Continuo adorando ler jornal no café da manhã

Marion Strecker é jornalista e não está afogada pelos novos meios. Conseguiu alcançar uma certa disciplina como conta no seu depoimento para o Confins, na série na encruzilhada do futuro.

Estou tentando ser menos junkie com informação, então agora compro mais livros e procuro diminuir o tempo na internet.

Continuo adorando ler jornal no café da manhã: jornal em papel, para não me dispersar online. Mas aqui em Nova York, neste prédio sem porteiro onde vivo agora, meu jornal é roubado quase todos os dias. Tento me acostumar com a versão no iPad, mas às vezes me pego analisando os problemas de usabilidade. Esse vício profissional atrapalha a leitura. E como estou no iPad, às vezes acabo lendo outros jornais e sites de notícia ali também.

Sempre gostei de ler revistas. Assinava muitas até semana passada, quando morava na Califórnia. Agora só assino uma, e decidi comprar na banca o que me der na telha.

Não sou muito de televisão e ouço rádio apenas no carro. Aqui estou sem carro.

A cidade grande e seus espaços públicos transbordam de informação. Ganho jornal grátis no metrô, vejo cartazes e luminosos, me deparo com folhetos, flyers e outros impressos nas ruas e nos espaços culturais. Vejo TV dentro do táxi como no Brasil via portais de notícia dentro do elevador.

Uso internet intensamente, então meu dia pode começar com alertas ou e-mails, que trazem atualizações dos sites e blogs que acompanho ou dos aplicativos que eu uso. Entro então em alguns desses endereços.

Recebo muita informação em redes sociais, mas a leitura é irregular e caótica. Vida pessoal e profissional se misturam ali e qualquer um fala qualquer coisa, o que cansa. Escrevo cada vez menos em redes sociais para ganhar mais tempo. Prefiro mensagens diretas trocadas com pessoas que me são importantes.

Outra forma que uso bastante para obter informação são os sistemas de busca. Nenhum jornalista vive sem isto hoje.
Last but not least, pessoas são sempre uma fonte inesgotável de informação. Então conhecer e conviver com muitas pessoas é muito bom para ficar informado, além de ser divertido.

Vigio a guerra dos blogs

Depoimento da Márcia Pinheiro para o Confins, na série na encruzilhado do futuro do presente, uma tentativa de abrir a discussão sobre a evolução da plataforma de informação, comunicação e articulação da sociedade.

Há a informação primária e a secundária. Na primeira categoria, leio os sites de notícias durante todo o dia, como o do Valor, do Estadão e da Folha. Na manhã subsequente, leio a Folha, porque assino, herança de hábito do pai, e o Valor, porque acho uma cobertura impecável dos fatos. Leio mais as colunas, uma vez que a informação eu já tenho.

Vigio, ainda, a guerra dos blogs. Os chamados progressistas e os de direita. A maioria não me agrada.

Assisto ainda ao Jornal Nacional e, vez por outra, alguns debates na Globonews.

Já desisti das revistas. Nada me acrescentam. Apenas admiro a Piauí.

Abraço.

Márcia PInheiro, editora da Editora Contadino.

O dilúvio está aí, falta o Noé

 

Por Antonio Mendes Ribeiro

Vivemos um dilúvio de informação ou mais precisamente de dados, pois não temos a capacidade de entendê-los completa e plenamente. Isso faz com que fiquemos perdidos na rede, sem aproveitar as  oportunidades que surgem nas nossas navegações. Precisamos, assim, assumir o papel de um Noé do novo século, selecionando espécies significativas  de informação, colocando-as na nossa arca e com isso sobreviver no mundo do entendimento, da interpretação, da reflexão,  o que é essencial para os nossos estudos e até negócios. Podemos dizer que  era de hoje da internet é  dos  letrados em informação. Na verdade temos que ter essa competência, além do domínio das tecnologias, para gerir a informação  que necessitamos. Isto é válido para todas áreas do conhecimento humano, para profissionais mais especializados e até crianças.

Mas  como uma pessoa pode evoluir ao atuar nessa área, que papéis deve assumir? Além de um simples RECEPTOR de informação (leitor de notícias colocadas pelos amigos que seguimos nos microblogs), podemos assumir uma ação mais ativa. Nos colocando como um EXPLORADOR saimos à cata de  informações já publicadas (pesquisando, filtrando, selecionando),  gerando e personalizando nova informação ( quando  a descrevemos e ilustramos, mesmo de forma sucinta, na nossa rede social). Com um passo além podemos nos ligar diretamente à informação de nosso interesse, tornando-nos um INTERAGIDOR (colocando tags nas mesmas e utilizando um ambiente de bookmarking social). Vivenciando esses papéis podemos criar condições para usar a informação, em vez de somente consumí-la, armazená-la, organizá-la e indexá-la. Como um APLICADOR podemos tomar nossas decisões e  resolver problemas da nossa realidade (a partir da criação de  um sentido à massa de informação a que somos submetidos, ao fazermos sínteses, reflexões e  conclusões  usando um blog). Quando assumimos esse nível de experiência na rede, sendo um especialista na nossa área de atuação, temos condições de agir como um CURADOR (disponibilizando informação atualizada e significativa para nossos parceiros, com a utilização das novas ferramentas de curadoria agora disponíveis).

Mas ser um letrado em informação é suficiente? O importante é que sejamos, além disso, capazes com esse tipo de competência de nos colocar  como um agente de inovação em rede. Com esse posicionamento será possível nos contrapor  às mudanças que ocorrem no mundo de hoje, co-construindo conhecimento de forma colaborativa e auto-regulando o nosso aprendizado,  em benefício pessoal , das nossas comunidades e da sociedade em geral.

O professor Antono Mendes Ribeiro, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, está para lá da encruzilhada do futuro do presente. Há anos atua na rede como um construtor de caminhos. Vale a pena conhecer a sua comunidade de Colaboração e Conhecimento C – 5, na plataforma Peabirus, na qual ele vai mais fundo do que neste depoimento sobre como se informa no dia a dia para não soçobrar.