A brilhante síntese de McLuhan sobre a crise global

“A cultura literária é visual e separada (ou alienada). Ela cria o homem civilizado, o homem “destribalizado”. O homem que não está envolvido. E o efeito da Revolução Elétrica (esta que estamos vivendo) é criar novamente um envolvimento que é integral.

Por que de repente a arte a cultura se tornaram grandes negócios, como é a grande ciência?. Os motivos para isso estão relacionados com o fato de que vivemos em uma Era da Informação. Quando se vive em uma Era da Informação, a cultura se torna um grande negócio, a educação se torna um grande negócio, e a explosão da cultura através da explosão da informação torna-se cultura por si mesma, derrubando todas as paredes entre cultura e negócios”

E uma advertência: a crise está só no seu início.

Uma visão da crise e um alerta às elites

 A cultura literária é visual e separada (ou alienada). Ela cria o homem civilizado, o homem “destribalizado’. O homem que não está envolvido. E o efeito da Revolução Elétrica (esta que estamos vivendo) é criar novamente um envolvimento que é integral.
Por que de repente a arte a cultura se tornaram grandes negócios, como é a grande ciência? Os motivos para isso estão relacionados com o fato de que vivemos em uma Era da Informação. Quando se vive em uma Era da Informação, a cultura se torna um grande negócio, a educação se torna um grande negócio, e a explosão da cultura através da explosão da informação torna-se cultura por si mesma, derrubando todas as paredes entre cultura e negócios.

A crise brasileira reflete a morte da democracia representativa no Ocidente” e corremos o risco de assistir “a ascensão de democracias não liberais (uma plutocracia mundial) ou de ditaduras plebiscitárias escancaradas, nas quais o líder eleito exerceria controle tanto sobre o Estado quanto sobre os capitalistas“.

Fernando Henrique Cardoso, autor do artigo cujo título abre o lead deste, é o último estadista da nossa época. Em seu artigo aponta “as grandes transformações econômicas e tecnológicas, responsáveis pelo enfraquecimento dos Estados nacionais, em sociedades cada vez mais fragmentadas e expostas a tensões e desequilíbrios de uma crescente diversidade cultural”, como fatores críticos da crise.

Martin Wolf do Financial Times, autor da advertência sobre a ameaça que ronda todas as democracias ocidentais que fecha o lead deste artigo, é o mais arguto analista da imprensa econômica mundial. Faz anos que vem publicando periodicamente artigos chamando a atenção das elites globais sobre sua responsabilidade em relação à crise que estamos atravessando: instituições desajustadas, políticas econômicas concentracionistas, bancos cada vez mais especulativos e descontentamento global dos “perdedores econômicos”. Para ele, não foi surpresa a vitória de Trump  nas eleições norte-americanas, mera consequência (No final deste artigo, links para uma série de análises deste quadro do  Martin Wolf).

No início do ano, o caderno de leitura do Valor publicou uma entrevista do economista francês Robert Mayer na qual referendava tanto Fernando Henrique Cardoso quanto Martin Wolf. Mas, além disso, argumentava que, no plano teórico, o maior empecilho para superarmos a crise financeira é a “incapacidade da própria ciência econômica de explicar as razões da crise e solucioná-la com as ferramentas até então disponíveis em seus manuais”.

Faltou para os três, e acredito que é por isso que ninguém consegue explicar as razões da crise, uma análise da ruptura mais profunda que a sociedade humana sofreu em todos os tempos: a dramática mudança do seu ecossistema de informação de processos broadcast para processos em rede, a primeira descentralizada e sem controle da História da humanidade,  na qual cada um de nós está no centro, o que não contribui para a cooperação e colaboração. Ao contrário, polariza o debate social e fomenta uma sociedade narcisista e egoísta.

Harold Innis, economista canadense que começou sua vida acadêmica analisando a relação dos países periféricos com os centrais, se tornou a maior referência da escola de comunicação de Toronto em função de seus estudos das sociedades, dos impérios, em função da sua “estrutura de linguagem” (discurso, escrita, arquivo, distribuição). Da escrita na pedra, cuneiforme e a oralidade grega ao papel e à invenção da bobina e das rotativas, que marca o início da comunicação de massa. Tudo que veio depois foi basicamente aceleração e ampliação. Isso até o corte da rede, o marco de início da Era Elétrica, na qual o sistema de comunicação da sociedade é uma extensão do nosso sistema nervoso.

Innis, mentor de Marshall McLuhan, no livro O viés da comunicação, argumenta em síntese que “o tempo social é definido pela linguagem que restringe e fixa conceitos prévios e modos de pensar”. Tanto ele quanto McLuhan defendem a tese de que o que molda a sociedade é a forma como ela se informa, o ambiente tecnológico pelo qual ela se informa e não o conteúdo que ele carrega.

Robert Boyer na entrevista ao Valor, adverte que não podemos esquecer que a saída para a Grande Depressão de 1929 só foi possível depois da 2ª Guerra Mundial. Para ele, “o desafio é encontrar uma solução que leve em conta três fatores principais: a recuperação dos EUA, o dinamismo da China e o esgotamento dos recursos naturais”.

Bato nesta tecla desde os anos 80, influenciado por Fernand Braudel, o grande historiador da nossa época, que no final dos anos 70, numa entrevista de fôlego com o ponto de partida na primeira grande crise do petróleo,  fazia uma análise do quadro que vivíamos argumentando que aquela crise era só a ponta do iceberg, que estávamos entrando numa crise de longa duração, uma “onda longa”, os ciclos de Kondratiev. E ia mais fundo do que o Robert Boyer argumenta na boa entrevista ao Valor sobre o estado de “envelhecimento” e desajuste das instituições.

Para Braudel, o conjunto dos conjuntos das estruturas avançou à frente das instituições que regulam a sociedade, as do nosso tempo amadurecidas a partir das revoluções burguesas na Europa em meados do século 19. Na entrevista, argumentava que já nos anos 80 não sustentavam uma sociedade muito mais complexa, fragmentada e com uma dinâmica infinitamente mais rápida do que a da sociedade do tempo em que elas se conformaram.

Depois de uma rápida viagem pelos tempos da história e suas rupturas, terminava a entrevista dizendo que os políticos, os economistas, as lideranças dos processos institucionais iriam dizer que a crise iria passar. E comentava que estavam no papel deles, têm que passar esta mensagem para o público, mas a crise está aí para ficar. Ela terá seus ciclos, momentos piores e melhores, mas vai durar um bom tempo. A formação das instituições é um processo lento consequência de um amplo pacto social.

Isso foi bem no início dos anos 80. De lá para cá rolou o que sabemos até a emergência da internet, marcando o início da Era Elétrica, prevista e estudada por uma série de pensadores voltados para os impactos dos processos de comunicação na sociedade. Das trilhas do passado e suas possibilidades à velocidade da rede, a extensão do nosso sistema nervoso, e seus impactos em tudo nas nossas vidas e no arcabouço cognitivo dos indivíduos e da sociedade.

A crise política brasileira torna-se dramática neste contexto. Cabe às nossas elites se conscientizarem sobre este processo e liderar um movimento civilizatório que permita ao Brasil superar seu atraso secular em relação às questões referentes ao conceito de cidadania dos séculos 19 e 20 e avançar sobre este novo tempo investindo o que for necessário em infraestrutura tecnológica e educação. A Internet não é apenas um monte infinito de informações. Ela tem vida. Tem alma. Quando você entra nela e aprende a ouvi-la, com a devida atenção e cuidado, você aprende com ela, que reflete os anseios da sociedade. Não existem dois mundos: um analógico, outro digital. Um é a extensão do outro.

A alternativa é caminhar para o caos, com momentos de anomia e conflito social. Talvez sem caminho de volta.

 

Fracasso das elites é ameaça para o nosso futuro

Os perdedores econômicos estão se revoltando contra as elites

Tragam nossas elites para mais perto do povo

Uma elite à mercê daquilo que ela mesma criou

A ira populista deveria servir de alerta às elites do planeta

 

 

Na encruzilhada do futuro do presente

Durmo preocupado por imaginar que perdi algumas notícias e informações.

(post de 26 de outubro de 2012, às 15:19)

Todos nós vivemos com a sensação do Toninho, empresário  do setor de mídia e comunicação. Na bela definição de Alan Kay, tecnologia é algo que foi inventado depois que você nasceu. Por isso, nossa dificuldade de se relacionar com a internet, a rede, e seus predicados. Ela ainda não foi absorvida pelo nosso córtex, não pensamos com ela, não é uma extensão das nossas possibilidades. Mas não está longe o dia em que estar conectado –  viver no mundo envolvido (ou estendido) pela mais rica invenção do gênio humano, a internet, – será tão natural quanto respirar.

Na minha perspectiva, – a de um jornalista de 58 anos de idade que escrevia em máquinas de escrever, que chegou a transmitir matérias por telex e que reza pela cartilha de que os jornais foram (e deveriam trabalhar para ser no novo ambiente)  plataformas de articulação das comunidades em que estão inseridos, – a rede é o novo ecossistema da informação, da comunicação e dos processos de articulação da cidadania. E, é claro, a principal plataforma de publicação e de fonte de informações.

Foi esta perspectiva que me levou a pedir para o Toninho, estudantes, profissionais em início de carreira e outros com vasta quilometragem seus depoimentos sobre como se informam para ficarem ligados e não perecerem com a moribunda economia da era industrial. Abro cada um dos tópicos deste post com um extrato do depoimento deles, uma imagem com significados  e uma referência destes tempos confusos da mais profunda e dramática transição de uma época para outra que a humanidade enfrentou em toda a sua história. A rede é a infraestrutura do futuro, um novo ambiente, um novo ecossistema, que vai determinar a reformulação das instituições e de todo o jogo das práticas sociais, econômicas e políticas da nova sociedade que se está formando.

