Jornalismo? Não. O compromisso do Facebook é com a balbúrdia.

O publisher mais poderoso do  mundo, dono de um dos impérios do século 21, é um craque do entretenimento e uma farsa em todos os outros sentidos. Seu projeto de jornalismo é uma demonstração cabal de que não tem nenhum compromisso além de fazer dinheiro.

Zuckerberg entende de códigos e acertou na mosca nos seus primeiros passos. Um fenômeno de momentos de ruptura tecnológica, com seus impactos na economia, na política e nos  processos sociais. Mas não  tem noção do  que  seja cultura e muito menos processos culturais. É irresponsável  neste sentido e vai dar ainda uma enorme contribuição para a aumentar a complexidade da crise que estamos atravessando, que tem na mudança da lógica do  sistema de comunicação da sociedade um dos seus principais eixos.

Hoje, cada  um de nós está no  centro do sistema de comunicação, que se transformou gostemos  ou não numa extensão do nosso sistema nervoso. Isso – também em função da fragmentação da rede em APPs e ambientes fechados –  promove naturalmente um fechamento para o acaso, para a surpresa, para o necessário debate e abertura ao controverso de uma sociedade civilizada. A tendência é promover o próprio ego fomentando uma sociedade ególatra.

Meu primeiro contato com o que viria a ser a Web, na época ainda em gestação, foi no MIT – Media Lab, com o cientista Walter Bender, em 92. Como ele, alimentei a esperança de que “a mídia digital estava longe de engendrar um mundo fragmentado habitado por míopes preocupados com seus próprios interesses. Em vez disso, estava liberando em cada um de nós nosso o desejo básico de compartilhar, o que às vezes se traduz num compartilhamento de informações, idéias políticas e sociais ou bens e serviços. O processo já começou e é de fato uma mudança paradigma”. 

A Web emergiu poucos anos depois. Era aberta, livre de espaços que se valem deste início de novos tempos e, por isso, do desconhecimento do  público  das suas possibilidades, para desvirtuar os propósitos humanistas com que a rede foi criada. Continuei com os meus laços estreitos com o Media Lab até 2006. APPs e ambientes restritos como o Facebook batem de frente com o sonho de Tim Berners-Lee e toda a comunidade científica que contribuiu para a construção da rede. 

O artigo  que transcrevo abaixo é do Frederic Filloux, do Monday Note, um especialistas das mídias tradicionais e das novas e que como Walter Bender e eu consideramos que “as notícias nos dão uma nova informação e as ferramentas com as quais explorá-la. Uma fonte de modelos compartilhados sobre o mundo. Elas não nos dizem o que pensar, mas nos ajudam a navegar na complexidade de nossas vidas”. Esperávamos que a mudança provocada pela tecnologia no ecossistema de comunicação da sociedade fosse um meio para melhorar o acesso dos indivíduos às notícias para veículos de engajamento ativo. No artigo de Filloux, transcrito abaixo, uma explicação didática e objetiva da balbúrdia que Zuckerberg promove de forma cínica do o seu Facebook.

Arriscaria dizer que Zuckerberg como empresário do mundo digital se equivale a Trump como presidente do país mais rico e a democracia mais sólida do Ocidente. Para eles, a verdade é maleável, instrumental, subjetiva. É tudo sobre eles. É sempre sobre eles. Ególatras e a única contribuição  que podem dar para a humanidade é acirrar ainda mais os ânimos das pessoas de uma sociedade estressada pelo  processo  mais delicado e dramático  de mudança que a História já assistiu. E é claro promover os idiotas da objetividade, seus semelhantes.

Rodrigo Mesquita

PS: a versão para o português é do meu amigo e companheiro de viagem Sergio Kulpas.

O Facebook precisava fazer alguma coisa pelo ecossistema de notícias. Mas sua liberdade de movimentos é limitada pela própria estrutura de faturamento da empresa. Assim surge um projeto que combina cinismo e ingenuidade.

Frderic Filloux

 

O Facebook  tomou duas medidas significativas a respeito de sua postura em relação ao jornalismo. A primeira foi no dia 6 de janeiro, com a contratação de Campbell Brown, ex-âncora da NBC e da CNN, no cargo de “diretor de parcerias jornalísticas”. A segunda foi em 11 de janeiro, com anúncio do Facebook Journalism Project.

