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O tempo social é influenciado pela linguagem que restringe e fixa conceitos prévios e modos de pensar – uma defesa do tempo, Harold Innis

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New York Times Company coloca a venda o Boston Globe

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US newspaper print ad revenues are expected to drop to $16.4bn in 2016 from $19.14bn in 2012. Digital revenues, which include all digital platforms, will edge up to $4bn from $3.4bn, according to eMarketer.

O Boston Globe foi comprado por pouco mais de U$ 1 bi no início da bolha fa internet. Hoje, estima-se que dificilmente ele será vendido por mais do U$175 milhões.
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Continuo adorando ler jornal no café da manhã

Marion Strecker é jornalista e não está afogada pelos novos meios. Conseguiu alcançar uma certa disciplina como conta no seu depoimento para o Confins, na série na encruzilhada do futuro.

Estou tentando ser menos junkie com informação, então agora compro mais livros e procuro diminuir o tempo na internet.

Continuo adorando ler jornal no café da manhã: jornal em papel, para não me dispersar online. Mas aqui em Nova York, neste prédio sem porteiro onde vivo agora, meu jornal é roubado quase todos os dias. Tento me acostumar com a versão no iPad, mas às vezes me pego analisando os problemas de usabilidade. Esse vício profissional atrapalha a leitura. E como estou no iPad, às vezes acabo lendo outros jornais e sites de notícia ali também.

Sempre gostei de ler revistas. Assinava muitas até semana passada, quando morava na Califórnia. Agora só assino uma, e decidi comprar na banca o que me der na telha.

Não sou muito de televisão e ouço rádio apenas no carro. Aqui estou sem carro.

A cidade grande e seus espaços públicos transbordam de informação. Ganho jornal grátis no metrô, vejo cartazes e luminosos, me deparo com folhetos, flyers e outros impressos nas ruas e nos espaços culturais. Vejo TV dentro do táxi como no Brasil via portais de notícia dentro do elevador.

Uso internet intensamente, então meu dia pode começar com alertas ou e-mails, que trazem atualizações dos sites e blogs que acompanho ou dos aplicativos que eu uso. Entro então em alguns desses endereços.

Recebo muita informação em redes sociais, mas a leitura é irregular e caótica. Vida pessoal e profissional se misturam ali e qualquer um fala qualquer coisa, o que cansa. Escrevo cada vez menos em redes sociais para ganhar mais tempo. Prefiro mensagens diretas trocadas com pessoas que me são importantes.

Outra forma que uso bastante para obter informação são os sistemas de busca. Nenhum jornalista vive sem isto hoje.
Last but not least, pessoas são sempre uma fonte inesgotável de informação. Então conhecer e conviver com muitas pessoas é muito bom para ficar informado, além de ser divertido.

Notícias abrem a porta para participação

“Organizações jornalísticas devem continuar a fornecer notícias para indivíduos e conhecimento enciclopédico sobre suas comunidades. Mas também devem reconhecer o papel dos consumidores como produtores. O futuro do setor é tanto de construção quanto de consumo. O impacto de “ser digital” é a emergência de uma nova relação entre editores e seu público: tornar as notícias mais relevantes ao construir conexões entre fornecedores de notícias e consumidores…. Notícias não mudam o mundo, mas nos dão uma nova inteligência e as ferramentas com as quais explorá-la – uma fonte de modelos compartilhados a respeito do mundo. Notícias não nos dizem o que pensar ou para onde ir, mas nos ajudam a navegar. Notícias abrem a porta para participação”. (Walter Bender, num texto para a ANJ, Associação de Jornais do Brasil, em 1999)

Abaixo, o depoimento de Alexandre Machado sobre como se informa no seu dia a dia (para levar notícias a você), nestes tempos da encruzilhada do futuro do presente.

