empresas têm que procurar caminhos de monetização em função de serviços de articulação na rede e no processo de digitalização das empresas. Hoje você tem softwares que podem monitorar as informações que estão sendo publicadas nas diversas mídias/ferramentas sociais que estão dentro da internet, como Google+, Facebook, Twitter, Linkedin, Pinterest, Path, Youtube, Tumblr, Orkut etc.  Você pode acompanhar as discussões de assuntos específicos ou de determinada indústria ou governo ou entidade, praticamente em tempo real, em cada uma dessas mídias e nas mídias tradicionais que  atuam na rede.  Por outro lado, estes softwares mostram apenas estatísticas que precisam ser analisadas em função do seu objetivo. E este papel de análise pode ser feito por jornalistas com a contribuição de outros profissionais.

A rede hoje em certa medida é uma balbúrdia. Você tem uma porcentagem muito grande do público, com certeza mais do que 50%, que não consegue fazer distinção entre informação estruturada, relevante, primária ou uma  análise fundamentada e com valor   da “informação” dos espertalhões que estão fazendo marketing no mau sentido, retrabalhando informações de terceiros sem acrescentar  nada, fazendo  barulho para pegar vítimas.  As tradicionais empresas jornalísticas, com a força de suas marcas e sua relação centenária com a cidadania, deveriam estar oferecendo este serviço também. De monitoramento, de curadoria da rede, de agregação temática e de público.  Com isso, se colocariam como um dos vetores do processo de debate e articulação da sociedade na rede.

Enquanto a velha indústria fica parada, veja o Google… Com menos de 15 anos de idade, fatura mais com publicidade que todos os grupos jornalísticos norte-americanos juntos.

Página 22 – E os jornalistas? Qual o futuro para estes profissionais?

Rodrigo –  Antes, o profissional de informação se preparava para fazer carreira em uma empresa que o ajudava a expô-lo para o público, ajudava a promovê-lo como jornalista. Agora, ele terá que encontrar seu próprio caminho. A Universidade de Stanford, Columbia e outras nos Estados Unidos estão discutindo como fomentar o empreendedorismo entre os estudantes da área jornalística.

Os novos jornalistas terão que criar sua própria estrutura de trabalho ou manter relações mais abertas com as empresas tradicionais que sobreviverem. As oportunidades são muitas, este campo nunca esteve tão aberto. É um momento de profunda e acelerada mudança. Os profissionais que já percorreram meio caminho de suas vidas na estrutura antiga sentem uma justificada insegurança. Tecnologia é tudo aquilo que inventaram depois  que você nasceu. Não está no seu córtex, você não sabe pensar naturalmente com aquilo, não  é ainda uma extensão  da sua inteligência, das suas possibilidades.

Para quem está começando agora, as oportunidades são infinitas. O futuro do jornalista está no empreendedorismo. E o futuro das tradicionais empresas jornalísticas está no processo de digitalização das empresas de todos os setores, que  abre um novo campo de receitas que pode ser tão importante quanto os classificados, o velho marketplace,  foi para o jornal de papel. Em outra dimensão, é importante frisar. A Ágora agora é  pública. Cada um de nós está no centro do processo na Web, na rede.

Página 22 – Ao criar um um sistema de informações econômico-financeiras em tempo real, o Broadcast, sucesso instantâneo no início dos anos 1990, você previa esta migração do jornal de papel para o eletrônico?

R – Minha visão, ainda no início dos anos 90, era que a empresa jornalística que ia dar certo nesta nova fase seria aquela que tivesse coragem de se “perder na rede”.  Quando criei, na Agência Estado, o serviço de informação em tempo real (pregões das bolsas, notícias e análises) Broadcast, a ideia era construir um bom negócio e a plataforma de aprendizado da S.A. O Estado de S Paulo para o mundo das telecomunicações, da computação e do software, para o mundo da economia digital, que batia nas nossas portas.

Em 1992, éramos líderes deste mercado, posição que a Agência Estado ainda ocupa mesmo com a competição de gigantes como Reuters e Bloomberg. Naquela época, desenvolvemos um serviço taylorizado para o mercado brasileiro em relação às bolsas e mercados usados pela maior parte dos agentes do setor financeiro e injetamos no  serviço uma competentíssima cobertura jornalística técnica do  mercado financeiro e de informações locais de cunho geral que impactavam os  mercados. Isso com um preço adequado. A Broadcast era o fuscão envenenado; o rolls royce era a Reuters. Hoje, o rolls royce é a Bloomberg, mas a Broad continua liderando o mercado.

Mas tanto a Broadcast quanto os  outros serviços que  criamos na Agência Estado estavam estruturados sobre o velho modelo de monetização a partir da sua capacidade de distribuir informação.  Quando propus para o Conselho do Grupo Estado o projeto Broadcast, entre os argumentos estava o de que os classificados iriam migrar para o resultado  da convergência entre telecomunicações, computação e software. O MIT – Media Lab,  foi um dos primeiros centros  de think tank do novo cenário que estava se desenhando e eu estava lá, desde o  início da década de 90.  Em 1997, escrevi um artigo que já previa o desenvolvimento do cenário que estamos vendo hoje.

Em termos empresariais, meu objetivo era vender o sistema Broadcast a partir do momento em que a internet estivesse mais estruturada e a banda larga mais disseminada no Brasil (isso ocorreu em meados dos anos 2000). E colocar o foco no varejo da economia brasileira, se voltar para setores como micro e pequenas empresas, agronegócio, tecnologia, educação. A informação jornalística seria uma cunha para entrarmos com  serviços de articulação de setores e mercados no processo de digitalização da economia. A receita viria de processos de gestão  de relacionamento e serviços,  não da venda de informação.