 

A respeito da primeira ação, é de fato uma boa ideia contratar uma mulher para esse cargo; é um sinal claro para um setor conhecido por sua relutância em colocar mulheres em cargos executivos (os dados que indicam isso estão no estudo Status of Women in the in the U.S. Media)

 

Apesar disso, para estabelecer relacionamentos com chefes de redações, esperava-se um profissional muito tarimbado. Não há escassez de jornalistas experientes com capacidade para reforçar a credibilidade do Facebook. Uma âncora de telejornal não é a pessoa mais indicada. E para enfatizar ainda mais a fragilidade da contratação, o Facebook deu a entender que Campbell Brown não vai lidar com conteúdo.

 

O lançamento do Facebook Journalism Project teve muito mais peso. Segundo explica Fidji Simo, diretor de produtos do Facebook, o projeto se apoia em três pilares:

1 – “Desenvolvimento colaborativo de produtos noticiosos”, como novos formatos de storytelling, iniciativas para notícias locais e novos modelos de negócios, e “hackathons”;

2 – “Treinamentos e ferramentas para jornalistas”;

3 – “Treinamentos e ferramenta para todos”, o que inclui um conjunto não definido de medidas contra as fake news.

 

Muito bem. Colaboração, treinamento de jornalistas, ferramentas… parece familiar? Realmente é – reproduz ao pé da letra a declaração de princípios do Digital News Initiative do Google. O DNI foi lançado há dois anos pelo Google com oito publishers europeus. Como representante de um desses publishers, eu estava muito envolvido no projeto. Graças ao DNI, o Google foi capaz de estabelecer (e em alguns casos restaurar) boas relações com muitos publishers ao redor do mundo. É óbvio que o Facebook Journalism é uma resposta ao Google, nos níveis tático e político (leia-se geopolítico). O Facebook cita um relacionamento próximo com vários publishers alemães que estão às turras com o Google há muito tempo. Axel Springer e outros vivem enviando informações negativas sobre a atuação do Google em seus mercados para Comissão Europeia.

 

Além da percepção, está uma pergunta: até que ponto as ações do Facebook poderiam realmente ajudar o combalido ecossistema das notícias?

 

Em primeiro lugar, o Facebook precisaria fazer algo a respeito das notícias. A rede social enfrenta dificuldades em duas frentes diferentes: uma é a questão das fake news, problema que foi abordado de modo fraco por Mark Zuckerberg e sua equipe, para dizer o mínimo. O segundo problema é a crescente insatisfação dos publishers: eles se sentem enganados pelo que veem como uma tendência do Facebook de sequestrar o valor econômico de seu conteúdo. Depois de sucumbir à miragem do Instant Articles, os publishers chegaram a uma conclusão desagradável: os números de audiência eram ótimos, mas a monetização generosa esperada se mostrou na verdade um mero conta-gotas (Semana passada, para piorar, o Facebook cortou os subsídios dados a um pequeno grupo de publishers para a produção de vídeos ao vivo)

 

E se é impossível separar cinismo de ingenuidade aqui, o Facebook Journalism Project contém pérolas do ridículo. Vejamos duas delas.

 

Segundo a explicação de Fidji Simo, o Facebook está comprometido a “promover o alfabetismo para notícias”:

“Vamos trabalhar com outras organizações para melhor entender e promover o alfabetismo noticioso dentro e fora de nossa plataforma para ajudar as pessoas em nossa comunidade a ter as informações que precisam para decidir em quais fontes confiar.”

 

Não é piada. Se você conseguir engolir essa sentença com dezenas de palavras sem vírgulas, ela diz algo como “McDonald’s adota menu de baixas calorias” ou “A Monsanto compra a rede de produtos orgânicos Whole Foods”. Palavras cheias de gás, desconectadas da realidade.

