FB, twitter, google+, instagram, tumblr, youtube, nem o diabo são donos da minha rede social.

O jornal não é nosso, é do público
O jornal não é nosso. É do público.

 

As redes sociais ainda não têm maturidade para serem tão orgânicas  quanto poderão vir a ser. A ética deste novo mundo ainda está sendo gestada no âmago de todos nós. E a expansão da sociedade analógica para sua extensão digital é muito recente.

Abstraindo isso, os fundamentos institucionais, convivemos com o imponderável do antrópico algoritmo das plataformas sociais (FB, twitter, youtube, tumblr, flipboard, google+ etc etc etc), regidas pelos objetivos comerciais de cada uma das empresas que as mantêm.

Como se fosse preciso intrincar um pouco mais o cenário, a maioria dos usuários e mesmo analistas dos fenômenos de articulação do público e da opinião pública por meio da internet confundem ferramentas (FB, twitter, youtube, tumblr, flipboard, google+ etc etc etc) com processos.

Rede social é processo, não as ferramentas que são usadas na estruturação dos processos digitais de conversação e compartilhamento de informação. Verdadeira ou falsa. Os fluxos de informação das redes sociais que participo em função da base das minhas amizades, dos meus interesses, dos meus sonhos, eticamente sustentados.

As redes sociais são tão orgânicas quanto a maturidade digital de quem as utiliza
As redes sociais são tão orgânicas quanto a maturidade digital de quem as utiliza

 

As redes sociais nasceram quando o homem se tornou um animal gregário e foram se sofisticando conforme a sociedade humana foi evoluindo e se tornando mais complexa. A internet, a rede, exponenciou esta complexidade ao permitir que todos nós estruturássemos nossas redes sociais, a base de relacionamento de cada um de nós (indivíduos, partidos políticos, entidades, setores da economia etc) digitalmente.

Quando e se a imprensa tradicional entender isso e por isso se inserir de forma coerente nos fluxos de informação das redes sociais e criticar com conhecimento de causa a responsabilidade das empresas que mantêm plataformas pelo pandemônio que ajudam a formar nos processos de comunicação contemporânea , graças aos seus algoritmos manipuladores regidos exclusivamente por seus objetivos comerciais, poderá haver um renascimento do Quarto Poder.

Yochai Benkler, Robert Faris, Hal Roberts e Ethan Zuckerman, cientistas da comunicação apontam isso em recente estudo que foi objeto desta matéria https://www.cjr.org/…/breitbart-media-trump-harvard-study.p… da Columbia Journalism Review . Abaixo, a conclusão do estudo resumido no artigo do centro mantido Columbia University.

“Reconstruir a base sobre a qual os americanos podem formar uma crença compartilhada sobre o que está acontecendo é uma pré-condição da democracia. Esta é a tarefa mais importante da imprensa daqui para frente.

Nossos dados sugerem fortemente que a maioria dos americanos, incluindo aqueles que acessam notícias através de redes sociais, continuam a prestar atenção à mídia tradicional, seguindo as práticas jornalísticas profissionais e cruzando referências com o que lêem em sites partidários com o que lêem em sites de mídia de massa.

Para conseguir isso, a mídia tradicional precisa se reorientar, e não pelo desenvolvimento de conteúdos virais para competir no ambiente de mídia social, mas por reconhecer que ele está operando em um ambiente de propaganda e rico em desinformação.

É este, não os adolescentes da Macedônia ou ou o Facebook, o verdadeiro desafio dos próximos anos. Vencendo este desafio poderá conquistar uma nova era de ouro para o Quarto Poder”.

2013, Um Ano Crítico para o Facebook e a Microsoft (além dos velhos meios)

Para quem acompanha o desenvolvimento do novo ecossistema da informação, vai ser rico e divertido acompanhar o movimento das megas empresas do novo mundo no próximo ano, que será muito importante para definição de tendências que já se manifestam no mercado.

De um lado, a empresa do Zuckeberg (foto abaixo) tendo que provar para o mercado que os resultados do últimos trimestre, com os seus $152.6 milhões faturados com o mercado de anúncios em smartphones e tablets, é uma indicação de fato que a empresa pode crescer desmesudaradamente no nascente mercado de anúncios nos devices móveis mercado e que por isso gera mais dúvidas do que certezas. Além disso, a empresa do novo “gênio” do mundo digital parece que encheu a paciência dos europeus (http://www.businessinsider.com/facebook-is-failing-in-europe–and-its-all-russias-fault-2012-10).
Do outro lado, a empresa do Bill Gates, dirigida pelo Steve Ballmer, a simpática figura da foto abaixo, ao lado do windows 8, o novo produto que será lançado amanhã (http://www.npr.org/blogs/alltechconsidered/2012/10/23/163410065/microsoft-an-empire-under-siege-makes-its-next-moves?ft=1&f=1001) com a missão de provar que sua entrada no mercado inverterá a curva de resultados, que no último trimestre teve uma queda de 22%. Quem já teve acesso ao windows 8 tem a impressão que o monopólio do Bill Gates acordou e quer se inserir no mundo da mobilidade, segmento que mais cresce no mercado. Entre uma série de questões, entre elas se terá fôlego para alcançar a Google, a que mais se destaca é como o windows 8 vai se comportar na base instalada de desktops e notebooks.
Além destes movimentos, vale acompanhar também o início da tardia reação das tradicionais empresas de informação. Elas começam a descobrir que não são intelectualmente superiores aos novos atores do mercado. Com isso, imagino, começam a entender que está se formando um novo ecossistema da informação, no qual a matemática por meio do algoritmo tem um papel fundamental  na formação de comunidades sobre comunidades do nada. Se tivessem sido humildes desde o início do processo, com certeza teriam um papel de destaque na formação e desenvolvimento deste novo mundo, em função da sua história de articulação de públicos por meio da informação. Como os jornalistas tendem a ser mais conservadores do que os donos de empresas de informação acho que estas empresas ainda terão um bom tempo pela frente para deslancharem.
Pra quem tá no jogo, vai ser um ano muito divertido.