Lembro como se fosse ontem a primeira vez que acessei a rede, foi o exato momento em que a TV, o jornal e todas as minhas revistas se tornaram obsoletas.

Não sei se o Henrique concebe que vive num mundo onde a aquisição do conhecimento faz parte da navegação. Numa sociedade que se auto-organiza em sistemas que se parecem muito mais com a relação que encontramos na natureza do que com as formas rígidas e hierarquizadas da era industrial, na formulação genial e futurista de mais de 10 anos atrás do Nicholas Negroponte. Tenho a impressão que isso para ele é intuitivo e natural. Não é um corte como para  a geração dos que nasceram na época da educação enciclopédica e de modelos de negócios e ideologias estáveis.

Para o historiador Fernand Braudel, a História convive com o tempo passado, o tempo presente e o tempo futuro. Quando falo na moribunda era industrial, não significa que todo um conjunto de processos e arquiteturas de relações sociais, políticas e econômicas, que amadureceram e deram o tom ao século 20, acabou ou vai acabar de um dia para o outro. Como Avin Toffler aponta,  estamos vivendo a agonia do industrialismo e a sua substituição por uma ordem social e uma economia com base no conhecimento, radicalmente diferentes, com novos conceitos de sexo, raça e idade, novas estruturas familiares e novas formas organizacionais e culturais. Como diria McLuhan,  há uma excelente razão pela qual a maioria das pessoas prefere viver na era imediatamente anterior a elas: é mais seguro. Viver na vanguarda das coisas, na fronteira das mudanças, é algo apavorante.

E agora? Em primeiro lugar, há tanta coisa online que temos de esquecer tudo exceto aquilo que é realmente essencial. Tanto a sintaxe quanto a semântica do termo “essencial” (não apenas neste caso) ficam problemáticas.

Conheço  o Silvio Meira há pelo menos 20 anos. Faz muito tempo que ele se informa exclusivamente por meio da internet e propaga aos quatro ventos o fim dos tempos dos jornais. No seu recente texto sobre o processo de destruição criativa [ou criadora], que na visão de Schumpeter, é o processo pelo qual um conjunto de mecanismos [até então inexistentes] afeta equilíbrios até então existentes no mercado, causando um número de efeitos que eliminam, ao mesmo tempo, produtores [de alguma coisa], o que eles produziam [a coisa, em si] e práticas de consumo que, no mercado, geravam renda para os produtores…., ele (Silvio) argumenta mais uma vez nesta direção: os jornais estão mortos.

Numa super-simplificação (para ir um pouco  mais fundo, clique aqui) , para o economista (sociólogo e filósofo) Joseph Alois Shumpeter, o capitalismo se legitima porque, por meio da inovação e do empreendedorismo, promove  e fomenta  a geração de riqueza como nenhum outro  sistema, ao mesmo tempo em que dá à sociedade uma dinâmica na qual a sua arquitetura social está sempre em movimento,  elevando o nível de vida da base da pirâmide social.

Na época em que ele viveu, 1883 a 1950, este movimento se dava no tempo de vida de duas a três gerações (avô rico, filho nobre, neto pobre). Hoje, tempo da rede, o processo de destruição criativa é contínua. Quem para, morre. Isso é verdadeiro para todas as indústrias e todos os profissionais (será que também para as operadoras de telecomunicações, que detêm hoje mais poder do que a maioria dos Estados nacionais (esta é uma pergunta que gostaria que o silvio me respondesse. e a todos nós, é claro. é uma informação que o público precisa ter. e ninguém melhor do que o silvio para dá-la consubstanciadamente).

Mas, muitas vezes, recebo excelentes dicas de ouvintes e telespectadores da Band, entre tantos que me procuram (e que atendo sempre que posso).

Um dos motivos (não o único) que me levaram a trabalhar em torno de tecnologias de informação e novas possibilidades de interação do e com o público, desde 1988, foi a minha solidariedade com os jornalistas, especialmente os do Jornal da Tarde de meados da década de 70 até 88. Era uma redação brilhante, inovadora e corajosa. Tenho muitas saudades desta época, a mais divertida e muito rica em termos de aprendizado da minha vida profissional. Aprendi com eles, a geração do JT, que chegou à direção do jornal em meados da década de 70, o que é a profissão voltada para o jornalismo.

A empresa da minha família vivia em crises recorrentes. A única estratégia era cortar custos – suspender a circulação dos cadernos de classificados na edição nacional, depois na edição estadual , depois a estrutura de cooptação de informação nacional e assim por diante. Resolvi abandonar o meu sonho de vir a ser o repórter dos confins para empreender. Não me dei mal na Agência Estado, que foi uma referência para o jornalismo brasileiro na década de 90. Mas não me deram tempo para ir até o fim do projeto: da informação setorizada para a gestão de processos de relacionamento de setores da economia nacional por meio de redes sociais de nicho.

Fui foca do Mitre. Ele me ensinou que a função receptora (ouvir) é mais importante do que a emuladora (falar) na arte do diálogo para os jornalistas e para qualquer mortal. Tenho, como confesso acima, enorme respeito por todos os jornalistas que passaram pelo Jornal da Tarde, que está vivo nas milhares de histórias que nos contou (e contava história como ninguém).O Mitre foi o melhor de todos eles, o mais competente, o mais talentoso. Quando assumiu a função de editor chefe, representava a geração que tinha entrado no jornal com 17/18 anos. Os meninos que ajudaram a fundar o JT, em 66, tinham amadurecido, enriquecido seu conhecimento e assumiam o poder. A fase mais brilhante do JT foi durante a gestão desta geração sob a hábil condução do Mitre, que meu avô morreu pensando ser parente do Bartolomé Mitre Martinez, jornalista que foi presidente da Argentina entre 1862 e 1868.

 

Para me informar, costumo ler as chamadas de capa dos dois jornais que assino (Estadão e Folha) de manhã antes de ir para a faculdade de Relações Internacionais. Eles ficam sobre a mesa onde o café da manhã é servido. Sim, ainda sou adepta aos jornais impressos.

Compromisso com a verdade; servir o interesse público em primeiro lugar; monitorar os poderosos e oferecer voz aos sem voz; fornecer um fórum para comentário, crítica e compromisso; empregar um método ético de verificação; manter independência de facções; fazer notícias engajadoras e relevantes; manter as notícias abrangentes e proporcionais.

 Estes são os princípios fundamentais do jornalismo (versão da Nieman Journalism Foundation), dos jornalistas e dos empreendimentos ligados a esta atividade. Ontem, hoje e amanhã e que podem justificar a opção da Catrina , que é fruto de uma família  de jornalistas e com certeza uma exceção na sua geração. Mas num mundo em que os governos começam a olhar para plataforma abertas de aprendizado, em que Harvard, a Universidade mais antiga dos Estados Unidos, abre seus cursos para a rede e em duas semanas tem mais de 100 mil alunos inscritos, em que um grupo de investidores cria uma plataforma como a Coursera, na qual mais de um milhão de alunos de cerca de 30 países estão matriculados em cursos de dezenas de universidades norte-americanas, terá sentido o jornal como historicamente fomos aculturados? E a revolução no setor de educação está só começando. Esta indústria de trilhões de dólares também vai sofrer profundas mudanças, nos próximos anos, acelerando ainda mais a rzevoluçaõ  que estamos sofrendo.

 

Gostaria de melhor representar a sociedade moderna, mas não é o caso.  Obtenho minha dose de informações diárias consultando um jornal impresso e suas ramificações online: o New York Times.    

Corajoso é o homem que questiona se há futuro para dirigentes de empresas de mídia, quando está à mesa com três dos maiores líderes deste setor. Com esta afirmação, a ZDNet UK abria uma entrevista com o Andrew Lippman, pesquisador MIT – Media Lab , em 2006, sobre mídia aberta, software livre e direitos autorais. Lippman tinha participado uma semana antes de uma mesa redonda com os principais executivos da MTV NetworksSaatchi and Saatchi e Magna Global Worldwide. Nesta entrevista, argumentou que em breve os próprios consumidores poderiam criar e publicar seu conteúdo, com a mesma facilidade das grandes distribuidoras de mídia; em tais circunstâncias, qual seria a necessidade de um grande executivo de uma empresa de mídia, ou mesmo de empresas de mídia em si?

Lippman liderava os programas Viral Communications e Organic Networks, no MIT – Media Lab, no início deste século. Na justificativa do Viral Communications ele argumentava: As comunicações estão prestes a se tornar características pessoais e embutidas no mundo que nos cerca. As novas tecnologias nos permitem construir dispositivos com e sem fio, que são cada vez mais instalados e presentes, praticamente sem limites. Não precisam de um backbone ou infraestrutura para funcionar. Ao invés disso, utilizam vizinhos para improvisar tanto a distribuição de bits como a geo-localização. Isto redistribui o domínio das comunicações, de um provedor integrado verticalmente, para o usuário final ou dispositivo final, segregando a distribuição de bits e os serviços.  As comunicações podem ser tornar algo que você faz, ao invés de algo que você compra (e aí Silvio Meira? você ajuda a gente a entender porque o Andrew Lippman parou de bater nesta tecla tão cara às operadoras de telecomunicações?).

 

Recebo também vários informativos por email, principalmente de centros de estudos internacionais, como Stratfor e Ifes, que além de análises incluem também notícias do dia.  Nos fins de semana, leio o Estado nas Digital Pages ou compro na banca e ouço bastante rádio, quando estou dirigindo. 