 

Uma das “outras organizações” que vão fazer parte do time do Facebook chama-se “News Literacy Project”, que destaca o apoio do Facebook como se fosse uma medalha de honra:

fbjornalismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No box roxo está escrito: “aprenda a navegar pelas fontes de informação na internet de modo mais cético”. Curtindo ou não (perdão pelo trocadilho), o Facebook está exatamente no extremo oposto da nobre ideia da NLP. O sistema inteiro do Facebook é construído em torno da ideia de fechar seus usuários dentro de um ambiente “amigável”, totalmente blindado contra conteúdos que não reflitam suas ideias, opiniões, crenças, afiliações, etc… No mundo do Facebook, clique após cliques, todos erguemos nossos muros e reforçamos essas barreiras cognitivas. O mecanismo está no coração do modelo de negócios faminto por pageviews do Facebook: trata-se de reforçar sua sustentabilidade. O Facebook precisa manter seus usuários pelo maior tempo possível dentro de seus serviços. É por isso que o algoritmo é programado para evitar expor um usuário de “esquerda” a conteúdos de “direita”, e vice-versa.

 

Como disse um amigo especialista em tecnologia e mídia, “o Facebook é acima de tudo uma plataforma de entretenimento. Essa plataforma quer que você permaneça no ambiente a todo custo. Assim, no que se refere a notícias, se o seu perfil estabelece que você precisa de 20% de informações em seu newsfeed, é isso que você vê. Para outra pessoa, o algoritmo pode decidir que “notícias” não é o melhor meio de mantê-la dentro do ambiente da rede social, então vai reduzir essa proporção para 3 ou 4% — tudo cuidadosamente filtrado”. Na verdade, os usuários não veem mais do que 10% do conteúdo jornalístico que assinaram em suas timelines simplesmente porque notícias não representam o item que gera mais cliques em um feed do Facebook. Eu trato desse assunto neste artigo: Facebook’s Walled Wonderland Is Inherently Incompatible With News.

 

Outra ideia exótica do Facebook Journalism Project é usar a empresa recém-adquirida CrowdTangle, que define seu propósito como “oferecer análises críticas de mídias sociais para auxiliar publishers ao redor do mundo a avaliar seu desempenho em redes sociais e identificar reportagens de impacto”. Em outras palavras, a empresa ajuda a avaliar e promover o jornalismo segundo as necessidades do Facebook.

 

Aqui estão exemplos extraídos do interessante compêndio “The Top 10 Local News Post on Facebook in 2016”. Estão prontos?

 

  • “Um cachorro resgatado na Humane Society Silicon Valley muda a vida de um homem com excesso de peso, ajudando-o a se tornar uma pessoa mais ativa” — 920.000 interações.
  • “Um grupo de irmãos adolescentes contribui com a comunidade aparando gramados DE GRAÇA” – 961.500 interações.
  • “Um preview do Kitten Summer Games da Hallmark” – 1,05 milhão de interações.
  • “Um juiz da Georgia fala sem rodeios para um grupo de jovens sobre as consequências de uma juventude criminosa” – 1,08 milhão de interações.
  • “É um cachorro? É um cavalo? Um casal de Nevada acredita possuir o cão mais alto do mundo” – 1,17 milhão de interações.
  • “Cadela passa de assustada a feliz ao se ver reunida com seus filhotes” – 1,45 milhão de interações.
  • “Policiais ficam do lado do pai de um garotinho no primeiro dia de escola” – 1,5 milhão de interações.

 

Pode respirar agora. Tudo bem, são histórias de grande interesse humano (e animal), capazes de comover grandes multidões.

 

Mas elas representam a visão do Facebook sobre o jornalismo? Quero dizer – perdão pelo acesso de conservadorismo jornalístico – o tipo de jornalismo que educa, expande as mentes, ajuda as pessoas a formar sua opinião sobre questões importantes como atendimento de saúde ou os riscos do Estado Islâmico, o tipo de notícias que ajuda a entender complexas questões sociais?

 

É ESSA a visão do Facebook sobre um sistema de informações equilibrado?