Era esse o plano porque estava claro para mim que o mercado financeiro é um mercado das empresas que estão nas capitais financeiras do mundo e por isso nasceram globais. Nova York (Bloomberg) e Londres (Reuters). Em termos locais, o mercado brasileiro, é um mercado pequeno. A capacidade de investimento das empresas globais  neste mercado é muito maior do que o nosso. Enquanto o mercado de articulação e digitalização do varejo da nossa economia tem um potencial muito maior e tem muito mais  a  ver com o papel histórico dos jornais: servir como plataforma de articulação  da sociedade. A notícia, a informação editorial e a comercial, é um meio, não o  fim. Sempre foi assim.

Página 22 –  Entendo que você levou adiante seu projeto de criar processos de articulação na rede.

 Rodrigo – Sim, desde 2002, quando profissionalizamos a gestão da “S.A. O Estado de S Paulo” e eu saí, desenvolvo projetos de gestão de relacionamento na Web, rede, para empresas, setores e entidades. Começamos em Biriguicom uma rede de colaboração, conhecimento e negócios para a capital do calçado infantil. Perdi  dinheiro, mas aprendi muito.

Depois disso, desenvolvemos dezenas de projetos.  Entre eles, a plataforma Peabirus, o TEIAmg, maior projeto de processos crowdsourcing do Brasil,  a Rede CIMPequenas Empresas & Grandes Negócios da Globo, Museu em Rede, O Milagre de Santa Luzia, Raio Brasil, a República Popular do Corínthians entre outros. Um longo caminho de aprendizado, da minha  adolescência e meu sonho  de ser o repórter dos confins às novas fronteiras do desenvolvimento da sociedade humana, a Web, a rede.

Breve, estaremos lançando novos projetos. Agora, com o objetivo de criar uma empresa de informação aberta na Web, na rede,  da qual não seremos  donos nem teremos  o controle, mas teremos o domínio e a gestão.

Página 22 – Confins, acompanho-o por meio deste blog e outros canais que você mantém na rede. Que objetivos você tem com eles?

Sou jornalista, com uma forte e acentuada tendência para o empreendedorismo. Acho que esta característica por causa das circunstâncias do tempo que vivi e vivemos e por  respeito, admiração e amor pelo meu bisavô, meu avô e acima de tudo pelo meu pai, o  jornalista Ruy Mesquita. Na S.A. O  Estado de S  Paulo fiz tudo o que pude para contribuir para a perpetuação da empresa, para abrir um novo caminho no novo  sertão, que é a fronteira da Web, da rede. Dei à empresa muito mais  do que recebi nos meus  quase 30 anos de dedicação exclusiva a ela.

O blog Confins é a minha landing page. Minha formação teórica é em História. Para desenvolver os meus projetos, tive que me debruçar sobre a cobertura jornalística da evolução do ecossistema de informação, comunicação e articulação da sociedade e procurar dominar as mídias/ferramentas que vão surgindo na Web, na rede. Daí, o jornal dos confins, o meu canal no rebel mouse, no google+, no linkedin, no  facebook, no youtube, no peabirus, no  twitter, no pinterest, no scoop.it, no scribd, no slideshare, no delicious, no instagran  e outros. Eles estão mais ou menos interligados e em todos é o mesmo foco de conversação: a evolução do ecossistema da informação… Além desta função, há a do aprendizado para usar estas ferramentas na construção  das nossas redes sociais de interesse específico.

Não trabalho sozinho, tenho sócios, somos um time. Eles são mais moços do que eu. Têm mais agilidade e conhecimento para o desenvolvimento dos ambientes de curadoria, agregação, articulação e governança que desenvolvemos, a partir de processos estruturados de monitoramento da rede. O new new new jornalismo. Eu trouxe esta visão que desenvolvi graças a ter “nascido dentro das redações” da “S A O Estado de S Paulo”, de ter sido primeiro sponsor de programas do MIT – Media  Lab e depois pesquisador afiliado, durante quase 15 anos, deste que foi naquele tempo a Escola de Sagres dos novos tempos. Além disso, puxo a articulação no mundo físico (analógico)  e digital.

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Sobre os impactos deste processo na sociedade como um todo ver o post A infraestrutura do futuro.

Nele, utilizando entrevistas em vídeo de Alvin Toffler, Yochai Benkler e Marshall McLuhan,  procuro tecer o quadro do  momento da transição de uma era para outra  que estamos vivendo.

Alvin TofflerAs nações estão perdendo seu poder relativo… a propagação não só de computadores, como também de outros sistemas de comunicação e redes de todo o gênero, com isso  vemos atividades ocorrerem à margem do sistema ou mesmo à margem, em muitos casos, do controle das nações.

Yochai BenklerA principal mudança que a internet criou é a radical descentralização dos meios básicos de produção  de informações e conhecimento e cultura… pela primeira vez desde a revolução industrial estes recursos estão nas nas mãos da maioria da população.

Marshall MacLuhanTodas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física. A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. As roupas são uma extensão da pele. Circuitos elétricos (a internet, a web, a rede) são uma extensão do sistema nervoso central.  A extensão de qualquer um dos sentidos desloca (ou distorce) todos os outros sentidos. Altera o modo como pensamos, o modo como vemos o mundo, e a nós mesmos. Cada vez que uma mudança dessas ocorre, as pessoas mudam.

 

Nó na Garganta

 mário marinho, um dos bons editores do JT, me enviou esta foto com ma provocação para contar sua história. contei. está na última página do jtsempre desta semana e aqui. nó na garganta

Me dá um puta nó na garganta olhar para esta foto do Rolando de Freitas, no porto da casa do seu Acyr, na foz do rio Real, no fundo da baía dos Pinheiros. Cortando madeira para o fogão de três pedras no chão deste velho e bom amigo caiçara que há pouco menos de um ano tinha sido surpreendido pelo grilo de 60 kms dos 90 kms do litoral do Paraná pela CAPELA, Companhia Agropastoril do Paraná.