Três de anos atrás, nem 50% das 500 maiores empresas listadas pela revista Forbes usavam alguma ferramenta de mídia social para atuar na rede. Hoje, a proporção é a apontada no gráfico acima. 94% usa alguma ferramenta e mais de 58% percebe a utilidade. Isso não quer dizer que elas estejam estruturando suas redes sociais por meio destas ferramentas. São poucas as que fazem isso, apesar de que  as que estão estejam tendo resultados fantásticos. É o natural conservadorismo das estruturas de poder da velha economia.

Fazendo contraste com este comportamento das empresas, Lourival Sant Anna sem dúvida um dos melhores repórteres do mercado, tem corrido o mundo para trazer para as páginas de O Estado de S Paulo as questões mais diversas dos  mais diferentes pontos do globo. Ele sozinho  tem o peso informativo de uma rede social. Usa a internet também (como vocês verão no seu depoimento de como se informa no seu dia a dia), mas com a propriedade dos jornalistas veteranos que não pararam no tempo. Vai direto aos pontos em que tem interesse e que precisa acompanhar continuamente para fazer o seu trabalho, que é nos informar com começo, meio e fim, dando o contexto e apresentando alguma perspectiva.

Mesmo tendo o café e o jornal à mão, começo a minha rotina passando os olhos pelos meus emails – na maioria das vezes, algum amigo enviou um link para alguma matéria recomendada. 

 Walter Bender dirigia, em 92 no  MIT – Media Lab, o programa News in the Future, que no decorrer dos anos se transformou no Information: Organized e depois no Simplicity. Ele era um entusiasta das oportunidades que os jornais viriam a ter com a emergência das TICs. Não podia imaginar que o conservadorismo destas empresas e uma certa arrogância, que as faz se imaginarem (junto com seus profissionais) intelectualmente superiores aos meros mortais, iria  impedi-las de mergulharem nas peculiaridades da rede, a principal delas o agoritmo que permite que se criem comunidades sobre comunidades a partir do nada. Também por isso, estas empresas, estão ameaçadas de perder o bonde da história.

Bender foi adiante, está conectado com a História. Em 2004, fundou com Nicholas Negroponte e Seymour Papert a OLPC. Entidade sem fins lucrativos com a missão de  projetar, fabricar e distribuir laptops que sejam suficientemente baratos para proporcionar a cada criança do mundo acesso ao conhecimento e modernas formas de educação. Projeto, que entre outros resultados, inverteu o drive de investimentos das empresas de hardware que até então só pensavam em máquinas cada vez mais caras. Hoje, é diretor do Sugar Labs que desenvolve o sistema operacional do  XO, o laptop da plataforma de educação da OLPC. E, apesar  da arrogância dos jornais, continua tendo eles como sua primeira leitura. 

Não costumo ler jornais impressos com frequência, nem assistir aos telejornais da televisão, acredito que a Internet supre todas as necessidades de ler jornais ou assisti-los, pela quantidade de informações que são disponibilizadas.

Victor Barros é um garoto que estuda no Colégio Graham Bell, dirigido pela educadora Denise Villardo, que desde o início deste século se deixou fascinar pelos processos de redes sociais. Muito antes, portanto, de o público atuar na miríade de ferramentas/mídias que temos hoje a disposição para estruturar nossas redes sociais na internet e também antes de a mídia tradicional tachar ferramentas como o Facebook, uma ferramenta, como a maior rede social. Victor não quer conversa. Ele se informa na rede e ponto. Além de tudo, diz ele, na rede tem acesso a mais opiniões, não fica na mão de ninguém (cá comigo tenho minhas dúvidas se esta manipulação não é mais variada e sofisticada na rede, onde todo mundo é consultor, especialista em auto-ajuda, jornalista cidadão e outros bichos. É claro que há profissionais e cidadãos sérios (e não são poucos) na rede atuando com propriedade, mas qualquer ambiente de informação está aberto à manipulação).

Foi só parar para pensar na sua pergunta – sobre como me informo – que, descobri, ela é muito mais complexa de responder do que achei no primeiro momento. Por isso mesmo, é uma pergunta instigante.

Quem fala sobre a complexidade da pergunta (como se informa para ficar ligado no seu dia a dia para não perder o bonde), neste mundo onde tudo é social, é o Pedro Doria. Como eu e diversos outros deste post, que por vício da minha origem tem mais jornalistas do que deveria ter, ele vive mergulhado, entupido de informação desde o tempo do NO, que ele editava para uma série de figurões que escreviam para este site de relevância no início da internet no Brasil. Hoje, é editor executivo e colunista de tecnologia do jornal O Globo, além de colunista do Jornal das Dez, da GloboNews. Como ele diz, pertencer a este nosso tempo é parte do trabalho.

Uso uma combinação de Flipboard e Twitter para me atualizar nas tendências, além do Google Alerts para reunir informações que possa estar monitorando. Sempre que surge um novo sistema – seja Currents ou Zite – eu o testo, que é mais uma maneira de me manter atualizado sobre como devemos desenvolver novos sistemas para ficar à frente das coisas. 

John Maeda é design gráfico e um monte de outras coisas, além de genial e cativante numa conversa pessoal ou numa apresentação (How art, technology and design inform creative leaders). Apesar de todo o seu trabalho estar relacionado com o processo de enredamento da sociedade que estamos vivendo, ele sempre lembra – como todos nós sabemos – que nada substitui o contato pessoal, olho no olho, pé de ouvido.

Prefiro o básico, quando o assunto é obter informações pela internet. Mais do que nunca, sinto que meu tempo é precioso, e não quero perder tempo procurando novas coisas.  

Se a educação é essencial, os sistemas educacionais estão em xeque, argumentava David Cavallo nos seminários que serviram para preparar a vinda do Nicholas Negroponte ao Brasil, em julho de 2005, para propor um projeto para revolucionar nossa educação (e a do mundo).  É crucial promover a criatividade e a invenção na sala de aula. O ambiente criativo torna as crianças mais interessadas. Deve-se abandonar posturas tradicionais no modo de ensinar (separar as crianças por faixa etária, por exemplo, ou desconstruir e fragmentar os conteúdos).

David Cavallo, pupilo de Seymour Pappert , que na década de 60 já desenvolvia projetos com tecnologia e educação na África, elegeu o  Brasil como seu segundo lar. Foi ele, o grande articulador do projeto de educação da OLPC por aqui. Em junho de 2005, Walter Bender e David promoveram dois seminários para apresentar o projeto para o PSDB, no iFHC, e para o governo do Lula, no NAE. A relação com o PSDB não evoluiu. Lula recebeu Nicholas Negroponte e Seymour Pappert  no mês de julho. Criou um grupo de trabalho, liderado por Cezar Alvarez, para consubstanciar e validar o projeto. Deste processo nasceu o programa Um Computador para Todos e o UCA, Um Computador por Aluno.

Precisamos, assim, assumir o papel de um Noé do novo século, selecionando espécies significativas de informação, colocando-as na nossa arca e com isso sobreviver no mundo do entendimento, da interpretação, da reflexão, o que é essencial para os nossos estudos e até negócios.

Se não inovarmos, não conseguiremos sobreviver, não aproveitaremos as oportunidades que aparecerem, seremos ultrapassados pelos concorrentes. Para assumirmos o papel de um agente de inovação em rede, entre outros fatores necessitamos de informação de qualidade, no momento exato. Um dos fatores que nos impede que nos apropriemos da informação, é a sua própria abundância. Richard Wurman autor americano, mesmo antes da internet estourar, já prévia a síndrome dos nossos tempos, a Ansiedade de Informação, um componente do stress do dia a dia das pessoas, o buraco negro entre os dados disponibilizados e o conhecimento.

 Antônio Mendes Ribeiro, responsável pela afirmação acima, é professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e o internauta com mais didática para ensinar aos inciantes os meandros e sutilezas da rede. Ele contribuiu para a estruturação do projeto TEIAmg – Tecnologia Empreendedorismo e Inovação Aplicadas -, que realizamos em Minas Gerais, sob a liderança do então secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Portugal. O TEIA é até hoje o maior projeto de crowdsourcing do Brasil, fomentou inovação em mais de 600 municípios mineiros e criou cultura de rede em diversas instâncias do governo mineiro.

Leio mais livros impressos do que nunca …. poque tenho pouco tempo. E durmo com o iPhone na mesinha de cabeceira, meu despertador e minha nova caixa de pandora informativa.

La transición digital de los medios impresos no es fácil pero tampoco imposible. Si se ponen los medios. La gente. Y los recursos. Por ejemplo, los desarrolladores. Profesionales que hasta ahora trabajaron confinados en los departamentos de IT. Aislados de las redacciones. Como si fueran unos apestados. Cuando en realidad son unos virtuosos de los lenguajes multimedia imprescindibles. Pongámoslos a trabajar codo con codo con el resto de periodistas. Porque no trabajan “para” nosotros sino que son “como” nosotros. Hacen periodismo por otros medios. Como los diseñadores. Los fotógrafos. Los infografistas. O los ilustradores. Que también son periodistas. Y no esclavos de los plumillas. 

Juan Antonio Giner, autor da confissão de escravidão ao iPhone e do texto acima, é um apaixonado pelo meio jornal. Não interessa em que mídia. Analógica ou digital. Dá o devido valor ao papel institucional do jornal como plataforma de articulação da comunidade em que está inserido, sem menosprezar a obrigação das empresas que os abrigam em se abrirem a todas plataformas que as tecnologias digitais proporcionam para diversificar seus serviços e relacionamento com a sociedade. Desde o final da década de 80, por meio do que é hoje a Innovation in Newspapers, desenvolve este trabalho evangelizador juntos às centenas de tradicionais empresas jornalísticas que contrataram  os serviços desta consultoria apontada pelo Financial Times como a McKinsey da indústria da informação, anos atrás.

