Apresentar o Sílvio Meira não é fácil. No seu blog aparece como professor titular de engª de software do www.cin.ufpe.br, chief scientist do www.cesar.org.br, presidente do conselho do www.portodigital.org, além de fundador e batuqueiro do maracatu “a cabra alada” .

A minha apresentação iria por outro caminho. Sílvio é um empresário social de sucesso. Seu trabalho é um dos de maior amplitude e efetividade (resultados) neste campo no Brasil. Mas o que mais me impressiona nele é sua capacidade de participar do debate público global nos seus mais diversos aspectos. O principal deles, a estruturação da plataforma de informação, comunicação e articulação da sociedade, a Internet, com os seus impactos no presente e no futuro, na encruzilhada do presente do futuro. O Sílvio é sozinho uma empresa de informação. No depoimento abaixo, sobre como se informa no dia a dia para continuar conectado ao futuro, ele fala das principais ferramentas que usa. Para fazer uma só menção, no twitter ele tem mais de 150 mil seguidores. E, como ele deixa claro, centenas de fontes de informações fundamentais. A seguir, seu depoimento.

Abandonei a mídia impressa assim que a internet tornou-se prática em Recife, lá pelos idos de 1994. Naquela época, eu costumava ler quatro jornais nacionais mais dois estaduais por dia… e ainda umas duas revistas nacionais durante o fim de semana. Nossa! Como é que eu tinha tempo para tudo isso? Acho que dormia ainda menos do que durmo hoje (umas quatro horas diárias). De qualquer maneira, depois de 1994 fui para a internet, mas naquela época as informações não eram organizadas, de forma que eu tinha de buscá-las por conta própria. Tempos difíceis.

E agora? Em primeiro lugar, há tanta coisa online que temos de esquecer tudo exceto aquilo que é realmente essencial. Tanto a sintaxe quanto a semântica do termo “essencial” (não apenas neste caso) ficam problemáticas. Sigo cerca de 200leads no Twitter, tanto pessoas como instituições. Acho que elas me atualizam sobre tudo o que é importante para mim. E nem tudo é importante para mim. Escolhi gente de tecnologia, designers, gamers, empreendedores, cientistas, VCs, fontes de notícia, etc. Tudo, desde coisas da minha cidade (Recife) até Dubai, com paradas em .uk, .es, .pt, .us, .fr, .za, etc., lugares onde acho que podem estar acontecendo coisas que talvez me interessem. Tenho um smartphone supercarregado (meu Facebook tem mais de 3.300 pessoas, meu TAPTU tem mais de 40 feeds, de novos cientistas a Gismodo). Esses dois e as pessoas com as quais circulo me dão mais do que posso assimilar do mundo. Também há o smarttablet (não é um grande telefone, mas um pequeno tablet), que roda Taptu e Flipboard, e tem mais uns outros 200feeds, da Colômbia à Nova Zelândia, incluindo a situação de um vulcão que, penso eu, mais cedo ou mais tarde aparecerá no meio do Oceano Atlântico. Se tivermos sorte, não aparecerá, pelo menos não durante nossas vidas.

 
Quando estou dirigindo, raramente ouço as rádios locais, que normalmente nada significam para mim. Tenho TuneIn em ambos os celulares e normalmente ouço a BBC World Service, que venho ouvindo desde 1968. Se não é isso, ouço classic rock, lounge, meditação, jRock+pop e, de vez em quando, música clássica.

E isso é apenas durante a semana. Nos fins de semana desligo tudo e não quero saber de quaisquer informações (exceto publicações científicas e livros que são parte do meu trabalho como cientista), mesmo se for a notícia da explosão de um vulcão que provocará um tsunami em Recife poucas horas depois…

Na encruzilhada do presente do futuro