Desde a minha adolescência costumava ir para esta região, que depois ficou conhecida como Lagamar de Iguape, Cananéia e Paranaguá, e me aboletar na casa de algum caiçara de uma das dezenas de vilas que até hoje resistem ao tempo. No início dos anos 80, fui estudar em Paris, onde fiquei um ano e meio. Quando voltei, assim que tive uma oportunidade fui para lá. E constatei o processo de grilagem: dezenas de vilas da ilha do Superagui, das Peças e do continente estavam cercadas pelo pessoal da CAPELA e por seus búfalos.

Estava voltando também para o Jornal da Tarde, onde aprendi o ofício do jornalismo e onde tive enorme prazer de trabalhar porque lá, nos meus primeiros anos de vida profissional, minha única responsabilidade era fazer jornalismo. O grilo caiu do céu para mim. Iria fazer deste o assunto da minha volta para o JT. Propus uma pauta e fui para lá com o Rolando para fazer um levantamento mais detalhado do grilo. Ficamos na casa do seu Acyr, eu dormindo na sua cama de esteira de palha, encima de uma armação de pau roliço. O Rolando na casa vizinha, do filho Maurício, recém casado com a Dina.

Rolando, que não sabia nadar, apavorado com as minhas saídas barra a fora para dar a volta completa nas ilhas com uma voadeira pouco apropriada para estas aventuras, costumava ficar na casa do seu Acyr nestas ocasiões mancomunando também piadas como a desta foto, que deveria ser uma provocação para mim que ele via como um ambientalista. Com certeza, o Rolando fez um material iconográfico sobre a vida do caiçara nesta viagem que repórter fotográfico nenhum do Brasil chegou aos pés. Um material espetacular e precioso.

Numa das matérias sobre o grilo, fiz o perfil do Acyr, que foi publicado como O Caiçara, um dos textos cuja construção me deu mais prazer. Desta matéria em 83 até o fim do grilo foram dois anos de trabalho do JT como um todo. Dirceu Pio, comandando Laurentino Gomes na sucursal de Curitiba, foi um dos pilares para conseguirmos tirar os grileiros da região. Eu, que nunca me pretendi ambientalista, acabei me articulando profundamente com esta comunidade em São Paulo e me envolvendo totalmente com a criação da Fundação SOS Mata Atlântica, junto com o Randau Marques. Acabei sendo seu primeiro presidente de fato. Foram 5 ou 6 anos. Parte deste tempo eu como editor chefe do JT.

O nó na garganta é porque do JT fui para a Agência Estado, na minha cabeça com a missão de trazer o JT, O Estado e toda a empresa para os novos tempos dos fluxos de informação fragmentados para uma sociedade cada vez mais fragmentada. Procurando trabalhar a edição nos ambientes fluidos da rede com a mesma técnica e força que aprendi no JT. Não deu tempo. A melhor e mais séria escola de jornalismo no final do século 20 no Brasil não deixou herdeiros. Acabou. Sendo bisneto, neto e filho de quem sou seria um filho da puta se não tivesse este sentimento. Mas continuo na luta procurando caminhos na rede.

State of the News Media 2014 – Seis grandes tendências

1) Trinta das maiores organizações jornalísticas totalmente digitais reúnem cerca de 3.000 profissionais e uma das áreas de investimento é a cobertura global. A Vice Media tem 35 sucursais ao redor do mundo; o Huffington Post pretende passar de 11 para 15 edições internacionais este ano; O BuzzFeed contratou um editor de internacional para supervisionar a expansão em locais como Mumbai, Cidade do México, Berlim e Tóquio. A revista financeira online Quartz, que completou dois anos, tem repórteres em Londres, Bangcoc e Hong Kong, e sua equipe editorial fala 19 línguas diferentes. Isso ocorre em um momento de cortes de investimentos na cobertura internacional por parte da mídia tradicional. O tempo de transmissão nos telejornais sobre eventos internacionais em 2013 foi menos da metade do que era nos anos 1980. Com as marcas digitais de mídia aumentando suas equipes, os EUA podem ver o primeiro crescimento na cobertura internacional em décadas.

 

2) Até o momento, o impacto de novos fluxos de capital na indústria se concentra mais na criação de novos métodos de cobertura e envolvimento do público, e menos na criação de uma nova estrutura sustentável de faturamento. A indústria jornalística dos EUA gera pouco mais de US$ 60 bilhões anuais, de acordo com estimativas do estudo. A publicidade, no momento, representa cerca de dois terços do total, e a maior parte desse valor advém de modelos tradicionais. O faturamento com a audiência representa um quarto do total, e está crescendo tanto em valor financeiro como em share. Mas esse faturamento também emerge de um grupo de contribuidores que é menor e de baixo crescimento. Novas fontes incluem promoção de eventos e consultorias, que representam cerca de 7%, enquanto investimentos de fontes como “venture capital” e filantropia atingem apenas 1% do total. Uma parte da equação que merece ser explorada são os tipos de economias realizadas pelas startups de notícias, que surgem livres de infraestruturas herdadas, mas assumem custos novos como o desenvolvimento e manutenção de tecnologias.