No cotidiano, do começo ao fim do dia, as informações mais relevantes eu conto que as pessoas de convívio me tragam, via email ou presencialmente.

Já que me inflamei tão solenemente com o papo, vou encerrar com uma homenagem ao inventor da WWW, Tim Berners-Lee, citando a frase com que ele termina seu livro, Weaving the Web, editado pela HarperSanFrancisco no fim do ano passado: “A experiência de ver a Web decolar através do esforço de milhares de pessoas comuns me dá a esperança de que se tivermos a vontade individual, nós podemos fazer deste mundo, o que quisermos. Tesão, né ? Vamos nessa, amigo. É bom estar com você nessa parada.

 Ricardo Guimarães  inventou o branding no Brasil. Era um homem de rede muito antes da rede.

Ao longo do dia, basta o Twitter para me deixar absolutamente atualizada. 

A grande questão que se coloca é saber se é possível uma empresa de comunicação ter um modelo de negócio baseado em redes sociais, em agenciamentos. Hoje, os jornais simulam o crowdsourcing. Não fazem parte dele. Como seria sua interface, uma vez descoberto esse modelo? Manteria a tradição ou romperia como fez corajosamente Bill Paley ao assumir a CBS ?  Até agora, a história mostra que na Web as reformas se alternam entre colocar e tirar fios (ó você aí, Leão Serva).  Mesmo aqueles que ganham dinheiro com o protocolo de Berners-Lee ou com aplicativos. (Lucina Moherdaui)

Quem, o quê, quando e onde é uma commodity hoje no jornalismo, graças à riqueza das informações que encontramos na rede a qualquer momento. Não tem mais valor como mantra para o repórter. Luciana Moherdaui sabe disso e está muito adiante na procura cotidiana  de contexto e perspectiva, na tentativa de relatar como, por que e o que significa, que deveria ser a nova missão dos jornalistas e das empresas jornalísticas na sua relação cotidiana com o público, com o objetivo também de fomentar a criação de comunidades ao redor das notícias e informações. Sua tese de doutorado em comunicação é uma referência para quem não quer se afogar na rede .

 

No mais, entendo que a informação está em toda parte, o tempo todo, e não reconheço mais nenhum meio ou veículo específico como A minha fonte. Funciono hoje como um radar e, mais importante, validando tudo o tempo todo.

Bob Wollheim, CEO da Appies.com e Sixpix, está na lista dos 50 profissionais mais inovadores do mercado digital brasileiro.

 

O fato de escrever o tempo todo me mantém ligada a tudo o que é online, mas ainda não consegui aderir ao Twitter. Sou “analfabeta” em Cultura, mas simplesmente adoro o tabloide EU & FIM DE SEMANA do Valor. Ainda uso o velho e bom PC, iPad e Blackberry.

Várias forças globais alteraram aos poucos, às vezes de maneira quase sub-reptícia, o mundo conhecido. A mais visível para quase todos nós, de maneira quase diária, tem sido a adoção cada vez mais intensa de novas tecnologias….Estas novas tecnologias não só descortinaram novos horizontes para as telecomunicações de baixo custo, mas também facilitaram avanços em finanças, que ampliaram em muito nossa capacidade de direcionar poupanças escassas para investimentos de capital produtivos, fator crítico para a rápida expansão da globalização e da prosperidade (gostaria de ler uma análise do Alan Greenspan sobre operações com derivativos e hedges e não uma reflexão no rastro da exuberância irracional como este extrato da introdução do seu livro Na Era da Turbulência, que não dou o link porque não merece).

A primeira mercadoria a se globalizar totalmente foi o capital, em função do contínuo desenvolvimento do comércio e como consequência da exponenciação dos processos de interação social que a rede permite e fomenta. Nunca tive a oportunidade de conversar com a jornalista Angela Bittencourt sobre este processo, apesar de ter trabalhado com ela durante muitos anos. Gostaria de conhecer a opinião dela sobre a visão do Greenspan, antes da crise de 2008: nas últimas décadas, a economia americana se tornou mais resiliente a choques. A desregulamentação dos mercados financeiros, a maior flexibilidade dos mercados de trabalho e, mais recentemente, os grandes avanços das tecnologias de informação aumentaram a nossa capacidade de absorver rupturas e de nos recuperarmos do choque. É isso ou o problema é a incapacidade das autoridades monetárias em todo o mundo regulamentarem um mercado conectado em tempo real, Angela?

você sabe, a pressão por informação começa cedo para mim. Faço o “Começando o Dia” na CulturaFM  a partir das 8 hs. da manhã de 2ª a 6ª . Às 6 hs. estou na rádio e tenho uma hora e meia para escrever o programa.

Organizações jornalísticas devem continuar a fornecer notícias para indivíduos e conhecimento enciclopédico sobre suas comunidades. Mas também devem reconhecer o papel dos consumidores como produtores. O futuro do setor é tanto de construção quanto de consumo. O impacto de “ser digital” é a emergência de uma nova relação entre editores e seu público: tornar as notícias mais relevantes ao construir conexões entre fornecedores de notícias e consumidores…. Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação. (Walter Bender, num texto para a ANJ, Associação de Jornais do Brasil, em 1999)

O jornalista Alexandre Machado  é mais um escravo da informação. Madruga todos os dias para entrar no ar no seu Começando o Dia, na CulturaFM, com notícias frescas. Tem consciência de que a notícia não acaba quando é difundida. O verdadeiro ciclo da história começa aí, quando o público levanta questões, acrescenta fatos e corrige erros, levando a uma nova perspectiva mais próxima da verdade. Como todo bom jornalista (aqueles que não são caga regras, metidos a autoridade, guardinhas de trânsito), é um missionário desta verdade absoluta.

Mas também gosto de ler jornal impresso, ver os telejornais, pois sempre, em cada um, percebemos um ponto de vista diferente dos demais.

Nosso Colégio tem como foco principal o Ensino Técnico, nos níveis Médio e pós-Médio, nas áreas de Informática, Telecomunicações e Eletrônica. Participamos de Projetos em parceria com outras Instituições – públicas e privadas – das Áreas já mencionadas, com elaboração de materiais pedagógicos específicos; atendimento a demandas das empresas, (re)qualificando profissionais – e atuação docente. Nossa organização se dá através de uma Cooperativa de Profissionais de Ensino, criada em março/2004, para administrar o Colégio Graham Bell. Contamos, atualmente, com cerca de 40 profissionais cooperados. Esses profissionais organizam-se por meio das Coordenações Pedagógica; Administrativa e Projetos e Parcerias estratégicas. É nosso interesse, também, fomentar continuamente discussões na Área da Educação. Nesse momento, o Peabirus para nós é mais do que uma Rede de Relacionamentos, ele passa a fazer parte do desenvolvimento pedagógico/curricular de nossos alunos. 

Clarissa é mais uma estudante adolescente que teve a sorte de encontrar a Denise Villardo no colégio Grahm Bell, no Rio de Janeiro. Denise também vê a rede como a nova plataforma de articulação da sociedade. E trabalha isso na escola: Nossa primeira proposta de atividade é que vocês se apresentem utilizando a web, ou seja, quero conhecê-los mais profundamente através dos links dos sites que vocês gostam de utilizar, ou que são referência para vocês. Podem postar também vídeos, fotos ou outras apresentações que queiram fazer. (Dêem uma olhadinha nos links que eu já coloquei, para também me conhecerem melhor).

Minha “receita de informação” tem a maior cara de  cross media, ou de convergência, ou similares…

Mais que isso. Algumas coisas vão acontecer no ciberespaço, mas várias outras coisas estarão digitalizadas e vão envolver a lógica digital, de trocas, de bits. Um jornal impresso, hoje, se faz com meios digitais. A lógica digital é o grande chapéu do processo de comunicação. Uma parte do processo é o meio digital puro. Relacionamento com o público: o que vai fazer a diferença é se a relação é unilateral, bilateral, multilateral. O que vejo hoje é que se delimita o relacionamento no mundo virtual como se ele não se misturasse com os demais. Não acredito nisso. Tem que se misturar. Se você se propõe a entrar nas redes sociais, e abrir conta no twitter, no facebook, esse processo vai desembocar em outros processos não são tão virtuais assim. Existe toda uma integração que ainda não está clara. As pessoas acham que o que está no virtual ficará no virtual. Mas não é assim (ver mais aqui).

Conheci a Beth Saad quando armava a aventura abortada da Agência Estado. Na época, ela ainda não era Diretora de estratégias digitais da Digital Happenings, e professora titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP. Se não estou enganado, estava se preparando para seu doutorado. Como tantos outros ficou fascinada com projeto AE, que a partir de uma plataforma, a Broadcast, lançada em 92, para levar informação em tempo real para o mercado financeiro,  tinha como objetivo chegar a um modelo de negócios baseado em gestão de relacionamento e não em distribuição de informação. Ela nos acompanhou muitos anos em diversas viagens de prospecção (na verdade, sempre como coparticipante do projeto), que sempre passavam pelo MIT – Media Lab, pelo mercado norte-americano. Hoje, na academia, é uma personagem referencial do mundo digital, uma extensão natural do analógico.

O Grande problema hoje é a questão “Urgente x Importante”. A internet aumentou a rapidez de transmissão das notícias supostamente Urgentes, que eu preciso saber.

As sociedades sempre foram mais moldadas pela natureza dos meios usados pelas pessoas para se comunicarem do que pelo conteúdo dessa comunicação. Todas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física. A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. As roupas são uma extensão da pele. Circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central. (McLuhan) O que é informação e o que é informação na expressão “tecnologia da informação?