 

https://mondaynote.com/facebook-journalism-project-is-nothing-but-a-much-needed-pr-stunt-c756744acec1#.a8azp28sb

Os cavaleiros do apocalipse

O Facebook está devorando o mundo

 

(Por Emily Bell, diretora do Tow Center for Digital Journalism na Columbia Journalism School)

 

“Algo muito dramático está acontecendo com nosso ambiente de mídia, a esfera pública e nossa indústria jornalística, passando quase totalmente despercebida e certamente sem o nível de escrutínio público e debate que merece. Nosso ecossistema de notícias mudou de modo mais dramático nos últimos cinco anos dos que nos quinhentos anos anteriores. Estamos testemunhando grandes saltos técnicos – realidade virtual, vídeo ao vivo, “bots” jornalísticos com inteligência artificial, mensagens instantâneas e apps de bate-papo. Estamos vendo imensas mudanças nos controles e nas finanças, colocando o futuro do setor de publishing na mão de alguns poucos, que agora controlam o destino de muitos.

 

As redes sociais não engoliram apenas o jornalismo – elas engoliram tudo. Engoliram campanhas políticas, o sistema bancário, histórias pessoais, a indústria do lazer, o varejo, até governos e segurança. O telefone no bolso é nosso portal para o mundo. Traz muitas oportunidades, mas também vários riscos existenciais.

 

O jornalismo é uma pequena atividade secundária dentro do negócio central das plataformas sociais, mas é uma atividade de grande interesse para os cidadãos.

 

A internet e as redes sociais permitem que os jornalistas façam melhor o seu trabalho, mas ao mesmo tempo tornam o publishing uma atividade não econômica.

 

Duas coisas importantes já aconteceram, e não prestamos atenção suficiente a elas:

 

Em primeiro lugar, os publishers jornalísticos perderam o controle sobre a distribuição.

 

Redes sociais e empresas de plataformas ocuparam o espaço que os publishers não poderiam ter construído, mesmo se quisessem. Agora, as notícias são filtradas por meio de plataformas e algoritmos que são opacos e imprevisíveis. A atividade jornalística está abraçando essa tendência, e novos players puramente digitais como BuzzFeed, Vox e Fusion estabeleceram suas presenças sobre a premissa de que estão trabalhando DENTRO desse sistema, e não contra ele.

 

Em segundo, o resultado inevitável dessa situação é o aumento de poder das empresas de redes sociais.

 

As maiores empresas de redes sociais e plataformas – Google, Apple, Facebook, Amazon, e até empresas de segundo escalão como Twitter, Snapchat e novos apps de bate-papo – se tornaram extremamente poderosas no sentido de controlar quem publica o que e para quem, e como essa publicação gera dinheiro.

 

Existe hoje uma concentração de poder nesse aspecto maior do que em qualquer momento no passado. As redes preferem economias de escala, e portanto nossa cuidadosa curadoria da pluralidade em mercados de mídia como o Reino Unido, desaparece num instante, e as dinâmicas de mercado e leis antitruste usadas pelos EUA para resolver essas anomalias não estão dando conta do recado.

A revolução móvel está por trás de boa parte dessa situação.

 

Devido à revolução dos aparelhos móveis, explodiram o tempo que gastamos online, o número de atividades que fazemos online e a atenção que dedicamos às plataformas.

 

O design e as capacidades dos nossos telefones (obrigado, Apple) favorecem os apps, que estimulam comportamentos diferentes. O Google fez uma pesquisa sobre sua plataforma Android, mostrando que apesar de termos uma média de 25 apps em nossos celulares, usamos apenas quatro ou cinco apps todos os dias, e entre esses de uso intenso, a maioria do nosso tempo é gasta no app de uma rede social. E no momento, o alcance do Facebook é muito maior do que qualquer outra plataforma social.

 

A maioria dos adultos americanos usa o Facebook, e a maioria desses usuários recebe algum tipo de notícia via Facebook. Segundo o Pew Research Center, 40% dos adultos nos EUA consideram o Facebook como uma fonte de notícias.

 

Vamos recapitular:

 

As pessoas estão usando cada vez mais seus smartphones para tudo.

Elas fazem isso usando apps, especialmente apps sociais e de bate-papo, como Facebook, WhatsApp, Snapchat e Twitter.

A concorrência para se tornar um desses apps se tornou intensa. A vantagem competitiva das plataformas se baseia na capacidade de manter os usuários dentro do app. Quanto mais tempo os usuários passam dentro do seu aplicativo, mais você sabe sobre eles, mas informações podem ser usadas para vender publicidade, e mais alto é seu faturamento.