Você sabe, a pressão por informação começa cedo para mim. Faço o “Começando o Dia” na CulturaFM  a partir das 8 hs. Da manhã de 2ª a 6ª . Às 6 hs estou na rádio e tenho uma hora e meia para escrever o programa. Tenho Estadão e Folha em papel e percorro religiosamente os sites de O Globo, El Pais, Al Jazeera, New York Times e BBC; dou uma passada diária no Le Monde e no Guardian e depois dou uma bicada variada (Valor Econômico, La Republica, Clarin, Wall Street Journal, Libération, etc). No fim da semana e na segunda rodo os sites das semanais brasileiras; não esquecer do The Economist. A Globonews é companhia importante tanto na preparação do programa (Globonews Notícias das 6 e das 7) como no resto da manhã quando abro informações para produzir o programa nos dias seguintes. Revistas: Bravo, Concerto e Piaui. Passeio muito pelos blogs políticos com destaque para Ricardo Noblat. Uso bastante o Facebook para contato com públicos qualificados ( a CulturaFM tem 85% de audiência nas classes A e AB). Não tenho disponibilidade pessoal para Twitter. Tumblr e Instagram ainda não. E o telefone—fundamental para nós jornalistas— trabalha o dia inteiro. E vai por ai afora.

Abração, Alexandre

Das fontes tradicionais ao futuro: correlações de força e poder

Andrew Lippman,  pesquisador do MIT – Media Lab, foi um crítico perspicaz das tele operadoras, em função do desmesurado poder que elas vem conquistando na economia global e frente aos Estados nacionais. Tinha um olhar crítico sobre a forma como as tradicionais empresas de informação se colocaram em relação à onda de inovação em torno da emergência das tecnologias de informação e comunicação a partir da década de 70.  Abaixo, o depoimento que ele deu ao Confins sobre como se informa no dia a dia. Confesso que fui pego de surpresa pelo seu conservadorismo, com o qual tendo a me alinhar em alguns aspectos. Isso, apesar da minha crítica aos jornais por não terem reagido à emergência da internet, que graças ao seu predicado de formar comunidades sobre comunidades afetou profundamente o modelo de negócios das tradicionais empresas de informação, desenvolvido em função da sua capacidade de distribuirem informação de um ponto para n pontos no mundo broadcast.

Gostaria de melhor representar a sociedade moderna, mas não é o caso.  Obtenho minha dose de informações diárias consultando um jornal impresso e suas ramificações online: o New York Times.  Em minha opinião, as notícias são bem diferentes das atualidades que ajudam a ilustrar uma matéria.  Notícias representam uma decisão editorial sobre o que deve constar na agenda local ou nacional. Claro, sempre existem elementos de importância instantânea, como a Primavera Árabe ou um ataque maluco como acabou de ocorrer nos EUA.  Mas, o mais importante é o quadro maior que a experiência e o conhecimento editorial ajudam a traçar.  Nos EUA, o New York Times, o Wall Street Journal e algumas outras fontes de notícias definem a maior parte da agenda.  Eles estimulam um jornalismo investigativo que cria uma conscientização e uma preocupação com um determinado assunto e têm a memória corporativa que permite ir além da última imagem ou frase.   Tendo tudo isso como contexto, fica bem mais fácil navegar pelo restante da cobertura mais superficial encontrada online e em outras mídias impressas.

Reproduzo abaixo entrevista de 2006 do Lippman para a ZDNet UK sobre mídia aberta, software livre, direitos autorais e em que exatamente ele estava trabalhando no MIT. Na verdade, estou compartilhando minha surpresa com a evolução do pensamento do Andrew Lippaman, que conheci no Media Lab na década de 90, quando ele começava a armar os programas Comunicações Virais e Redes Orgânicas. Se não por outros motivos, a entrevista merece ser lida para se entender um pouco mais até onde vai o poder das empresas operadoras das telecomunicações.

Você poderia explicar em mais detalhes sua opinião sobre a abertura da mídia, o que permitiria que todos pudessem participar?

Se analisarmos a história da indústria de mídia, cerca de 500 anos atrás, os usuários criativos da mídia também a inventavam. Para citar um exemplo, Leonardo da Vinci procurava no solo os pigmentos necessários para sua pintura – ele não apenas inventou o meio, mas usava-o de forma criativa. Veio a mídia de massa. Como era baseada na tecnologia, os criadores e inventores passaram a ser pessoas diferentes. A era do computador subitamente abriu-nos a possibilidade de os criadores e inventores voltarem a ser as mesmas pessoas. Embora isto não signifique o fim da mídia de massa, mas haverá uma oferta cada vez maior de produtos, à revelia das grandes empresas.