A pergunta não é  para você, Stephen Kanitz. É uma provocação para uma reflexão sua e de todos nós. O que é informação e o que é informação na expressão “tecnologia da informação”? O sentido medieval de informare guardava a conotação clássica de moldar ou formar a matéria pela ação do artista, mas dirigida então à possível ação humana de aplicar ensinamentos em ou para a formação interior de um indivíduo. Para alguns autores, como Rafael Capurro, esta noção não teria mais o peso de seu significado original no entendimento atual da noção de informação (aqui, este texto na íntegra).

Vigio, ainda, a guerra dos blogs. Os chamados progressistas e os de direita. A maioria não me agrada. 

Uma nova economia surgiu em escala global nas duas últimas décadas. Chamo-a de informacional e global para identificar suas características fundamentais e diferenciadas e enfatizar sua interligação. É informacional porque a produtividade e a competitividade de unidade ou agentes nessa economia (sejam empresas, regiões ou nações) dependem basicamente de sua capacidade de gerar, processar e aplicar de forma eficiente a informação baseada em conhecimentos.

O texto, Marcia, é do Manuel Castells. O extrato está na pág 87 da edição da Paz e Terra do A Sociedade em Rede e me faz pensar no se faz sentido neste novo mundo que está emergindo esta classificação, direita e esquerda, do século passado: É global porque as principais atividades produtivas, o consumo e a circulação, assim como seus componentes (capital, trabalho, matéria-prima, administração, informação, tecnologia e mercados) estão organizados em escala global, diretamente ou mediante uma rede de conexões entre agentes econômicos. É informacional e global porque, sob novas condições históricas, a produtividade é gerada, e a concorrência é feita em uma rede global de interação. E ela surgiu no último quartel do século XX, porque a Revolução da Tecnologia da Informação fornece a base material indispensável para essa nova economia. É a conexão histórica entre a base de informação/conhecimento da economia, seu alcance global e a Revolução da Tecnologia da Informação que cria um novo sistema econômico distinto…

A Wired é uma das poucas revistas que ainda leio regularmente no papel. Assino a Technology Review e o New York Review of Books no Kindle.

Enquanto a linha de montagem do processo industrial acelerou o processo de produção, ela também embutiu os trabalhadores mais profundamente dentro da máquina de manufatura corporativa. De fato, essa foi a grande inovação da fábrica do século XX: as máquinas, ao invés dos trabalhadores, impulsionavam a produção. Com o código aberto, as pessoas estão de volta ao poder. Através da colaboração distribuída, uma legião de trabalhadores pode atacar um problema, todos de uma vez. A velocidade é ainda maior – mas a liberdade também. É uma indústria de vilarejo em ritmo de Internet. É um trecho do artigo Código Aberto em Toda Parte, do Thomaz Goetz, publicado na Wired em novembro de 2003, Renato (o texto, meu caro, que também me fez leitor desta revista. estamos longe do sonho, mas estamos  navegando. a íntegra está neste link).

Na verdade considero o jornal o veículo mais abrangente e mais agradável de se manusear

Jamais  ousei imaginar que tinha o direito ou o dever de formar a opinião pública do meu Estado. Tudo o que fiz na minha vida foi procurar sondar  a opinião pública e me deixar levar tranquilo e  sossegado pela corrente que me parecia mais acertada. (Júlio Mesquita 1862-1927, na foto na redação de O Estado o 1º a esquerda)

Um presente para você, Renné. Um pouco da história do pai do jornalismo do século 20 no Brasil, que como você pode ver acima, tinha uma cabeça de rede no século 19. Se ele tivesse nascido na nossa geração, estaria atuando no jornal de papel e na rede com a mesma intensidade. O texto que se segue é do historiador Jorge Caldeira (aqui, a íntegra). O exercício desta combinação entre isenção e engajamento, no entanto, se baseia numa arte de equilíbrio: supõe tolerância e capacidade de distinguir a todo momento entre o desejo, sempre grande, e sua possibilidade de realização, sempre limitada. Exige também uma modéstia básica: jamais se pode acreditar que os princípios se realizarão plenamente, e eles devem ser sempre submetidos à realidade dos fatos (tenho ele, meu bisavô, como referência de jornalismo/rede – possibilidades de interação do e com o público – desde sempre)

recentemente tenho adotado resumos diários do conteúdo mais trocado/repassado pelas pessoas que eu escolhi seguir no twitter. isso me faz sentir menos por fora daquilo que supostamente é importante neste que é o meu principal campo de atuação. 

O profissional se torna o veículo – jornalistas já estão usando a plataforma de diversas formas: para divulgar notícias em primeira mão, para encontrar fontes de informação e para monitorar a repercussão e os desdobramentos de suas matérias e de veículos concorrentes. É uma ferramenta que em pouco tempo se tornou vital para a realização de reportagens e ainda – muito especialmente – para promover a aproximação entre leitores e veículos, mas essa novidade também está provocando tensão nas redações. O texto é do Juliano Spyer, que está mergulhado em antropologia digital para nos ajudar a perder o medo do abismo no fim dos mares: Há anos empresas são pressionadas a participar da “revolução digital.Elas investem em ambientes sociais pela promessa de usufruir da “colaboração nas redes”. Não refletem sobre a pertinência do projeto para seu público e, quando a iniciativa naufraga, escondem o resultado e tentam de novo. Veja mais aqui.

Last but not least, pessoas são sempre uma fonte inesgotável de informação. Então conhecer e conviver com muitas pessoas é muito bom para ficar informado, além de ser divertido. 

Marion Strecker não cita Humberto Eco no seu depoimento, mas suas reflexões sobre o excesso de informação numa entrevista à revista Época completam muito bem as ilações dela: A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais.

O que parece é que depois que montar esse “aparato na nuvem” eu não procuro informações e notícias, mas sim elas vêm até mim. 

Sergio Parreiras Pereira, Engenheiro Agrônomo, Mestre em Fitotecnia e Pesquisador Cientifico do Instituto Agronômico – IAC, Coordenador do Núcleo de Manejo da Lavoura Cafeeira do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café é o mediador da Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, na plataforma Peabirus, que na prática é a base da Rede Social do Café. A rede congrega o sistema agroindustrial do Café.

O Sergio poderia dar aula para muitos jornalistas sobre como montar um “aparato na nuvem” para fazer as informações e notícias chegarem até eles afim de que as processassem e as levassem ao público. É o que ele faz com maestria, modéstia e humildade na sua comunidade do Peabirus, que na prática se transformou na principal landing page desta fundamental rede de informações para o setor.

Desde que me mudei para Santos, assino A Tribuna, para acessar informações locais e leio outros jornais distribuídos nas ruas com notícias da cidade.

Supõe que sou (Rodrigo Svazoni) um tipo encantado com o papel do artista engajado, como Gil, Chico e Caetano, que não se recusavam a subir gratuitamente num palco para manifestar suas posições em relação ao mundo…

Supõe que estamos em 2012, já na segunda década do século 21, que as pessoas estão conectadas por redes e dispositivos digitais e que essas tecnologias fortalecem a possibilidade de acelerar as relações e os processos políticos;

Supõe. Apenas supõe.

O The Guardian é uma fonte constante de informação, já que, acredito, eles têm um trabalho excelente na internet. Realmente, estão pensando em novas formas de se fazer jornalismo, ao contrário do que vem sendo feito no Brasil.

André Oliveira, jovem jornalista, tem razão: o The Guardian, jornal inglês fundado por John Edward Taylor, é um dos jornais mais audazes na rede. Envolve seu público na elaboração  de matérias, cria espaço de interação, analisa a crise dos meios impressos som seriedade,  é uma referência. Hoje, o jornal é propriedade do Scott Trust Limited, que foi criado para manter sua independência e sua linha liberal. Vem operando no vermelho há alguns anos.

Tentar compreender a repercussão da notícia em universos sem jornalistas e  políticos é tão importante quanto buscar informação. É uma receita que uso para não perder o sentido do meu trabalho. 

Hoje o conhecimento não está mais concentrado em certos locais como antigamente ( bibliotecas, enciclopédias ). Ele está fragmentado por todo lado ( nas redes ). Para conhecer necessitamos da habilidade de conectar, recombinar e recriar. Podemos fazer isso em várias mídias (escrita, áudio, vídeo ) e vários contextos ( blogs, redes sociais ). As pequenas peças do conhecimento, espalhadas pela rede, podem ser recriadas de forma personalizada, de forma a darmos significado próprio às mesmas.. Na medida que estamos debatendo, colocando nossas idéias, podemos combinar e recriar o conhecimento de várias maneiras, da forma que desejarmos, sem ficarmos restritos ao nosso campo de atuação. Qualquer peça do conhecimento que adquiramos tem valor no momento dessa aquisição, em função da nossa habilidade de trabalhar com a mesma: reconhecer o seu valor, refazê-la, combiná-la, estendê-la (do professor Antonio Mendes Ribeiro).

Leonencio NossaAli morava a matriarca da família, uma senhora de 93 anos. “É uma pena. Se você tivesse chegado cinco meses antes, falaria com mamãe. Ela não conversa mais”, disse Oneide, filha dela. Tatá, a matriarca, sofrera um derrame. Era a pessoa que eu buscava para conhecer a história da espada que fascinava gerações de ribeirinhos. Ao longo de dez anos de pesquisas sobre a Guerrilha do Araguaia passei a enxergar na arma um possível elo do conflito que envolveu o Exército e os militantes do PCdoB, nos anos 1970, com outras disputas na região.  

Prefiro plataformas hierarquizadas e “curadas” à agregadores.

