CONFINS

O tempo social é influenciado pela linguagem que restringe e fixa conceitos prévios e modos de pensar – uma defesa do tempo, Harold Innis

Tag: encruzilhada

Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação!

Minha prima e amiga Mariana Salles Oliveira é psicologa e trabalha com formação experiencial ao ar livre pela Outward Bound Brasil.  Como ela comenta no seu depoimento sobre como se informa no dia a dia na encruzilahada do futuro do presente, é quase uma nativa. Seu jornal tem uma receita própria composta pelos seus interesse e os de seus amigos, na sua própria rede social.

Ler o bom e velho jornal era e ainda é o hábito matinal do meu pai. Eu desde sempre li tudo aquilo em partes, só as que me interessavam, novos horizontes naquele calhamaço de papel vinham quando alguém me chamava atenção para alguma matéria em especial. Quando fui morar sozinha, todo investimento era algo a se pensar e entre assinar o jornal diariamente, ou investir na melhor velocidade de internet possível, fiquei com a segunda opção!

 

uma história da internet (legendado)

Naquele tempo, o provedor de e-mails tinha como chamariz um portal de notícias. Encontrei lá um ótimo jornalismo internacional, e uma seleção de notícias bem bacana! As redes sociais engatinhavam e os blogs eram mais temáticos e pessoais do que uma fonte de informação alternativa aos grandes veículos impressos. O jornal que meu pai lia, estava lá também, em versão online tinha seu “papel” no meio daqueles novos canais!

Num pula pula filtrado pelo que me interessava e ao mesmo tempo afogada em tantas novas ofertas, aconteceu que, antes mesmo deu ter tempo de estruturar minha busca por notícias, e organizá-las para acessá-las de uma maneira fácil e confortável, uma outra onda fez rever a forma como eu iria me informar dali para frente!

Imagens de cursos da Outward Bound Brasil (OBB) com depoimentos de participantes

Em pouco tempo todos os meus amigos, parentes, colegas de trabalho, autores dos meus blogs favoritos, instituições, o governo, governantes e candidatos, e até pessoas públicas que adimiro, todas elas, passariam a compor um grande filtro de relevância para mim! Viraram meus editores chefes! Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação! Minha rede social virou online e junto comigo tocam meu jornal diário! Os valores são múltiplos, e a ética também, a amostragem gigante, mas ainda sobram alguns filtros onde posso operar!

Canais antes separados de fotos, vídeos e textos, se cruzam hoje com intimidade no meu facebook, twitter, no meu celular, lá estão todas elas, as tais notícias, numa versão multimídia, filtradas pelos meus contatos!

Se elas chegam até mim, o tempo todo, e aos poucos vou filtrando e selecionando minha rede de conexões e provedores de notícias, também descobri que o grupo de pessoas que gerem os browsers que uso, e as redes sociais de que faço parte, gostam e querem também fazer isso por mim!

Ler notícias hoje vai muito além de me manter informada, ler notícias agora constrói o meu perfil de usuário, um perfil de navegadora, que cruzado à minha rede de contatos tem servido para me conectar diretamente às informações que outras pessoas acham relevante que eu leia. Numa  versão ainda mais incrível me conecta ao comércio de produtos e serviços! A cada notícia que leio, recebo mais emails, mais sugestões de links, mais sugestões de amigos e produtos para consumir! É um efeito cascata dessa rede que interconecta planos diversos que antes compunham a minha vida sem que nem eu pudesse visualizá-los! Mais que visível essa trama das minhas conexões, dos meus assuntos de interesses, e dos meus gastos opera selecionando informações, serviços e produtos pra mim!

Navegar na internet atrás de notícias é também construir a maior rede de comércio e produção de subjetividade voltada ao consumo que já existiu no planeta! Parece também ser essa mesma rede, uma forma criativa de outras economias de troca! Para os que além de filtrados, filtram e infiltram, oferecendo conhecimento e fazendo frente à automatização da relevância apenas a serviço da venda de produtos e de uma subjetividade massificada. Tento, entre meus contatos, meus interesses e a oferta, achar a versão de informações que me acompanham na escolha que tenho feito de mundo!

