CONFINS

O tempo social é influenciado pela linguagem que restringe e fixa conceitos prévios e modos de pensar – uma defesa do tempo, Harold Innis

Tag: notícias

Os norte-americanos estão mais distantes das notícias

See on Scoop.itJournalism and the WEB

Rodrigo Mesquita‘s insight:

state fo the media 2013: a queda da amplitude e qualidade de cobertura jornalistica das tradicionais empresas de informação, que não foi complementada pela ação dos puros players, vem afastando os norte-americanos das notícias.

que consequências este processo terá para a democracia e economia de mercado?

“Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação.”

“Organizações jornalísticas devem continuar a fornecer notícias para indivíduos e conhecimento enciclopédico sobre suas comunidades. Mas também devem reconhecer o papel dos consumidores como produtores. O futuro do setor é tanto de construção quanto de consumo. O impacto de “ser digital” é a emergência de uma nova relação entre editores e seu público: tornar as notícias mais relevantes ao construir conexões entre fornecedores de notícias e consumidores.”

Walter Bender

See on stateofthemedia.org

A rede é uma extensão do nosso sistema nervoso

Da Magda David Hercheui, sobre como ela se informa no dia a dia para não perder o trem da História (Entenda a rede do título como os circuitos elétricos, que é por onde corre a informação nos nossos dias. Circuitos elétricos são uma extensão do sistema nervoso central.  Todas as mídias são extensão de alguma habilidade ou capacidade humana, mental ou física. ).

A primeira coisa que faço quando levanto é ligar o computador. O celular não conta porque está sempre ligado e qualquer informação importante eu teria recebido em tempo real.

Eu gosto de checar primeiro o meu email privado, para ter certeza de que nada de urgente precisa ser resolvido. Na sequência, eu leio as mensagens do Facebook. Depois vou para o email corporativo.

Quando tenho tempo, dou uma lida nas notícias de manhã.  Eu assino a versão eletrônica do Financial Times, então pela manhã tenho o jornal no meu email. Durante o dia, outras mensagens chegam de várias fontes. Eu recebo as mensagens da televisão britânica BBC e da revista Economist, com os alertas do dia.

Também assino vários canais no YouTube, como TED Talks, para saber quando novos vídeos de áreas que eu acompanho ficam disponíveis. Eu assino as mensagens de diversas outras fontes, como a consultoria McKinsey (The social economy: Unlocking value and productivity through social technologies) e órgãos do governo, que mandam os links através de emails.

do silvio meira

Em paralelo,  acompanho várias fontes de informação através do Facebook, como os jornais Guardian, Estadão e Folha de S.Paulo. Infelizmente, o Facebook não permite fazer uma classificação de fontes, para saber o que é mais importante, então tem muita mistura das fontes de informação com o conteúdo produzido por amigos. Isso é uma limitação do Facebook para ter boa informação. Por outro lado, muitos amigos são boas fontes de informação, publicando links ou vídeos para relatórios ou noticias relevantes.

Semanalmente, recebo a revista Economist em papel. Eu ainda gosto de andar de metro com a minha revista em papel.

No topo disso, tenho de estar informada sobre publicações acadêmicas e livros de minha área, e isso realmente é uma atividade que consome muito tempo, porque tenho de consultar cada publicação de meu interesse individualmente. Não existe um agregador que informe sobre os conteúdos dispersos em muitas publicações.

Por fim, sempre tem aquele elemento do acaso. Sem planejar a gente cruza com alguém lendo algo interessante. Fico sempre de olho nos jornais e livros dos outros no metrô…

boa: boa, udav


boa: boa

Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação!

Minha prima e amiga Mariana Salles Oliveira é psicologa e trabalha com formação experiencial ao ar livre pela Outward Bound Brasil.  Como ela comenta no seu depoimento sobre como se informa no dia a dia na encruzilahada do futuro do presente, é quase uma nativa. Seu jornal tem uma receita própria composta pelos seus interesse e os de seus amigos, na sua própria rede social.

Ler o bom e velho jornal era e ainda é o hábito matinal do meu pai. Eu desde sempre li tudo aquilo em partes, só as que me interessavam, novos horizontes naquele calhamaço de papel vinham quando alguém me chamava atenção para alguma matéria em especial. Quando fui morar sozinha, todo investimento era algo a se pensar e entre assinar o jornal diariamente, ou investir na melhor velocidade de internet possível, fiquei com a segunda opção!

 

uma história da internet (legendado)

Naquele tempo, o provedor de e-mails tinha como chamariz um portal de notícias. Encontrei lá um ótimo jornalismo internacional, e uma seleção de notícias bem bacana! As redes sociais engatinhavam e os blogs eram mais temáticos e pessoais do que uma fonte de informação alternativa aos grandes veículos impressos. O jornal que meu pai lia, estava lá também, em versão online tinha seu “papel” no meio daqueles novos canais!

Num pula pula filtrado pelo que me interessava e ao mesmo tempo afogada em tantas novas ofertas, aconteceu que, antes mesmo deu ter tempo de estruturar minha busca por notícias, e organizá-las para acessá-las de uma maneira fácil e confortável, uma outra onda fez rever a forma como eu iria me informar dali para frente!

Imagens de cursos da Outward Bound Brasil (OBB) com depoimentos de participantes

Em pouco tempo todos os meus amigos, parentes, colegas de trabalho, autores dos meus blogs favoritos, instituições, o governo, governantes e candidatos, e até pessoas públicas que adimiro, todas elas, passariam a compor um grande filtro de relevância para mim! Viraram meus editores chefes! Todos, o tempo todo, trabalham na minha redação! Minha rede social virou online e junto comigo tocam meu jornal diário! Os valores são múltiplos, e a ética também, a amostragem gigante, mas ainda sobram alguns filtros onde posso operar!

Canais antes separados de fotos, vídeos e textos, se cruzam hoje com intimidade no meu facebook, twitter, no meu celular, lá estão todas elas, as tais notícias, numa versão multimídia, filtradas pelos meus contatos!

Se elas chegam até mim, o tempo todo, e aos poucos vou filtrando e selecionando minha rede de conexões e provedores de notícias, também descobri que o grupo de pessoas que gerem os browsers que uso, e as redes sociais de que faço parte, gostam e querem também fazer isso por mim!

Ler notícias hoje vai muito além de me manter informada, ler notícias agora constrói o meu perfil de usuário, um perfil de navegadora, que cruzado à minha rede de contatos tem servido para me conectar diretamente às informações que outras pessoas acham relevante que eu leia. Numa  versão ainda mais incrível me conecta ao comércio de produtos e serviços! A cada notícia que leio, recebo mais emails, mais sugestões de links, mais sugestões de amigos e produtos para consumir! É um efeito cascata dessa rede que interconecta planos diversos que antes compunham a minha vida sem que nem eu pudesse visualizá-los! Mais que visível essa trama das minhas conexões, dos meus assuntos de interesses, e dos meus gastos opera selecionando informações, serviços e produtos pra mim!

Navegar na internet atrás de notícias é também construir a maior rede de comércio e produção de subjetividade voltada ao consumo que já existiu no planeta! Parece também ser essa mesma rede, uma forma criativa de outras economias de troca! Para os que além de filtrados, filtram e infiltram, oferecendo conhecimento e fazendo frente à automatização da relevância apenas a serviço da venda de produtos e de uma subjetividade massificada. Tento, entre meus contatos, meus interesses e a oferta, achar a versão de informações que me acompanham na escolha que tenho feito de mundo!

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