André de Oliveira é estudante de jornalismo. Procura ler os jornais porque tem consciência que eles teem a sua força, mas “as novidades  fico sabendo nas mídias sociais” e dá valor especial às dicas dos seus amigos. Ele foi mais um que contou para o Confins como se informa no seu dia a dia, na série na encruzilhada do futuro do presente. Abaixo da foto da revista qz.com (uma dica minha sobre uma fonte de informação alinhada com o futuro, um produto desenhado para a mobilidade), o depoimento deste estudante que está escrevendo uma biografia do escritor João Antônio e trabalha com mídias sociais.

Não me lembro da primeira vez em que usei um computador, apesar de estar com 23 anos, o que me daria tempo de lembrar de um mundo pré-internet. Nasci em uma casa de entusiastas tecnológicos. Por isso, desde cedo aprendi a conviver com o computador. Apesar disso, sempre tive um apego, quase simbólico, ao papel. Basta dizer que, ao mesmo tempo em que trabalho com mídias sociais, escolhi escrever um livro no meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo.

O modo como lido com a informação e o modo como tento me manter atualizado encontra bastante ressonância nessa minha formação e posição tecnológica. Acho importante saber do que os principais jornais impressos do Brasil estão dizendo, costumo ler um deles todo dia, dando destaque para os cadernos de Brasil e Cultura.

As verdadeiras novidades, no entanto, eu acabo sempre encontrando na rede. Uso Twitter e Facebook como ferramentas de comunicação, no entanto, dou valor especial para o tipo de conteúdo que meus contatos compartilham. Meu leitor de feed me mantém atualizado, exatamente, do tipo de informação que eu busco. Por exemplo, como gosto de música, sigo a parte de World Music do The Guardian, além de blogs como o Rappamelo, especializado em Jazz e Black Music.

O The Guardian é uma fonte constante de informação, já que, acredito, eles têm um trabalho excelente na internet. Realmente, estão pensando em novas formas de se fazer jornalismo, ao contrário do que vem sendo feito no Brasil. Aqui, a tendência parece ser sempre transportar velhas formas para novas plataformas. O The Guardian é um dos pioneiros no Data Journalism, que só agora está chegando, de forma tímida, ao Brasil.

Como sou estudante de jornalismo, acredito que me manter atualizado nesse debate é essencial. O perfil do jornalista, acredito, está mudando radicalmente. Estamos deixando de ser produtores de conteúdo, para sermos curadores. O que é interessante, já que, de certa forma, todo usuário da rede é um curador de informação.