 

3) Redes sociais e aparelhos móveis estão fazendo mais do que atrair consumidores para o processo — estão mudando a dinâmica do processo em si. Novos dados da pesquisa mostram que metade (50%) dos usuários das redes sociais compartilha ou repostam notícias, artigos, imagens e vídeos, enquanto quase a metade (46%) discute temas e eventos jornalísticos nas redes sociais. Com o crescimento na adoção de aparelhos móveis, os cidadãos estão agindo como importantes testemunhas de fatos jornalísticos como o atentado em Boston ou a crise na Ucrânia. Cerca de 1 a cada 10 usuários de redes sociais postaram vídeos de conteúdo jornalístico que eles mesmos produziram, segundo a pesquisa. E 11% de todos os consumidores de notícias online enviaram seus próprios conteúdos (incluindo vídeos, fotos, artigos ou textos opinativos) para sites de notícias e blogs. Mas também são muito relevantes as transformações em como as notícias funcionam nesses espaços. Em muitos sites sociais e em vários sites de notícias puramente digitais, as notícias são combinadas com todos os outros tipos de conteúdos — as pessoas “esbarram” nas notícias enquanto fazem outras coisas online. Esse “esbarrar” significa que existem oportunidades para as notícias atingirem pessoas que talvez não prestassem atenção a elas, mas essa função ficaria menos dependente das empresas jornalísticas. Apenas um terço das pessoas que veem notícias no Facebook acompanha uma empresa jornalística ou profissional específico. E poucos visitantes do Facebook, segundo outro estudo do Pew sobre tráfego de sites de notícias, vão depois visitar o site de notícias diretamente. Para os produtores jornalísticos, isso quer dizer que uma estratégia digital única não será o suficiente — tanto em termos de conquistar a audiência como criar uma base viável de faturamento.

 

4) Novos meios de narrativa (“storytelling”) oferecem oportunidades e desafios. Uma área em expansão em 2013 foi o vídeo de notícias online. O faturamento publicitário ligado aos vídeos online de forma geral (nenhuma empresa oferece dados específicos sobre os vídeos de notícias) cresceu 44% de 2012 a 2013, e deve continuar em crescimento. Atualmente, porém, a escala ainda é pequena, representando apenas 10% do faturamento publicitário digital nos EUA. O YouTube representa sozinho 20% desse faturamento, e o Facebook também entrou no mercado publicitário de vídeos online e deve atingir rapidamente uma fatia significativa desse setor. Em termos de alcance de audiência, um terço dos adultos nos EUA assistem vídeos de notícias online, mas o crescimento desacelerou consideravelmente. Depois de um pico de 27% entre 2007 e 2009, os quatro anos seguintes registraram crescimento de apenas 9%. Grandes distribuidores como YouTube e Facebook já abocanham uma parcela considerável desse público. Mesmo assim, alguns fornecedores menores estão realizando investimentos dignos de nota. O Huffington Post comemorou o primeiro aniversário do HuffPost Live, o Texas Tribune promoveu uma campanha via Kickstarter para gerar fundos para a cobertura em vídeo da sucessão ao governo do Texas, e a Vice lançou um portal multimídia para notícias em vídeo.

 

5) A televisão local, que atinge cerca de 9 em cada 10 adultos nos EUA, passou por grandes mudanças em 2013 — a maioria delas mal foi detectada pelo radar geral. Quase 300 canais de TV mudaram de mãos em 2013, por um valor total acima de US$ 8 bilhões. O número de estações vendidas foi 205% maior que em 2012 e o valor foi 367% maior, com grandes proprietários se tornando ainda maiores. Se todos os negócios forem aprovados, a Sinclair Broadcasting será dominante com 167 canais em 77 mercados dos EUA, atingindo quase 40% da população do país. David Smith, CEO da Sinclair, disse em um encontro da UBS em dezembro passado que a empresa quer crescer ainda mais — Smith gostaria que a Sinclair atingisse 80 ou 90% do território. Um dos grandes motivadores desses negócios é o aumento nos “fees” que as emissoras locais estão cobrando das operadoras de cabo pela retransmissão da programação. Os grupos Meredith (que possui 13 emissoras) e Scripps (que tem 19) disseram que seu faturamento com retransmissão quase triplicou nos últimos 3 anos. Em termos de programação, um resultado claro é que mais estações no mesmo mercado estão operando em conjunto e compartilhando mais conteúdo. No começo de 2014, os acordos de serviço comum já estavam presentes em metade dos 210 mercados locais dos EUA, comparado com apenas 55 em 2011. E um número menor de canais está produzindo seus próprios telejornais. O impacto final sobre o espectador é difícil de avaliar, mas os benefícios econômicos para as empresas são indiscutíveis.

 

6) Mudanças dramáticas na composição populacional dos EUA vão causar forte impacto sobre o jornalismo nos EUA, e os hispânicos são um grupo populacional que exemplifica essa transformação. A população hispânica nos EUA cresceu 50% de 2000 a 2012 –atinge hoje 53 milhões de pessoas. A maior parte desse crescimento se deve a nascimentos dentro dos próprios Estados Unidos do que novos imigrantes, revertendo a tendência de décadas anteriores. Como consequência, um percentual crescente dos hispânicos é nativo dos EUA, e fala inglês fluentemente. Diante dessa tendência, grandes grupos como ABC, NBC, Fox e Huffington Post lançaram áreas voltadas para os consumidores hispânicos. Desde 2010, seis empresas jornalísticas hispânicas foram criadas, todas controladas ou com parceria com um grande grupo de mídia geral do país. Algumas delas não tiveram sucesso — NBC Latino e CNN Latino são alguns dos fracassos mais destacados nesse setor. O site Fusion, uma parceria entre a ABC e a rede hispânica Univision, foi lançado inicialmente para a geração “millenial” hispânica, mas se expandiu para essa geração como um todo — atualmente, é o maior e mais diversificado grupo populacional nos EUA. Com os avanços dessas mudanças demográficas, também deve crescer o impacto sobre o ecossistema do jornalismo.

