A receita de informação de um editor de notícias

Fui foca do jornalista Fernando Mitre na editoria internacional do Jornal da Tarde. Poucos anos depois, ele assumia a diretoria de redação do jornal. Foi a época mais rica do JT. Era uma redação criativa e divertida. A dedicação ao jornal era total. Lembro-me de um dia em que o Mitre tegiversava sobre seus hobbies, seu tempo de entretenimento. Fora os livros, cinema, teatro e os jantares na madrugada, depois do fechamento do jornal, o hoobby, o entretenimento eram as matérias do jornal voltadas para isso.

Hoje, o Mitre é o diretor de jornalismo da Rede Bandeirantes. Abaixo, seu depoimento para o Confins sobre como se informa nestes tempos da encruzilhada do futuro do presente.

De manhã, logo depois de acordar, continuo o acompanhamento dos fatos (na verdade, é uma continuidade) , me atualizando no contato com o meu pessoal de pauta, conferindo o conteúdo de alguns sites e falando com as primeiras fontes do dia. Recebo muita informação também via email . Na leitura dos jornais, dou preferência aos artigos, já que as notícias raramente me surpreendem. Á tarde, faço uma rodada mais completa com as fontes. A esta altura, já estou acompanhando a produção de matérias dos nossos telejornais e a divulgação de notícias em todo o sistema Band.   Leio as principais revistas brasileiras com certa disciplina. Time, The Economist e o noticiário do  NYTimes estão sempre presentes.  Globonews, BandNews e CNN sintonizadas. Um  olho voltado para a internet o tempo todo. Mas, muitas vezes, recebo excelentes dicas de ouvintes e telespectadores da Band, entre tantos que me procuram ( e que atendo sempre que posso).

Brigo comigo para ficar desconectada

Beth Saad não está sentada na encruzilhada do futuro do presente. É professora Titular do Departamento de Jornalismo e Editoração – ECA-USP Atua como docente e pesquisadora nas áreas de comunicação digital e jornalismo digital. Nestas, enfatiza pesquisas e orientações nos segmentos de estratégia e negócios de informação digital; e na correlação entre a estratégia e o desenvolvimento de novas linguagens para conteúdos digitais. Em nível de pós-graduação é docente e pesquisadora credenciada junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP, Área de Interfaces Sociais da Comunicação. É coordenadora do grupo de pesquisa COM+ – www.grupo-ecausp/commais. Coordena o curso de especialização lato sensu DIGICORP – www.grupo-ecausp/digicorp, junto à ECA-USP. Até o final de 2011 formou 12 doutores e 21 mestres.

Abaixo, seu depoimento para o Confins sobre como se informa no seu dia a dia.

Minha “receita de informação” tem a maior cara de  cross media, ou de convergência, ou similares….

Veja:

Inicio o dia com o rádio do celular ligado em noticiário ao acordar, o rádio me acompanha no café da manhã que segue simultaneamente à leitura das edições em papel do Estadão e da Folha.

Caso a rotina de trabalho do dia seja tipo “sentada escrevendo”,  checo meus e-mails, abro o meu perfil no Facebook para ver as novidades e o twitter idem.

Em seguida, abro no iPad os aplicativos de agregação de notícias, em especial o Zite. Caso ali tenham conteúdos interessantes já envio para replicações no Face e no Twitter.

Na rotina do dia mais voltada para atividades externas e aulas na ECA levo o celular e o iPad, sendo que este fica o tempo todo conectado e vou acompanhando as atualizações de e-mail, Face, e Twitter. Conforme o conteúdo ali apresentado, no próprio iPad recorro aos sites informativos como NYTimes e The Guardian, além de outros que estejam citados nas infos de Twitter e Face.

No final da tarde acesso os sites noticiosos do Brasil: Estadão, G1 e UOL prá ficar mais atualizada.

Encerrando as atividades profissionais sigo no iPad para blogs, sites de compras, enfim navegação “à toa”, claro que isso ocorre enquanto a TV está ligada nos canais a cabo….

Hora de dormir? Levo o iPad prá embalar meu sono…..

O que resta? Fico o tempo inteiro “brigando” comigo mesma prá conseguir arrumar espaços de tempo em desconexão….

 

Carta aberta aos ambientalistas: o buraco é mais embaixo

A crise tem pelo menos três eixos principais: o stress do modelo de financiamento da economia pelo mercado financeiro, a falência do sistema de representação política da sociedade contemporânea em todo o mundo e o esgotamento do modelo de relação com o meio ambiente.

Isso tudo no âmbito da mais profunda e dramática mudança de infraestrutura da plataforma de informação, comunicação e articulação da sociedade.  A rede é um novo ambiente, um novo ecossistema, que vai determinar a reformulação das instituições e de todo o jogo das práticas sociais, econômicas e políticas da sociedade que se está formando.

Ignorar isso significa ignorar a História e levar a discussão para um buraco sem fim, um campo de radicalização maniqueísta entre bandidos e mocinhos. As futuras gerações cobrarão pelo tempo perdido e por soluções com fundamento para um conjunto de problemas que não serão resolvidos em uma geração.