Era início de 2002. Sidney  Possuelo, então diretor do Departamento de Índios Isolados da Funai, fez  contato comigo, na Agência Estado,  porque planejava uma expedição para o Vale do Javari, na Amazônia, para procurar contato com povos isolados ameaçados pela aproximação de madeireiros, garimpeiros e pescadores. Oferecia uma posição na expedição para um repórter. Três a quatro meses percorrendo a região. Foi a porta de entrada do jornalista Leonêncio Nossa  no Grupo Estado, como se vê na foto acima. De lá para cá foram centenas de matérias e vários livros, o último deles MATA! – O Major Curió e as guerilhas no Araguaia, sobre o qual ele fala no vídeo abaixo.

Leonêncio foi mais um jornalista que contou para o Confins sobre como se informa no dia a dia para a série na encruzilhada do futuro do presente, que além da crise que estamos atravessando procura discutir novos modelos de negócios para os jornais. Baseado em Brasília, cercado por jornalistas e políticos, uma das suas preocupações é a repercussão das notícias. As redes sociais viraram uma ferramenta para ele fechar o ciclo da publicação à repercussão.

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Para me informar, leio todas as manhãs jornais do Rio, São Paulo e Brasília. Ao longo do dia, abro sites de informação na internet. Aos domingos, gosto de visitar a banca da rodoviária da capital para ler jornais do Nordeste, do Sul e do Centro Oeste. É um prazer também acompanhar a produção de veículos regionais na rede. Pelo menos uma vez na semana, consulto as páginas virtuais de alguns jornais e revistas estrangeiros, especialmente no ‘day after’ de fatos importantes. Também acompanho programas de notícias de canal fechado no meu trabalho.

É inevitável para quem faz jornalismo em Brasília viver mergulhado 24 horas no noticiário político e econômico. Por isso, sempre procurei fazer um exercício diário para entender a repercussão de notícias da capital na vida de amigos, parentes e conhecidos de
outras cidades. Procuro telefonar, trocar e-mails e perguntar para pessoas que não fazem parte desse turbilhão de informações como receberam determinadas notícias, fatos da semana. Sou daqueles que, nas viagens, não reclamam de taxistas que adoram conversar. Aliás, sempre que viajo, antes de entrar no quarto do hotel, procuro ler os jornais da cidade ou ouvir as rádios. É bom demais acompanhar o trabalho de colegas que mantêm vivas as tradições do jornalismo nos lugares mais distantes.        

Tentar compreender a repercussão da notícia em universos sem jornalistas e  políticos é tão importante quanto buscar informação. É uma receita que uso para não perder o sentido do meu trabalho. Nos últimos anos, esse exercício passou a contar com a rede social. Por meio do Facebook e do Twitter, passei a entender quase instantaneamente a dimensão do impacto das informações produzidas na capital no cotidiano das pessoas para quem procuro produzir notícias.