(Traduzido e editado pro Sergio Kulpas  a partir do site http://www.journalism.org/2014/03/26/state-of-the-news-media-2014-overview/)    

 

Jornalismo na idade da rede

Artigo  de Mathew Ingram no site GigaOM

publicado originalmente no observatório da imprensa

Num discurso recente, Katharine Viner, subeditora do [diário britânico] The Guardian, descreveu como acredita que as redes sociais e a prática do “jornalismo aberto” alteram fundamentalmente a relação que os jornalistas têm com sua audiência. Na era digital e social, uma das coisas difíceis sobre fazer jornalismo, ou qualquer outro tipo de mídia, é parecer tão simples – em outras palavras, parece muito com o que costumava ser feito: você escreve coisas e as publica, só que em vez de imprimi-las, você as posta na internet. E, se você se estiver se sentindo ambicioso, talvez inclua uns links. Simples, não?

Só que olhar a coisa dessa maneira ignora as formas fundamentais pelas quais a prática do jornalismo foi completamente alterada pela internet, como destaca Katharine em seu excelente discurso [em 9/10, vídeo abaixo]. Em sua apresentação, Katharine – que também é editora-chefe da nova edição australiana do Guardian – falou sobre uma entrevista que teve com um candidato a emprego. Quando ela perguntou a esse profissional de jornalismo impresso como ele se adaptaria ao papel digital, ele disse: “Há anos que eu uso computadores.” Como ela diz, este tipo de resposta sugere que a internet é apenas uma mudança tecnológica, como um novo tipo de editor de texto. “Na realidade, o digital representa uma enorme mudança conceitual, uma mudança sociológica, uma bomba de fragmentação explodindo quem somos, como é organizado o nosso mundo, como nos vemos, como vivemos. Nós estamos bem no meio dessa mudança e, às vezes, tão perto que fica difícil enxergarmos. Mas é muito profundo e vem acontecendo a uma velocidade quase inacreditável.”

Mudança fundamental

Katharine Viner continua, falando sobre as oportunidades que se apresentam aos jornalistas quando eles abordam seu ofício de uma maneira mais aberta e como a resistência de “muitos jornalistas a essa mudança prejudica seus próprios interesses, assim como os interesses do bom jornalismo”. Caso você goste de teoria da mídia, ela também fala sobre a crença de algumas pessoas de que a predominância do jornalismo impresso – e não apenas os meios de comunicação de massa, como os jornais, mas toda a revolução de Gutenberg – foi um período temporário e agora voltamos a processar a informação de uma maneira mais verbal e conectada.

Essa ideia não é muito popular em alguns círculos, mas como alguns observadores como Tom Standage, do Economist, destacaram, quando você avalia a maneira pela qual ferramentas sociais, como o Twitter, o Facebook e os blogs, mudaram o panorama da mídia, parece bastante com o jeito que o mundo costumava funcionar antes do surgimento dos jornais – quando os cafés e as redes sociais do mundo real eram a principal maneira pela qual a informação era transmitida e checada de um lugar para outro. Há pessoas que alegam que a era dos meios de comunicação de massa foi uma anomalia histórica.

Mas o fundamental no discurso de Katharine é seu argumento sobre como tudo isso modifica (ou pelo menos deveria modificar) a natureza da relação de um jornalista com o que Jay Rosen e Dan Gillmor chamaram de “as pessoas que antigamente eram conhecidas como audiência”. “O jornalismo digital não trata de colocar uma matéria na internet. Trata de uma redefinição fundamental da relação do jornalista com sua audiência, de como pensamos sobre nossos leitores, da percepção que temos de nosso papel na sociedade, de nosso status. Deixamos de ser os jornalistas que tudo veem e tudo sabem, produzindo palavras a serem aceitas passivamente pelos leitores.”

Os benefícios do jornalismo aberto

Os benefícios de ser mais aberto às pessoas que costumavam ser a audiência, segundo Katharine, vão além das coisas meramente sentimentais, como estar mais conectado com os leitores ou fazer com que eles retuítem ou distribuam o seu conteúdo (função que, aparentemente, muitos veículos e jornalistas julgam ser a da rede social).

Essa abertura pode melhorar o seu jornalismo de várias maneiras:

** Muitas vezes, o leitor sabe mais do que você

A subeditora do Guardian dá como exemplo uma matéria sobre prospecção em águas profundas e como um Google Doc aberto permitiu que especialistas de vários campos contribuíssem com seu conhecimento sobre esse tema, uma abordagem que o jornal britânico faz melhor do que praticamente todo mundo.

**Com a abertura, vem a responsabilidade

Ao invés de tentar esconder os erros, o que muitos veículos tradicionais fazem, Katharine fala sobre uma matéria em que o jornal cometeu um erro e depois, além de corrigi-lo, publicou uma mensagem num blog discutindo-o. Os leitores disseram que isso realmente aumentou sua confiança no jornal.

**Ser aberto pode produzir furos

Pedir aos leitores que o ajudem torna mais provável que eles tragam informações que mudam uma matéria de maneira dramática, diz Katharine – como foi o caso da matéria que o Guardian fez em 2009 sobre a morte de um vendedor de jornais durante os protestos em Londres por ocasião da reunião do G20.

**Os paywalls são antiéticos para a rede aberta

Uma coisa que provavelmente não será uma surpresa é a opinião da subeditora do Guardian sobre paywalls, uma vez que o jornal britânico é um dos que mais resistem quando se trata de cobrar dos leitores pelas notícias. Alguns críticos de mídia destacados, como David Carr, do New York Times, argumentaram que o jornal deveria desistir e juntar-se à brigada pró-paywall, mas Katharine coloca a questão dos paywalls no contexto do “jornalismo aberto”, do qual seu editor-chefe, Alan Rusbridger, fez a pedra angular da abordagem do jornal à internet: “Um paywall é uma resposta típica da ‘mentalidade de jornal’ – antes, os leitores pagavam pelo conteúdo; vamos fazê-los pagarem outra vez. Mas, do ponto de vista jornalístico, os paywalls são completamente antiéticos em relação à rede aberta. Um website com paywall não passa de um jornal impresso com outro formato, tornando muito mais difícil a colaboração com as pessoas que antes eram chamadas de audiência. Você não tem como usufruir dos benefícios da rede aberta se está escondido.”