 

A competição por atenção é acirrada. Os “Quatro Cavaleiros do Apocalipse” (Google, Facebook, Apple e Amazon – cinco, se você adicionar a Microsoft) estão em uma longa e intensa guerra sobre quais tecnologias, plataformas e até ideologias serão vencedoras.

 

No ano passado, jornalistas e publishers se viram inesperadamente beneficiados por esse conflito.

 

No ano passado, o Snapchat lançou o Discover App, criando canais para marcas como Vice, BuzzFeed, Wall Street Journal, Cosmo, e Daily Mail. O Facebook lançou o Instant Articles, e anunciou que o serviço estará disponível para todos os publishers a partir de abril. Apple e Google seguiram o exemplo, lançando Apple News e Accelerated Mobile Pages, respectivamente. O Twitter lançou o Moments, um agregador de conteúdos em trending topics para oferecer reportagens completas sobre os eventos.

 

É uma ótima notícia que empresas de plataformas com muitos recursos estão criando sistemas para distribuir conteúdo jornalístico. Mas ao mesmo tempo que uma porta se abre, outra se fecha.

 

Ao mesmo tempo em que os publishers estão sendo atraídos para publicar diretamente nos apps e novos sistemas, que rapidamente aumentam suas audiências móveis, a Apple anunciou que ia incluir software bloqueador de anúncios na sua loja App Store.

 

Em outras palavras, se para o publisher a migração para uma plataforma de distribuição era uma esperança de faturar com publicidade móvel, qualquer usuário de iPhone pode bloquear todos os anúncios e também os softwares de monitoração dos publishers. Artigos que são publicados dentro das plataformas, como o Discover do Snapchat ou Instant Articles do Facebook, são em boa parte imunes contra ad-blockers. Desse modo, a pequena fatia de publicidade digital móvel que os publishers conseguem de modo independente está correndo sério risco. É claro que pode-se argumentar que os publishers são culpados por encher suas páginas de anúncios invasivos que ninguém quer ver.

 

Há três alternativas para os publishers comerciais.

 

Uma é publicar ainda mais conteúdo em um app como o Facebook no serviço Instant Articles, onde o bloqueio de anúncios não é impossível mas é mais difícil do que nos browsers. Um publisher me disse que “vemos o quanto podemos faturar com o mobile, e suspeitamos que mesmo que entreguemos tudo direto para o Facebook, poderíamos nos dar bem”. Porém, os riscos de depender do faturamento e do tráfego de um único distribuidor são muito altos.

 

A segunda opção é criar outros negócios e modelos de faturamento fora do alcance das plataformas de distribuição. Aceitar o fato de que buscar uma grande audiência através de plataformas de terceiros não apenas não ajuda como prejudica seu jornalismo, e mudar para uma métrica de engajamento da audiência, em vez de escala.

 

Assinaturas e “membership” são comumente considerados nesse contexto. Ironicamente, os pré-requisitos para esses métodos são ter uma forte identidade de marca, que desperte a afinidade dos assinantes. Em um mundo onde o conteúdo é amplamente distribuído, isso se torna muito mais difícil de conseguir do que com produtos impressos. Mesmo nos poucos casos onde as assinaturas estão funcionando, elas não são suficientes para compensar a queda na publicidade.

 

A terceira opção é criar publicidade que não parece publicidade, assim os ad-blockers não vão conseguir detectar. Era uma tática chamada “advertorial” ou “sponsorship”, mas agora chama-se “native advertising” e já representa quase um quarto de todos os anúncios digitais nos EUA. Empresa digitais nativas como BuzzFeed e Voz, e híbridas como a Vice, romperam com o fracassado modelo de publicidade do setor de publishing se tornando praticamente agências de publicidade – que por sua vez, também correm o risco de extinção. O que quero dizer é que esses publishers lidam diretamente com os anunciantes, e produzem os vídeos virais e GIFs que vemos espalhadas pelas páginas do Facebook, e publicam esse material para todas as pessoas que deram “like” ou compartilharam outros artigos daquele publisher.