Não sei se o José Papa Neto gosta e conhece das diversas ferramentas de curadoria (gosto muito do Scoop.it) que estão surgindo em torno da rede. Estas ferramentas junto com as de monitoramento das mídias sociais vão com certeza levar o entendimento da Web a um outro patamar por boa parte das pessoas que consideram a conversação global uma balbúrdia. O problema, ainda mal percebido e mal explicado pelo e para o público, é que, além de transformar cada um de nós em publishers, a rede exige que sejamos os editores das nossas receitas informativas no dia a dia, não se deixar levar pela confusão, saber escolher os caminhos. É um dos papéis que cabe aos jornalistas, organizar o caos para seus leitores. Mas mesmo nesta categoria de profissionais são poucos os que acharam o caminho.

Em pouco tempo todos os meus amigos, parentes, colegas de trabalho, autores dos meus blogs favoritos, instituições, o governo, governantes e candidatos, e até pessoas públicas que admiro, todas elas, passariam a compor um grande filtro de relevância para mim! Viraram meus editores chefes! Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação!

Se eles nasceram em 85, em 95 estavam jogando na lan house. Então os professores novos que estão entrando agora, eles são games, eles nasceram na era da internet. Nós durante algum tempo vamos ver saindo da escola por aposentadoria, por migração, porque vão passar para administração simplesmente, a geração não games, a geração de não web, a geração excluída digitalmente… Para mim isso vai revolucionar a escola ao seguinte ponto, assumindo a mesma de 1985, e assumindo que a gente vai ter um presidente da república com 40 anos de idade em 2025, ele terá sido game também. Ele vai ter vindo de um laptop de classe média ou de classe rica, sei lá, ou vai ter vindo da lan house, mas em 2025 (Silvio Meira).

 Mariana S. Oliveira é de uma geração um pouco mais velha, mas sua perspectiva é da geração que o Silvio fala. Os processos (São Paulo hoje e no século 18, na imagem) não param.

Por fim, sempre tem aquele elemento do acaso. Sem planejar a gente cruza com alguém lendo algo interessante. Fico sempre de olho nos jornais e livros dos outros no metrô…

O jornalismo tem sido uma palestra – nós passamos as notícias para vocês, e vocês acreditam ou não. O processo agora está tornando-se algo parecido com um diálogo; e a primeira regra do diálogo é ouvir. Os jornalistas não teem sido especialmente habilidosos neste aspecto, embora na época que eu escrevia sobre tecnologia no Vale do Silício, na Califórnia, em meados dos anos 90, rapidamente tomei consciência que meus leitores sabiam mais que eu. Isto, em si, não é ruim; representa uma oportunidade para fazer um jornalismo melhor. (Dan Gilmor, no seminário O Nascimento da Mídia Cidadã, 2006)

Lembro de um texto do Ivan Illich, que li há muitos anos, no qual ele dizia que um dos segredos para se realizar na vida era se manter aberto ao acaso, Magda. Não se fechar às suas verdades nem se submeter ao peso dos anos. O acaso está nas ruas e na rede. Podemos cruzar com pessoas nos dois ambientes Quando pedi para todos que estão aqui um depoimento sobre como se informam, um dos objetivos era abrir uma discussão, uma conversa, sobre isso tendo em perspectiva a rede, que é para muitos de nós algo intrusivo, não amigável por ser muito novo. Você concorda?

Para terminar, dou uma olhadinha no Instagram, afinal, é sempre bom estar perto das pessoas que você gosta ou admira, mesmo que do outro lado do mundo.

A geração de ideias é um processo colaborativo, o Conrado está nesta viagem. É  de uma geração mais nova . Vai gostar desta citação do professor Ladislaw DowborNão por opção ideológica ou fundamentalismo de qualquer cor política, mas pela natureza das ideias. A internet não teria surgido sem as iniciativas dos pequisadores militares do DARPA, mas se materializou como sistema planetário através do www criado pelo britânico Tim Berners-Lee, que não o teria criado se não fosse o processo colaborativo do centro europeu de pesquisas nucleares (CERN) onde tinha de fazer conversar pesquisadores de diversos países e gerar sinergia entre as próprias pesquisas. 

 Apesar de razoavelmente antenado no que acontece à minha volta optei por não usar o Facebook. Tenho uma conta aberta, zero amigos, não a mantenho. Confesso que, no fundo, não tenho tempo ou paciência para todos os rituais FB e me preocupo muito com a questão da privacidade.

O artigo 3º do projeto de lei 2.112 (o Marco Civil da Internet), que disciplina o usoda internet no Brasil tem os seguinte princípios:i) garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, nos termos da Constituição; ii)  proteção da privacidade; iii)  proteção aos dados pessoais, na forma da lei; iv) preservação e garantia da neutralidade da rede; v)  preservação da estabilidade, segurança e funcionalidade da rede, por meio de medidas técnicas compatíveis com os padrões internacionais e pelo estímulo ao uso de boas práticas; vi)  responsabilização dos agentes de acordo com suas atividades, nos termos da lei; e vii) preservação da natureza participativa da rede.

Mas o Rainer tem razão em relação à sua privacidade. Quem usa as redes sociais, especialmente o Facebook, tem a sua privacidade devassada. E chegará o dia em que teremos um chip instalado em alguma parte do nosso corpo. Estaremos monitorados 24 horas por dia.

Vivemos em uma época de super-reprodução. Tudo é reproduzido centenas de vezes até de fato ser saturado. As notícias, as imagens, o conteúdo relevante etc…

Uma nova referência do que significa melhorar de vida viabilizará, permanentemente, um número muito superior de pessoas na Terra. Uma população 40 vezes superior à de todos os tempos, até o início da Revolução Industrial, só será possível, entretanto, com o fim do crescimento econômico como o conhecemos. O crescimento baseado na expansão do consumo de bens materiais está no seu capítulo final. (André Lara Resende, no artigo Os novos limites do possível)

Pietro Queiroz reflete o sentimento de uma geração que é vítima do processo analisado pela André Lara Resende no artigo citado. Por ele e pelo Eduardo Giannetti da Fonseca nesta entrevista da qual publico um trecho: Lamentavelmente, o ambiente não vai aceitar indefinidamente esse desaforo, ainda mais com 1 bilhão de indianos e chineses entrando na corrida armamentista do consumo. O limite virá de fora. Adoraria que viesse do amadurecimento ético, com as pessoas ganhando uma nova consciência e outros valores. Duvido muito. O mundo está se estreitando dentro de um padrão democrático monetário americano dominante. Mas o limite ambiental, que não é de escolha humana, vai se impor.

 

Assim que acordo, utilizo meu iPhone ainda na cama. Ele dormiu ao meu lado enquanto recuperava a carga mais uma vez. Através de um e-mail exclusivo onde recebo o clipping, confiro as principais notícias do dia.

 Quem está envolvido em mídia cívica, perguntou Henry Jenkins? Os blogueiros, os jornalistas colegiais, fontes de notícias étnicas, pessoas que participam de atividades transgeracionais (compartilhamento de experiências digitais) – podem formar as bases do engajamento cívico. Segundo Jenkins, o desafio é a necessidade de a democracia ser mais do que um evento especial que acontece uma vez ao ano. Precisa se tornar um desafio e atividade diária; e todos devem perguntar-se quais tecnologias ajudam a criar esse sentido de engajamento. (do seminário O que é a mídia cívica?, 2007, MIT Communications Forum).

Tenho certeza que esta é uma das reflexões do Gabriel Azevedo. Por isso e pela complementariedade do que se está discutindo nesta postagem, o trecho de uma matéria sobre o seminário com o dev ido link para quem quiser ir mais fundo.

E nesse ponto surge algo muito curioso e interessante, a mesma notícia, lida através do mesmo canal por pessoas diferentes, geram percepções absurdamente diferentes.

Os donos de “lan houses”, afirma o Mário Brandão, são nanoempresários atuando na economia informal. Não recebem qualquer tipo de suporte oficial para cumprir esse papel, o que limita sua atuação na introdução de seus clientes para a utilização das ferramentas mais úteis na internet: redes sociais como ferramentas de empreendedorismo, e-mails como instrumento de empregabilidade, segunda via de taxas, tributos e contas de consumo, consultas a processos judiciais, emissão de certidões, acompanhamento de documentos oficiais, entre dezenas de outros serviços prestados hoje pela internet.

Líder do setor, preside a ABCID, Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital. Há anos batalha para conseguir uma legislação que não imponha barreiras ao funcionamento destes empreendimentos que ainda são fundamentais para o processo de inclusão digital no Brasil, segundo as pesquisas do NIC.br. É ele quem afirma que continua sob risco o fundamental trabalho de formalização das “lan houses” como prestadoras de serviços indispensáveis ao cidadão contemporâneo, nos rincões menos favorecidos pela atuação do Estado.

O twitter constitui um mundo de notícias. Muitas vezes, nem os sites publicaram. É interessante acompanhar o twitter porque, ao longo do dia e parte da noite, tudo gira por alí.

Beatriz Abreu é jornalista e deve concordar que o twitter é uma plataforma de comunicação, um meio. É uma forma de acesso de interação e de troca de informação. É sem dúvida útil para jornalistas e para jornais. Poderá mesmo ser o lead das notícias, um meio para contactar as fontes e mesmo uma boa fonte de informação. Não será um complemento mas mais uma ferramenta que bem usada poderá ser muito proveitosa, como analisa neste entrevista a pesquisadora Patricia Couto.

Depois tomo Rivotril. Se não, com tanta informação, não há Cristo que durma.

Uso excessivo de computador deveria ser considerado um vício e incluído na lista de distúrbios clínicos reconhecidos oficialmente, segundo o psiquiatra  Jerald Block, da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, em editorial no American Journal of Psychiatry. Segundo o especialista, o vício em Internet tem quatro componentes principais: uso excessivo, freqüentemente associado à perda da noção do tempo ou negligência de impulsos básicos; sentimentos de irritação, tensão ou depressão caso o computador esteja inacessível; necessidade de computadores melhores, mais software ou mais horas de uso; e reações negativas como brigas, isolamento social e fadiga ligados ao uso do computador.