Katharine prossegue, falando dos benefícios dos links, mesmo em relação aos concorrentes – algo que muitos veículos jornalísticos ainda não dominam –, assim como os desafios de transportar uma observação sobre uma matéria para a seção de comentários de um jornal, e como são poucos os jornalistas que o fazem bem. Foi um discurso fantástico e se você se preocupa com mídia, eu o incentivaria a lê-lo inteiro.

Jornais: alguma luz no fim do túnel

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The Pew Center’s latest report on the state of the media shows the financial woes affecting the traditional news business continue, and this is having an effect on consumers — but there are a few bright spots as well.

Rodrigo Mesquita‘s insight:

state of the media: as boas notícias: + demanda por notícias, sucesso em assinaturas, acesso direto às fontes, emergência de novas fomas de se anunciar

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Os norte-americanos estão mais distantes das notícias

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Rodrigo Mesquita‘s insight:

state fo the media 2013: a queda da amplitude e qualidade de cobertura jornalistica das tradicionais empresas de informação, que não foi complementada pela ação dos puros players, vem afastando os norte-americanos das notícias.

que consequências este processo terá para a democracia e economia de mercado?

“Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação.”

“Organizações jornalísticas devem continuar a fornecer notícias para indivíduos e conhecimento enciclopédico sobre suas comunidades. Mas também devem reconhecer o papel dos consumidores como produtores. O futuro do setor é tanto de construção quanto de consumo. O impacto de “ser digital” é a emergência de uma nova relação entre editores e seu público: tornar as notícias mais relevantes ao construir conexões entre fornecedores de notícias e consumidores.”

Walter Bender

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Navegando pelo passado de uma reflexão sobre o futuro

Navegando pela internet, nesta quinta-feira, dia 28 de fevereiro, fui bater nesta entrevista dada no final da década de 90, quando dirigia a Agência Estado. Apesar de não usar a palavra disrupção, hoje tão comum nos meios que acompanahm a indústria da informação, ela está nas entrelinhas das minhas respostas. Iniciei  o projeto AE – transformar uma unidade operacional de O Estado de S Paulo numa moderna turbina informativa para o mercado – em 88. Já naquela época, tinha consciência de que os jornais iriam perder o domínio sobre os classificados – os pequenos anúncios de empregos, imóveis, carros, oportunidades – para a computação e as telecomunicações. Tudo isso e mais a visão de que o futuro do modelo de negócios seria moldado sobre processos de gestão de relacionamento de setores e segmentos da sociedade, está nesta entrevista. Por isso, não resisti em republicá-la no meu blog.

Rodrigo Mesquita

Diretor da Agência de Noticias Estado do grupo O Estado de São Paulo

Entrevista concedida a Eugênio Araújo

Título: O futuro das agências de notícias e negócios

Fonte: Site Máster em jornalismo/Universidade de Navarra

Master em Jornalismo – Qual o futuro das agências de notícias, em um mercado de informação como o atual, com uma quantidade de informação gratuita ao alcance dos usuários?

Rodrigo Lara Mesquita – Não me atreveria a falar sobre este assunto da perspectiva das agências de notícias globais. A Agência Estado é uma empresa de informação nascida num país de dimensões continentais e com um potencial econômico que supera em muito o da média dos países da América Latina. Falando a partir desta perspectiva e considerando a tremenda e profunda evolução que as tecnologias de informação estão sofrendo, considero que o futuro das agências de notícias é extremamente promissor se elas souberem, como outros meios de informação, se transformarem e se adaptarem a uma realidade – também em função da evolução das tecnologias de informação – dinâmica e mutante como nunca antes na história.

Cada um dos meios de informação – o jornal, as rádios, as TVs e as agências com seus conjuntos de serviços – é uma plataforma de relacionamento com o público. A Agência Estado trabalha com dezenas de plataformas diferentes, com características específicas, conforme o mercado/comunidade que ela vem procurando desenvolver (veja em Estadão). Hoje, o negócio que menos cresce da AE é o seu serviço voltado para o mercado tradicional das agências de notícias – o mercado de meios: jornais, revistas, rádios e TVs. Apesar disso, a AE considera esta plataforma de negócios estratégica em função das oportunidades sinérgicas que ela lhe abre em relação aos demais serviços que oferece aos diversos mercados/comunidades que vem desenvolvendo e procurando fidelizar: financeiro, nove setores da indústria brasileira, o agronegócio – do setor financeiro à produção – e os players do mercado/comunidade mídia.

Hoje, quase 100% da nossa receita é conseqüência de assinatura. Mas trabalhamos com a perspectiva de que, no futuro, a receita será conseqüência da geração de negócios para as comunidades que servimos. Quero ressaltar com isso que, no momento, sinto uma tendência no mercado de fechamento de serviços de informação com real valor agregado. Para citar um só exemplo, falemos do FT.com (Financial Times), um serviço que nasceu aberto e custou cerca de US$ 200 milhões de perda para a Pearson e que recentemente foi fechado e cujo modelo de negócio vem sendo reconstruído.

Master em Jornalismo – Qual é o papel e quais são as estratégias das agências perante os novos meios e as novas tecnologias? A Internet é a saída natural e a ferramenta do futuro para as agências de notícias?