Novos paradigmas e desafios, na encruzilhada do futuro

Antonio Rosa está entre os que comungam a visão de Alvin Toffler de que se está formando uma nova sociedade com comportamentos e procedimentos em formação “na estruturação da família, nos relacionamentos dos jovens, com novos conceitos de sexo, raça e idade, novas estruturas familiares e novas formas organizacionais e culturais”. Um novo mundo que segundo ele ainda não entendemos e não sabemos para que direção caminha, na encruzilhada do futuro do presente na qual nos encontramos.

No texto  abaixo, seu depoimento para o Confins sobre como se informa no dia a dia para não perder o bonde, ele fala sobre usas previsões sobre o processo de “enredamento” da sociedade, os meios que utiliza para se informar do rádio à rede e sua ansiedade de estar perdendo alguma coisa, um stress comum a todos nós. O depoimento do Toninho está em itálico. Entre aspas jogando com o depoimento, trechos de uma entrevista dele sobre a rede para o Espaço Convergente. Isso depois do vídeo do Toffler falando sobre os novos paradigmas e dos desasfios que temos pela frente.

Para mim a informação é fundamental, pois como consultor de mídia entendo que passamos pela maior revolução que este setor já viveu. Evidentemente, a chamada Sociedade da Informação está mudando todos os hábitos de mídia e criando novos paradigmas.

Escrevi um livro falando sobre o tema em 98, o título Atração Global já identificava este fenômeno, mas também alertava para a criação das primeiras empresas globais de mídia, a propósito último setor econômico que ainda não se globalizou, produtos industriais, serviços e mercado financeiro já operam neste novo modelo.

 

Toninho Rosa: “A expansão da Internet no Brasil era altamente previsível, até porque o Brasil, e aí eu estou dizendo com base na minha teoria, o Brasil é o segundo maior país em mídia do mundo, só perde para os Estados Unidos. O Brasil tem um número de emissoras de televisão, de rádios, de jornais e de revistas altamente expressivo e tem um consumo muito grande também. Nós temos cinco redes de tv’s, os Estados Unidos só têm quatro redes, mesmo assim tem um enorme nível de audiência.

Começo o dia consumindo notícias pelo rádio,  meio imbatível para se acompanhar notícias nos dias de hoje. Tenho defendido a tese de que o rádio será o meio líder em comunicação, pela simples observação de que a população moderna é muito ativa. Permanecendo fora de casa praticamente o dia inteiro, noto facilmente que a que da de audiência da televisão, da circulação dos jornais e revistas refletem este comportamento. Evidente que o único meio de comunicação que pode ser consumido mantendo-se as atividades é o rádio; com ele é possível dirigir, trabalhar ou navegar na web. Para quem ainda não sabe, em SP o rádio já bate a TV em horas consumidas.

Toninho Rosa: “A convergência é um processo já iniciado e que tende a se aprofundar cada dia mais. Logo, o exercício do jornalismo e da propaganda passará obrigatoriamente por práticas, processos e estratégias que contemplem o cenário que se está desenhando, e que ainda me parece embrionário.”

Navego o dia inteiro por sites de informação, portais nacionais como UOL, Terra, G1, IG e sites de notícia, a exemplo da Folha, Estadão, Veja, Exame etc. Também navego por sites estrangeiros, principalmente no MailOnline, WSJ, NYT.  Também navego por sites de marketing e propaganda, Adnews (criado pela nossa empresa Dainet), MMonline, Propmark e Bluebus.
Jornais impresso apenas nos finais de semana, quando tenho mais tempo, mas também por ainda apreciar ler no velho e bom impresso.

Toninho Rosa: “Em linhas gerais, o espaço no impresso é limitado, e o da internet tem maior maleabilidade; o fechamento antecipado do impresso o “esfria”, enquanto a internet é sempre “quente”. Mas os princípios que norteiam a prática da propaganda e do jornalismo são (ou deveriam ser) os mesmos.”

No final do dia dedico o tempo para TV, procuro assistir todos os telejornais. Lamento pelo horário do Jornal da Band, pois estar em casa às 19:30h realmente é para poucos. Assisto o JN e o Jornal da Dez da Globonews.

Toninho Rosa: “O grande problema no Brasil é a falta de invenções brasileiras nas novas mídias. “Cadê os Googles? Facebooks? Twitters? Yahoo? Porque não conseguimos produzir um YouTube aqui? Nós temos um problema seríssimo educacional e empresarial no Brasil”. Essa á uma das carências que venho através de diversos estudos e ajuda de colegas tentando suprir.”

Durmo preocupado por imaginar que perdi algumas notícias e informações.

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