 

A saída lógica encontrada por muitos publishers para boa parte dessa situação é investir em seus próprios apps. Mas já vimos que mesmo o app próprio deve se conformar aos padrões de outros apps para poder funcionar. E investir na manutenção de sua presença própria é complicado no momento onde a publicidade (especialmente no impresso) está sob pressão, e a publicidade online não cresce o suficiente. O equilíbrio crítico entre destino e distribuição é possivelmente a mais difícil decisão de investimento que os publishers devem fazer agora.

 

Os publishers estão informando que o Instant Articles está dando até três ou quatro vezes mais tráfego do que eles esperavam. Está cada vez mais forte a tentação para os publishers de “mergulhar de cabeça” nas plataformas de distribuição, e criar reportagens que “funcionem” nas redes sociais. Posso imaginar empresas jornalísticas abandonando sua capacidade produtiva, sua capacidade tecnológica e até seus departamentos de publicidade, e delegar tudo isso para plataformas de terceiros, em uma tentativa de se manter no azul.

 

Essa é uma estratégia de alto risco: você perde controle sobre o relacionamento com seus leitores e espectadores, seu faturamento e até o caminho que suas matérias fazer até chegar ao seu destino.

 

Com bilhões de usuários e centenas de milhares de artigos, fotos e vídeos chegando todos os dias, as plataformas sociais precisam usar algoritmos para tentar selecionar o que é importante, recente e popular, e decidir quem deveria ver o quê. E não temos outra opção, senão confiar a eles essa tarefa.

 

Na verdade, não temos quase nenhum insight a respeito de como cada empresa está selecionando as notícias. Se o Facebook decidir, por exemplo, que matérias em vídeo são melhores que artigos escritos, não conseguimos ver isso, a não ser que eles nos digam isso ou nós mesmo observemos isso. Esse é um campo sem regulamentação. Não existe transparência a respeito do funcionamento interno desses sistemas.

 

Há grandes vantagens em termos uma nova classe de pessoas tecnicamente capazes, socialmente conscientes, bem sucedidas em termos financeiros e altamente energéticas como Mark Zuckerberg assumindo funções e tomando o poder econômico dos intermediários acomodados, politicamente envolvidos e ocasionalmente corruptos que tivemos no passado. Mas devemos nos conscientizar de que essa transição cultural, econômica e política é muito profunda.

 

Estamos entregando os controles de partes importantes de nossas vidas públicas e privadas para um grupo muito pequeno de pessoas, que não eleitas e não estão abertas a escrutínio público.

 

Precisamos de regulamentação para assegurar que todos os cidadãos tenham acesso igual às redes de oportunidade e serviços que precisam. Também precisamos saber que todas as expressões e discursos públicos terão tratamento transparente, mesmo que não possam ser tratados igualmente. Esse é um requisito básico para o funcionamento de uma democracia.

 

Para que isso ocorra, é preciso no mínimo algum acordo a respeito das responsabilidades em mudança nessa área. As pessoas que criaram essas empresas de plataformas não o fizeram com a intenção de assumir as responsabilidades de uma imprensa livre. Na verdade, estão preocupadas que esse seja o resultado de seu sucesso com a engenharia.

 

Para serem sustentáveis, empresas de notícias e jornalismo vão precisar mudar radicalmente sua base de custos.

 

Uma das críticas atuais a essas empresas de tecnologia é que elas selecionaram as partes lucrativas do processo de publishing e desconsideraram o negócio mais dispendioso de realmente criar jornalismo de qualidade. Se os experimentos iniciais como o Instant Articles levarem a uma relação mais integrada com o jornalismo, é possível que vejamos também uma transição significativa dos custos de produção, particularmente na área de tecnologia e vendas de publicidade.

 

A reintermediação da informação, que muitos pensaram que se tornaria totalmente democratizada pelo progresso da Web aberta, tem o potencial de piorar os mecanismos de financiar o jornalismo antes de melhorá-los. Considerando os prospectos da publicidade móvel e as metas agressivas de crescimento que Apple, Facebook, Google e outros devem atingir para satisfazer Wall Street, é possível dizer que a não ser que as plataformas sociais deem um retorno monetário muito maior para a fonte, a produção de notícias será uma atividade não-lucrativa em vez de ser um motor do capitalismo.