Rodrigo Lara Mesquita – Não me atreveria a falar sobre este assunto da perspectiva das agências de notícias globais. A Agência Estado é uma empresa de informação nascida num país de dimensões continentais e com um potencial econômico que supera em muito o da média dos países da América Latina. Falando a partir desta perspectiva e considerando a tremenda e profunda evolução que as tecnologias de informação estão sofrendo, considero que o futuro das agências de notícias é extremamente promissor se elas souberem, como outros meios de informação, se transformarem e se adaptarem a uma realidade – também em função da evolução das tecnologias de informação – dinâmica e mutante como nunca antes na história.

Master em Jornalismo – Qual o futuro das agências de notícias, em um mercado de informação como o atual, com uma quantidade de informação gratuita ao alcance dos usuários?

Rodrigo Lara Mesquita – Na minha visão de futuro, o jornal de papel está condenado, o papel do jornal é perene. Quero dizer com isso que não vejo a Internet/Redes como um novo meio que compete com os que conhecemos. Vejo a Internet/Redes e seus sucedâneos como uma nova infra-estrutura que permeará e sustentará todos os meios de comunicação social num movimento convergente. Qual é o papel do jornal? Ele representa, em última instância, o ponto de encontro das comunidades que serve para refletir, analisar e debater sobre os problemas que lhe afligem. O jornal tem que cobrir os movimentos macro da história traduzidos no dia-a-dia, com a missão de fornecer para o leitor a perspectiva, a interpretação isenta, o contexto, a análise.

Os serviços que a AE vem desenvolvendo nos últimos 15 anos para desenvolver e fidelizar novos mercados/comunidades têm outra função. A função destes serviços/plataforma de relacionamento – compostos por informação e tecnologia – é instrumentalizar o cidadão enquanto agente econômico e contribuir para que cada uma das cadeias econômicas destas comunidades seja mais eficaz e competitiva em níveis locais e globais.

Master em Jornalismo – O êxito será das agências globais, as grandes, ou será das pequenas e mais flexíveis? Que papel tem a especialização? Quais as vantagens e inconvenientes se se tem em conta exemplos como os da Reuters e sua atual situação?

Rodrigo Lara Mesquita – Não me sinto capaz para responder sua pergunta. O que posso dizer é que a AE é líder no mercado/comunidade financeira no Brasil – temos 60% deste mercado contra Reuters, Bloomberg e mais três pequenas empresas locais. Por quê isso ocorre? Porque Reuters e Bloomberg trabalham com o mesmo produto distribuído em todo o mundo. O mercado financeiro tem necessidades de uma cobertura que vai além da sua tecnicidade. Nosso acompanhamento dos movimentos da macroeconomia brasileira e dos impactos da política nacional sobre os mercados e a economia fazem a diferença. Se Reuters e Bloomberg resolverem fazer esta cobertura no Brasil, o negócio deles ficaria inviável em função dos custos. Além disso, por causa da escala e nossas especificidades, trabalhamos com preços competititivos.

A AE pretende dar uma contribuição para a competitividade da economia brasileira como um todo. Sua lógica operacional não tem nada a ver com a de empresas de informação globais. Sua plataforma de relacionamento para o mercado/comunidade financeira acaba sendo o filtro de todo este esforço de cobertura. É isso, junto às competências tecnológicas e comerciais que conquistamos em função das especificidades do mercado brasileiro, que  permite a AE ser competitiva em relação à Reuters e Bloomberg.

Acredito que a evolução da Internet/Redes e seus sucedâneos abrirá espaço no futuro para uma infinidade de negócios pequenos e grandes – não só na indústria da informação. O movimento de concentração/monopolização – em certa medida, conseqüência da “idade da pedra” no mundo das redes – já sofreu seus primeiros impactos negativos.

Master em Jornalismo – Também se fala muito de redações multimídia. Que realidades apresenta a Agência Estado neste sentido? Que importância tem conseguir uma verdadeira redação multimídia e uma convergência real? O que se está fazendo na sua empresa neste sentido?

Rodrigo Lara Mesquita – A AE é pioneira na montagem de uma estrutura de produção editorial integrada em seus diversos níveis. Construiu uma redação capaz de gerar conteúdos em formatos diversos e destinados a públicos também diferenciados. Mais recentemente, incorporamos à nossa redação os instrumentos necessários para a produção de conteúdos de aúdio e vídeo, o que nos permitirá abranger todo o ciclo de produção jornalística. Para nós, conceitos como convergência e multimídia já são plena realidade.

Temos uma única redação composta por cerca de 150 jornalistas e um único sistema editorial. Considero que somos uma turbina informativa adequada para o momento que vivemos. A AE tem consciência de que a dinâmica das atuais redações deve acompanhar as possibilidades que a tecnologia nos abre todos os dias.

Master em Jornalismo – Em quê se diferencia a Agência Estado de outras agências? Detalhes peculiares e definitivos.

Rodrigo Lara Mesquita – O foco da AE na economia brasileira define sua principal peculiaridade. A consciência de que, a médio prazo, a relação com as comunidades econômicas que vimos desenvolvendo devem caracterizar a AE como uma empresa de network e não de business information definem as demais peculiaridades. A AE, uma empresa totalmente virtual, é um planeta com dezenas de satélites ligados virtualmente a ela. Se considerarmos os dados dos pregões das bolsas, cerca de 90% dos conteúdos que distribuimos em nossas plataformas de relacionamento são de terceiros, de parceiros da AE. Considerando só conteúdos-texto, cerca de 60% dos conteúdos são nossos. O resto é de terceiros.