Tutinha é dono e CEO da Rádio Jovem Pan, da Bacanas Records, da marca Pânico. Ele e todos os outros que me deram seus depoimentos sobre como se informam no dia a dia para ficarem ligados., assim como eu, somos viciados na rede e corremos o risco de sofrermo distúrbios clínicos conhecidos. A alternativa é perder o bonde da História: Uma poderosa conversação global começou. Através da Internet, pessoas estão descobrindo e inventando novas maneiras de compartilhar rapidamente conhecimento relevante. Como um resultado direto, mercados estão ficando mais espertos—e mais espertos que a maioria das empresas. Estes mercados são conversações. Seus membros se comunicam em uma linguagem que é natural, aberta, honesta, direta, engraçada e muitas vezes chocante. Quer seja explicando ou reclamando, brincando ou séria, a voz humana é genuína. Ela não pode ser falsificada. (Do Cluetrain Manifesto)

As inovações causam mudanças dinâmicas que demoram a ser absorvidas. No século XIX, quando os motores elétricos começaram a substituir as máquinas a vapor, a produção como um todo nos EUA caiu por 10 anos. A questão é que grandes máquinas a vapor foram substituídas por pequenos motores – mudou a forma de distribuição do trabalho. Meu amigo David Cavallo complementaria, “a inovação coloca no centro o pensamento das pessoas, no eixo da participação democrática”.

Agora, sou eu, Rodrigo, terminando aqui este convite para um diálogo a todos os que me deram seu depoimento sobre como se informam no dia a dia para não perderem o bonde da História, cuja íntegra de cada um deles começo a publicar amanhã, e aos eventuais leitores que chegaram até este ponto deste texto.

Vivemos o fim de um tempo, de uma era. Convivemos com esta situação ao mesmo tempo que assistimos ao nascimento de novas estruturas sociais, novas arquiteturas econômicas, novas formas de organização política. Uma nova sociedade, um novo mundo emergindo.

O objetivo do Confins é cobrir jornalisticamente este processo, com uma perspectiva de conquista dos novos sertões: o “enredamento” da sociedade contemporânea, com sua exponencial evolução tecnológica, seu frenético processo de dirupção e inovação, seus novos processos de informação, comunicação e articulação. Acompanhar o nascimento da sociedade da chamada era do conhecimento, que ainda não entrou na sua primeira infância e a estruturação da Internet, que é muito mais do que um meio de informação. É a infraestrutura do futuro.

Na década de 70, no primeiro choque do petróleo, o historiador Fernand Braudel (1902 – 1985) dizia que estávamos entrando numa crise de longa duração. Na sua visão, as instituições criadas a partir do nascimento do Estado nacional, em meados do século 19, não suportavam mais mais o conjunto dos conjuntos, a sociedade.  Os políticos, os economistas, dizia ele, vão dizer que a crise está  passando. Estão no papel deles e a crise terá momentos mais críticos e outros menos críticos, mas é um movimento de longa duração. Ele argumentava que o Estado nacional, as instituições que regulamentam as relações entre os Estados, a economia global não suportavam o  mundo que emergiu e se estruturou a partir do século 19. E que as mudanças ocorreriam no tempo da História.  

É dele também, no seu Escritos sobre a História, o texto com o qual termino esta postagem, com a consciência da nossa relatividade e a convicção que temos que lutar até o fim por um mundo equânime e justo. um mundo melhor:

Vivemos no tempo curto, o tempo da nossa própria vida, o tempo dos jornais, da rádio, dos acontecimentos, em companhia dos homens importantes que dirigem o jogo ou julgam dirigi-lo. É exatamente o tempo, no dia a dia, da nossa vida que se precipita, que se acelera, como que para se queimar rapidamente de uma vez por todas, à medida que envelhecemos. Na verdade é apenas a superfície do tempo presente, as vagas ou as tempestades do mar. Abaixo das vagas há as marés. Abaixo dessas estende-se a massa fantástica da água profunda.

Mas ao lado do tempo que passa, há o tempo que permanece, esse passado profundo no qual, sem que nós habitualmente saibamos, a nossa vida é apanhada.

PS:  Mídias Sociais & Jornalismo

O admirável novo mundo, o desafio. Um caminho sem volta.

A World Wide Web é o universo da informação acessível através da rede, a personificação do conhecimento humano. Tim Berners-Lee, o inventor da Web  e fundador do the World Wide Web Consortium (W3C).

 

Nestes infográficos, você tem uma síntese do que é hoje a plataforma dominante de informação, comunicação e articulaçãoda sociedade contemporânea. Ela não é causa da crise que estamos vivendo, que vai muito além da economia. Mas é um dos seus eixos: sua expansão e seu domínio pela sociedade é condição para o amadurecimento da era do conhecimento, com suas estruturas econômicas, sociais e políticas.

No livro Uma breve história do futuro, o economista e historiador Jacques Atalli reflete sobre este momento de transição que vivemos, com os agentes do mercado financeiro – bancos, seguradoras, empresas de cartão de crédito – com um poder desmesurado sobre a sociedade e sem regras claras de responsabilidade, mal reguladas também por causa da rede e da social media. Do fim da era industrial à democracia plena, se sobrevivermos.

Sinopse: Aproximadamente em 2060, ou mais cedo – a menos que a humanidade desapareça sob um dilúvio de bombas -, nem o Império Norte-Americano, nem o hiperconflito serão toleráveis. Novas forças, altruístas e universalistas, já atuantes hoje, tomarão o poder mundialmente, devido a uma premência ecológica, ética, econômica, cultural e política. Elas se rebelarão contra as exigências da vigilância, do narcisismo e das normas. Conduzirão, progressivamente, a um novo equilíbrio, dessa vez planetário, entre o mercado e a democracia a hiperdemocracia. Instituições mundiais e continentais organizarão a vida coletiva, graças a novas tecnologias. Fixarão limites ao artefato comercial, à modificação da vida e à valorização da natureza. O objetivo deste livro é mostrar que essa é, no entanto, a cara mais verossímil do futuro.

Se você ficou intrigado com esta edição desta matéria do Brian Solys, especialista em marketing na social media, vai gostar do livro do Atalli. Outra sugestão é McLuhan por McLuhan, da Edioro.

Sinopse: Uma seleção de conferências e entrevistas inéditas de McLuhan em livro. Permitem ao leitor acompanhar o desenvolvimento das idéias do profeta da globalização. Da criação do primeiro alfabeto fonético, uma mídia, e o fim da soceidade tribal à sua volta, num mundo de tal foma conectado que somos levados a surfar, numa cultura oral.  As opiniões que McLuhan nutria a respeito de sua própria obra e do mundo são complementos valiosos para as suas publicações. Com introdução de Tom Wolfe, convidado de honra da Bienal 2005, esta coletânea ajuda a entender a visão de McLuhan de que “as sociedades sempre foram mais moldadas pela natureza dos meios usados pelas pessoas para se comunicarem do que pelo conteúdo dessa comunicação”.

Se não conseguir comprar na Cultura ou na Edioro (links nos títulos), o sebo Estante Virtual é uma boa alternativa.

A rede é uma extensão do nosso sistema nervoso

Da Magda David Hercheui, sobre como ela se informa no dia a dia para não perder o trem da História (Entenda a rede do título como os circuitos elétricos, que é por onde corre a informação nos nossos dias. Circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central.  Todas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física. ).

A primeira coisa que faço quando levanto é ligar o computador. O celular não conta porque está sempre ligado e qualquer informação importante eu teria recebido em tempo real.

Eu gosto de checar primeiro o meu email privado, para ter certeza de que nada de urgente precisa ser resolvido. Na sequência, eu leio as mensagens do Facebook. Depois vou para o email corporativo.

Quando tenho tempo, dou uma lida nas notícias de manhã.  Eu assino a versão eletrônica do Financial Times, então pela manhã tenho o jornal no meu email. Durante o dia, outras mensagens chegam de várias fontes. Eu recebo as mensagens da televisão britânica BBC e da revista Economist, com os alertas do dia.

Também assino vários canais no YouTube, como TED Talks, para saber quando novos vídeos de áreas que eu acompanho ficam disponíveis. Eu assino as mensagens de diversas outras fontes, como a consultoria McKinsey (The social economy: Unlocking value and productivity through social technologies) e órgãos do governo, que mandam os links através de emails.

do silvio meira

Em paralelo,  acompanho várias fontes de informação através do Facebook, como os jornais Guardian, Estadão e Folha de S.Paulo. Infelizmente, o Facebook não permite fazer uma classificação de fontes, para saber o que é mais importante, então tem muita mistura das fontes de informação com o conteúdo produzido por amigos. Isso é uma limitação do Facebook para ter boa informação. Por outro lado, muitos amigos são boas fontes de informação, publicando links ou vídeos para relatórios ou noticias relevantes.

Semanalmente, recebo a revista Economist em papel. Eu ainda gosto de andar de metro com a minha revista em papel.

No topo disso, tenho de estar informada sobre publicações acadêmicas e livros de minha área, e isso realmente é uma atividade que consome muito tempo, porque tenho de consultar cada publicação de meu interesse individualmente. Não existe um agregador que informe sobre os conteúdos dispersos em muitas publicações.

Por fim, sempre tem aquele elemento do acaso. Sem planejar a gente cruza com alguém lendo algo interessante. Fico sempre de olho nos jornais e livros dos outros no metrô…

boa: boa, udav


boa: boa

O Brasil exportando educação. Do sonho à realidade.