Durante a mesa redonda, você falou sobre o software livre e sobre como o Brasil está se padronizando com o Linux. Em sua opinião, como o uso do software livre mudará nos próximos anos?

Esta é minha opinião pessoal; não é fruto de nenhuma pesquisa minha sobre o assunto. Acredito que o software livre é o tipo de coisa que crescerá exponencialmente. Quando uma comunidade é relativamente pequena, as pessoas inventam as coisas apenas para seu próprio uso; programadores sabem criar um sistema para outros programadores. Mas, à medida em que outras pessoas passam a usar o software e a comunidade cresce, o software se torna mais aberto para novos usos criativos, e crescerá de forma exponencial.

Qual é a sua opinião pessoal sobre o Linux desktop.

Não acredito que o consumidor comum saiba usá-lo; ainda não possui a facilidade de um sistema Mac. Mas, se tornará mais fácil e mais rápido, à medida em que a sua comunidade crescer e diversificar-se; ele se auto-alimentará. Linux já está no mercado há muito tempo, mas ainda não explodiu porque a comunidade falava mais entre ela que com outros.

Durante a mesa redonda, você também fez uma observação de como as gravadoras demonizaram seu público, assumindo que os consumidores querem roubar seus produtos. Você poderia ampliar suas considerações sobre este assunto, e apontar uma solução, em sua opinião?

Mais uma vez, isto é minha opinião pessoal. Acredito que as pessoas são essencialmente honestas, e reconhecem que devem pagar pelo trabalho de outros. Contudo, as gravadoras assumiram que os consumidores querem apenas roubar seus produtos. O que precisamos é um pouco de fricção, não perfeição. É preciso dificultar um pouco o furto, para lembrar as pessoas que devem ser honestas; mas não pode ser um assalto em seus bolsos. Um amigo meu foi à China, e mencionei este fato a algumas pessoas da indústria da mídia, que prontamente falaram: “Estas são as pessoas que roubam nossos filmes”. É preciso fazer a pergunta: por que estão dispostos a pagar pela programação local, mas não por filmes americanos. Será que são sociopatas? Ou será que os filmes são caros demais? As empresas de mídia forçam as pessoas à ilegalidade em razão de seus preços extorsivos. Mas, obviamente, se cobrarem menos na China, as pessoas vão montar seus negócios para vender os DVDs nos EUA. Ainda não tenho uma solução para isto.

Você coordena um grupo de pesquisa voltado a “Comunicações Virais” no Media Lab do MIT. O que quer dizer isto, e o que você está tentando fazer?

Quando falamos de viral, queremos dizer invenções cuja força e poder vêm da comunidade: são coisas que começam pequenas, e explodem. Um bom exemplo disto é o Skype. Em apenas dois anos de existência, 250 milhões de pessoas já fizeram seu download. Mas é muito difícil inovar no mundo das comunicações, o qual é fortemente centralizado e verticalmente integrado. As únicas inovações que têm chance de acontecer são o Skype e a Wikipedia, que estão na margem do sistema. Inovações extremamente integradas são mais difíceis de serem levadas adiante. Estamos trabalhando para superar este desafio – qual o grau de robustez e estabilidade que podemos dar a um sistema de comunicações com o mínimo possível de infra-estrutura?

Como você acredita que o setor de comunicações reagirá ao seu trabalho? Eles não resistirão a qualquer tentativa de tornar o sistema mais aberto, já que isto resultará em mais concorrentes e menos lucros?