Vivemos uma época de revolucionários avanços tecnológicos que levaram o ambiente de negócios a se caracterizar pelo que o laboratório de mídia do MIT (Media Lab) e a Solan School of Business definiram como “o movimento das grandes convergências”. São elas: a convergência entre pesquisa e desenvolvimento; a convergência entre redes de comunicação e mercados, cada vez mais difíceis de se distinguir; a convergência entre precificação e mecanismos de relação comercial com o mercado; a convergência entre design e engenharia; a convergência entre produto e serviço; a convergência entre conteúdos e transações; e a convergência entre front e back office.

É evidente que estes movimentos têm impactos ainda impossíveis de serem mensurados em toda a sua magnitude na estrutura da economia conhecida. Para Walter Bender, diretor do Media Lab, “há duas revoluções fermentando. A primeira é uma revolução de comunicação interpessoal. A segunda revolução não é de tecnologia, mas de epistemologia e aprendizado. Construcionismo, aprender fazendo; é a revolução de Dewey, Piaget e Papert. O aprendizado acontece melhor não no espaço formal da sala de aula. Ele acontece em aplicações concretas. Eis porque devemos buscar construir ambientes para fazer”.

Não é esta a lógica do mundo tradicional de negócios, mundo acostumado com empreendimentos com break-even point e pay backs previsíveis. A consciência de que tem que construir uma empresa que lhe permita aprender fazendo (e renumerando o capital social) disseminada pelos profissionais que compõem o negócio faz a diferença. Os profissionais da AE sabem que a empresa terá que se reinventar a cada dia, na medida em que as tecnologias de informação forem se desenvolvendo e que o público for se aculturando a elas. É este o fator determinante do processo, o aculturamento do público às possibilidades ainda restritas do mundo em rede.

Além disso tudo, a AE é detentora de uma certa cosmovisão. Herança positiva de uma empresa familiar e, na minha opinião, fator decisivo para o sucesso de uma empresa de informação. Considero a Agência Estado uma empresa única.

Porque os nativos digitais odeiam os jornais

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Dubbing digital natives the “asset-light” generations, Meeker notes that young people don’t want to own CDs, haul around books, buy cars, carry cash, do their own chores, or be committed to a full-time job. Instead, they use their smartphones to buy, borrow, or steal media; rent shared cars at home and book shared rooms when they travel; hire people to buy groceries or cut the grass; and use apps from Starbucks and Target to pay for lattes and redeem coupons. Many of the digital natives even prefer short-term gigs that allow them to arrange their work around their life, rather than arrange their life around their work.

Meeker believes the digital generations will change everything from the travel and credit card industries to the way health care and education are consumed.

The newspaper industry already has been profoundly disrupted. The only remaining question is what publishers will do about it.

Rodrigo Mesquita‘s insight:

as especulação são as mais diversas, mas nunca chegam próximas do que foi o papel histórico dos jornais: servir de plataforma de articulação das comunidades em que estavam inseridas para que elas pudessem fazer valer seus interesses junto às fontes de poder de uma forma geral.

No Brasil, o jornalista Júlio Mesquita inseriu esta idéia no mercaod no início do século passado. Depois de uma profunda reforma editorial no jornal, proibiu a assinatura, a dele inclusive, em qualquer matéria. Argumetava que o jornal não era dele nem dos jornalistas, mas do público. A missão do jornal era levantar e botar em discussão as questões que preocupavama a comunidade em que estava inserido. No fim da vida, dizia: “Jamais ousei imaginar que tinha o direito ou o dever de formar a opnião pública do meu Estado. Tudo o que fiz na vida foi sondar a opinião pública e me deixar levar pela corrente que me parecia mais acertada”.

Enquanto os centros de think thank sobre o setor nos estados Unidos consideram os jornais a indústria de notícias, news print, Walter Bender, que dirigiu o programa News in The Future nos anos 90 no MIT – Media Lab e depois foi diretor geral deste laboratório das novas tecnologia, dizia:

“Organizações jornalísticas devem continuar a fornecer notícias para indivíduos e conhecimento enciclopédico sobre suas comunidades. Mas também devem reconhecer o papel dos consumidores como produtores. O futuro do setor é tanto de construção quanto de consumo. O impacto de “ser digital” é a emergência de uma nova relação entre editores e seu público: tornar as notícias mais relevantes ao construir conexões entre fornecedores de notícias e consumidores”.

“Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação”.

 

 

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Construir comunidades é o papel histórico dos jornais

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É esta a tese deste artigo do Poynter. Para eles, este é o futuro do jornalismo. Eu  defendo que sempre foi esta a missão dos  jornais, como argumento neste texto: Articular públicos é a base do negócio dos jornais, do qual copio o trecho abaixo no qual argumento sobre o que os jornais dveriam estar fazendo em relação à internet, como eles deveriam estar cobrindo o processo de conversação da sociedade que se reflete na rede.

Monitoramento + curadoria + edição jornalística da aparente balburdia (O dilúvio está aí, falta o Noé), considerando a arquitetura da nova infraestrutura, a nova plataforma da informação, comunicação, articulação da sociedade. Ênfase para organização, não geração de informação. As fontes estão na rede, todas as fontes estão na rede. Não existem dois mundos, o analógico e o digital. Um é extensão do outro.  Conteúdo não é consequência da sua capacidade escrevinhadora. O conteúdo é o ponto de partida  para a articulação  da sociedade em torno dos seus  interesses. O momento hoje é das redes digitais, a geração  de conteúdo – monitoramento + curadoria + edição jornalística (agregação) – é o caminho para construir redes digitais de interesse específico ou de nicho, redes sociais dentro da rede, o conjunto das mídias que  a compoe.

Standing for journalism, strengthening democracy | Journalism training, media news & how to’s

Rodrigo Mesquita‘s insight:

a notícia sempre foi um convite para a conversaçao, para a a participaçao. o resto é manipulaçao ou distorçao

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