“Minha ênfase será sobre tecnologia e infraestrutura. Acho importante trabalhar no Brasil com colegas brasileiros, para criar oportunidades para todos. A partir dessa colaboração no Brasil, podemos gerar modelos de excelência que estabeleçam exemplos para o mundo todo”. Era junho de 2005, Nicholas Negroponte tinha anunciado no início do ano em Davos projeto One Laptop per Child, OLPC, cuja a missão era  projetar, fabricar e distribuir laptops suficientemente baratos para proporcionar a cada criança do mundo acesso ao conhecimento e modernas formas de educação, suportado por uma entidade sem fins lucrativos.

 

 Ele e David Cavallo vieram ao Brasil para apresentar ao PSDB, no iFHC, e ao PT, no NAE, a filosofia do projeto e porque o MIT – Media Lab tinha eleito nosso país como a base de lançamento do projeto global. O discurso foi o mesmo para os dois públicos. “Devemos examinar atentamente as relações entre inovação e indústria e entre academia e indústria. Duas instâncias devem ser consideradas: a inovação e a consolidação. Em uma analogia, as instâncias diferem uma da outra como os estados líquido e sólido. A inovação é líquida e a consolidação é sólida. A consolidação é a solidificação da inovação, a materialização de uma nova idéia ou conceito. Por outro lado, a consolidação é conservadora — tende à rigidez e resiste à inovação. A meta do inovador é sempre explorar as possibilidades do conhecimento”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“O Media Lab, criado no início do anos 80, surgiu da necessidade de buscar novos caminhos de expressão. A comunicação é essencial para a expressão, e a expressão é essencial para a mente. Agora, mais de duas década depois, o laboratório já pode avaliar alguns resultados. Como disse o fundador do Media Lab, Norbert Wiesner, nunca acredite em nenhuma idéia com menos de 20 anos”. Walter Bender era nesta época o diretor de geral do Media Lab, o  braço direito de Nicholas Negroponte, que em julho viria ao Brasil com Seymour Papert para propor que o Brasil encomendasse três mil laptops, liderasse o projeto piloto e se preparasse para exportar educação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Walter Bender, já naquela época,  alertava : “é importante hoje repensar as telecomunicações, já que a base tecnológica das telecomunicações não é mais válida. Na época de Marconi, as telecomunicações eram baseadas em um modelo de banda restrita por número crescente de terminais. Hoje é possível ampliar a capacidade sem reduzir a banda por node de conexão. Hoje as comunicações são virais: escaláveis, de baixo custo, incrementais, adaptáveis, contributivas e robustas. Essas novas comunicações aproveitam-se de conhecimentos locais e decisões locais sobre uma estrutura global”. Esta infraestrutura, hoje representada pela internet, vem evoluindo e a sociedade em todo o planeta (a importância do nosso Marco Civil da Internet) lutando paque ele continue livre e sob o conceito da neutralidade para que ninguém, indivíduo, empresa ou entidade, tenha privilégio na sua utilização.

Na conversa com o PSDB, no iFHC, e o PT, no NAE, Bender falava também sobre o contexto: “é importante hoje repensar as telecomunicações, já que a base tecnológica das telecomunicações não é mais válida. Na época de Marconi, as telecomunicações eram baseadas em um modelo de banda restrita por número crescente de terminais. Hoje é possível ampliar a capacidade sem reduzir a banda por node de conexão. Hoje as comunicações são virais: escaláveis, de baixo custo, incrementais, adaptáveis, contributivas e robustas. Essas novas comunicações aproveitam-se de conhecimentos locais e decisões locais sobre uma estrutura global”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E ia adiante exemplificando: ” é  preciso repensar também as regras de envolvimento. Estudos mostram que estruturas com mais de 150 pessoas sofrem fortes mudanças organizacionais, exigindo maior hierarquização para impedir o caos. Mas em estruturas muito numerosas, vale a “regra da multidão”, “rule of many”. O fluxo se organiza sem hierarquia, sem organização de cima para baixo, sem editores — baseado na confiança que cada contribuição é positiva.  Exemplos dessas organizações super-numéricas são a enciclopédia online Wikipedia e o organizador de álbuns de fotos online Flickr. Esses sistemas alimentados por milhares de pessoas são exemplos de inovações (líquido) que atingiram a consolidação (sólido).   São “organic networks“, capazes de reduzir a barreira econômica à inovação. Apresentam arquitetura mais modular, mais flexível e tornam a computação mais acessível para os empreendedores”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nicholas e Seymour vieram ao Brasil um mês depois, propuseram o projeto para o PSDB e o PT, que sob a liderança do Cézar Alvarez criou um grupo de trabalho para consubstanciar a proposta e acabou gerando os programas Um Computador para Todos e Um Computador por Aluno. Nicholas nunca conseguiu entender que o Lula não poderia assumir o projto por decreto. Nossa indústria da educação nunca se interessou pelo projeto. Já a Microsoft e a Intel trabalharam legitimamente seus lobbies. Microsoft temia um sistema operacional fundamentado em processos de aprendizado compartilhado e a Intel, a entrada no mercado de uma máquina, o XO, de baixo custo e equipada com Wi-Fi mesh. Não abraçamos o projeto como um todo, mas a questão da tecnologia na educação ganhou outra dimensão no Brasil e no mundo, onde cerca de cinco mihões de crianças estudam na plataforma da OLPC.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi com este time que aprendi que o computador é muito mais do que uma ferramenta para informação e comunicação. É antes de tudo uma alavanca para criação, expressão, visualização e simulação. Foi com eles e McLuhan, “circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central” (a rede é uma extensão do nosso sistema nervoso), que entendi que vivemos hoje, graças a este fabuloso processo de inovação, na encruzilhada do futuro do presente, que tanto pode ser brilhante quanto uma tragédia. Foi também por isso, dar uma colaboração para o entendimento do momento que vivemos, que inciei esta série de textos com depoimentos de cientistas, empresários, estudantes, jornalistas, professores, sobre como se informam para não perder o trem da história. Em seguida o depoimento do Walter Bender.

Assim como meu cachorro, tenho hábitos constantes. Quando meu cachorro ouve o jornal sendo entregue na entrada da minha casa, ele me acorda. Ligo a máquina de café e saímos para um rápido passeio: enquanto eu vou pegar o New York Times, ele cheira toda a calçada para saber quais outros cachorros passaram pela minha casa. Meu foco é a cobertura internacional. O interesse dele, por outro lado, é estritamente local.

Mesmo tendo o café e o jornal à mão, começo a minha rotina passando os olhos pelos meus emails – na maioria das vezes, algum amigo enviou um link para alguma matéria recomendada. Normalmente, ignoro os alertas de notícias, já que sei que verei essas notícias e muito mais ao acessar o Google News, minha próxima parada. Finalmente, passo uns 20 a 30 minutos com o New York Times. Faço uma leitura cuidadosa do primeiro caderno e superficial do resto.

Durante o meu dia, periodicamente acesso o Facebook, Twitter, Google+ e alguns outros sites de mídia social; por algum motivo, é apenas no Google+ que encontro uma ou duas recomendações de matérias que valem a pena ser lidas. Mas passo a maior parte do dia no IRC, um chatroom do estilo antigo, onde, além de discutir trabalho, meus colegas e eu comentamos nossas percepções sobre o mundo que nos cerca.

Finalmente, uma vez por semana, à noite, escrevo no meu blog e leio outros blogs. Temos um “planeta” de blogs relacionados, mas por vezes eu fujo do assunto e vou para o mundo dos blogs mais convencionais

“O homem civilizado, o homem destribalizado.”

A cultura literária é visual e separada (ou alienada). Ela cria o homem civilizado, o homem “destribalizado”. O homem que não está envolvido. E o efeito da Revolução Elétrica é criar novamente um envolvimento que é integral.

O artista é a única pessoa a usar sua antena para captar essas mensagens antes de qualquer outro. Por isso, o artista sempre é considerado como alguém muito à frente do seu tempo: porque ele vive no presente.

A íntegra de uma edição possível  do nosso mundo, construída com McLuhan.

“As sociedades sempre foram mais moldadas pela natureza dos meios usados pelas pessoas para se comunicarem do que pelo conteúdo dessa comunicação.

Todas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física.

A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. As roupas são uma extensão da pele.

Circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central.

A extensão de qualquer um dos sentidos desloca (ou distorce) todos os outros sentidos. Altera o modo como pensamos, o modo como vemos o mundo, e a nós mesmos.

Cada vez que uma mudança dessas ocorre, as pessoas mudam.

A cultura literária é visual e separada (ou alienada). Ela cria o homem civilizado, o homem “destribalizado”. O homem que não está envolvido. E o efeito da Revolução Elétrica é criar novamente um envolvimento que é integral. 

Por que de repente a arte a cultura se tornaram grandes negócios, como é a grande ciência?*. Os motivos para isso estão relacionados com o fato de que vivemos em uma Era da Informação. Quando se vive em uma Era da Informação, a cultura se torna um grande negócio, a educação se torna um grande negócio, e a explosão da cultura através da explosão da informação torna-se cultura por si mesma, derrubando todas as paredes entre cultura e negócios.

O artista é a única pessoa a usar sua antena para captar essas mensagens antes de qualquer outro. Por isso, o artista sempre é considerado como alguém muito à frente do seu tempo: porque ele vive no presente. 
Há uma excelente razão pela qual a maioria das pessoas prefere viver na era imediatamente anterior a elas: é mais seguro. Viver na vanguarda das coisas, na fronteira das mudanças, é algo apavorante.

Nossa cultura oficial está lutando para forçar as novas mídias a fazer o trabalho das velhas mídias. Esses são tempos difíceis porque estamos testemunhando um choque de proporções cataclísmicas entre duas grandes tecnologias.”