Os grandes sistemas abertos do mundo digital conhecidos atualmente – a internet e o computador pessoal – foram feitos de uma forma pré-comercial. As pessoas envolvidas no desenvolvimento da internet estavam preocupadas em criá-la o mais aberta possível a inovações futuras; o setor de comunicações, por outro lado, foi econômico e regulamentado desde o seu início. Embora isto seja verdade, não quer dizer que as empresas de comunicação seriam adversas ao que eu estou fazendo. Um exemplo disso é o setor de telefonia dos EUA, antes de sua desregulamentação. Naquela época, o consumidor não podia conectar nada na rede telefônica que não fosse construído pela AT&T. Antes da desregulamentação, a AT&T era dona de tudo. Após a decisão da justiça de desregulamentar o setor, essa empresa passou a controlar apenas parte da rede, mas todo o setor cresceu muito com o desenvolvimento de secretárias eletrônicas, aparelhos de fax, modens, etc.

As redes sem fio e as redes de telefonia celular ainda estão na era pré-desregulamentação. A única forma de você conectar-se a uma rede móvel é através de um telefone fornecido pela sua operadora de telefonia celular. É possível você comprar o telefone, mas não é economicamente interessante, já que a operadora subsidia o telefone. Se você é uma empresa de comunicações, talvez não seja uma má idéia abrir sua empresa – você tem a ganhar com a inventividade que você permitiu. Se você conseguir criar um telefone celular que não precisa de torres – se cada telefone funcionar como um torre – isto ajudaria a empresa de telefonia celular, já que esta não teria de arcar com a construção de torres. Tenham certeza, não estou numa cruzada para eliminar as empresas telefônicas.

Quando o seu projeto estará completo?

Gostaria que fosse mais fácil responder a esta questão. O programa que Nicholas Negroponte [o presidente anterior do Media Lab do MIT, que deixou o cargo quarta feira] fundou – o One Laptop Per Child. Se você conectar todas estas crianças, terá uma rede muito fértil de inovação. Para começar, você pode usar redes em malha (mesh networks). [Os laptops terão banda larga sem fio, que os tornará uma grande rede em malha – cada laptop poderá comunicar-se com seu vizinho mais próximo, criando uma rede local ad hoc. O projeto também está explorando formas de conectar os laptops à estrutura da internet, por um custo muito baixo, de acordo com um documento de perguntas mais freqüentes sobre os laptops]. Inicialmente, o laptop será distribuído a cinco milhões de crianças em cinco continentes, mas futuramente poderá ser entregue a muitas mais. Quão bem você acha que poderá funcionar uma rede em malha tão grande? Quão bem poderemos fazê-la funcionar? Gostaria que rodassem toda a sorte de comunicações desejadas, e nunca se esgotar. É possível criar uma rede que possa crescer sem limites? Não. Pode funcionar agora tão bem quanto terá de funcionar no final? Não. Mas será que a tecnologia irá melhorar à medida que tocamos o projeto? Sim. A questão é como podemos deixá-la escalar-se.

Você acredita que todos vão passar a usar redes em malha para cortar custos?

Eu não vejo desta maneira, como algo que estamos fazendo para cortar custos. Os grandes avanços ou mudanças que ocorreram em razão da internet mostram o grande poder da comunidade, como é o caso da eBay, Skype ou Wikipedia. Mas é difícil fazer previsões mais específicas para este tipo de coisa. O mais importante para redes virais é reduzir as barreiras de comunicação, de modo a introduzir invenção nesse espaço. Muda o nome do jogo, para o que a plataforma pode ser usada.

O que mais o anima com relação aos próximos anos?

Houve uma reação contrária às tecnologias, como por exemplo a reação da indústria fonográfica contra a música digital. Mas acredito que quando se começa a construir uma plataforma aberta, não é possível reverter esta reação e isto dará mais poder à sociedade. Acredito que no final, a sociedade vencerá. No final das contas, as leis são apoiadas pela sociedade – elas não controlam a sociedade. Se você constrói sistemas e plataformas abertas, e os torna amplamente disponíveis, então a sociedade ganhará e manterá sua voz. Por exemplo, o Digital Millennium Copyright Act – uma lei que tornou crimes atos que anteriormente eram apenas pequenas infrações – agora está sendo abrandada. As estruturas legais têm de apoiar as estruturas sociais.

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BBC, NYT, Washington Post enfrentando os novos tempos

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