 

Para ser sustentável, empresas jornalísticas devem mudar radicalmente sua base de custos. Parece muito provável que a próxima geração de empresas jornalísticas será criada em torno do conceito de estúdio, gerenciando diferentes matérias, talentos e produtos em uma vasta gama de aparelhos e plataformas. Durante esse processo, postar jornalismo diretamente no Facebook se tornará a regra e não a exceção. Até o website pode ser abandonado, para favorecer a hiper-distribuição. As distinções entre publishers e plataformas vão desaparecer completamente.

 

Mesmo que você se veja como uma empresa de tecnologia, você está tomando decisões críticas sobre tudo, incluindo acesso às plataformas, o formato do jornalismo ou do discurso, a inclusão ou exclusão de certos conteúdos, a aceitação ou rejeição de vários publishers.

 

O que vai acontecer com a atual classe de publishers é uma questão muito menos importante do que a questão de que tipo de sociedade de notícias e informações queremos criar, e como podemos ajudar em sua formação.”

                                                                                                                         (Traduzido e editado por Sergio Kulpas)

O admirável novo mundo, o desafio. Um caminho sem volta.

A World Wide Web é o universo da informação acessível através da rede, a personificação do conhecimento humano. Tim Berners-Lee, o inventor da Web  e fundador do the World Wide Web Consortium (W3C).

 

Nestes infográficos, você tem uma síntese do que é hoje a plataforma dominante de informação, comunicação e articulaçãoda sociedade contemporânea. Ela não é causa da crise que estamos vivendo, que vai muito além da economia. Mas é um dos seus eixos: sua expansão e seu domínio pela sociedade é condição para o amadurecimento da era do conhecimento, com suas estruturas econômicas, sociais e políticas.

No livro Uma breve história do futuro, o economista e historiador Jacques Atalli reflete sobre este momento de transição que vivemos, com os agentes do mercado financeiro – bancos, seguradoras, empresas de cartão de crédito – com um poder desmesurado sobre a sociedade e sem regras claras de responsabilidade, mal reguladas também por causa da rede e da social media. Do fim da era industrial à democracia plena, se sobrevivermos.

Sinopse: Aproximadamente em 2060, ou mais cedo – a menos que a humanidade desapareça sob um dilúvio de bombas -, nem o Império Norte-Americano, nem o hiperconflito serão toleráveis. Novas forças, altruístas e universalistas, já atuantes hoje, tomarão o poder mundialmente, devido a uma premência ecológica, ética, econômica, cultural e política. Elas se rebelarão contra as exigências da vigilância, do narcisismo e das normas. Conduzirão, progressivamente, a um novo equilíbrio, dessa vez planetário, entre o mercado e a democracia a hiperdemocracia. Instituições mundiais e continentais organizarão a vida coletiva, graças a novas tecnologias. Fixarão limites ao artefato comercial, à modificação da vida e à valorização da natureza. O objetivo deste livro é mostrar que essa é, no entanto, a cara mais verossímil do futuro.

Se você ficou intrigado com esta edição desta matéria do Brian Solys, especialista em marketing na social media, vai gostar do livro do Atalli. Outra sugestão é McLuhan por McLuhan, da Edioro.

Sinopse: Uma seleção de conferências e entrevistas inéditas de McLuhan em livro. Permitem ao leitor acompanhar o desenvolvimento das idéias do profeta da globalização. Da criação do primeiro alfabeto fonético, uma mídia, e o fim da soceidade tribal à sua volta, num mundo de tal foma conectado que somos levados a surfar, numa cultura oral.  As opiniões que McLuhan nutria a respeito de sua própria obra e do mundo são complementos valiosos para as suas publicações. Com introdução de Tom Wolfe, convidado de honra da Bienal 2005, esta coletânea ajuda a entender a visão de McLuhan de que “as sociedades sempre foram mais moldadas pela natureza dos meios usados pelas pessoas para se comunicarem do que pelo conteúdo dessa comunicação”.

Se não conseguir comprar na Cultura ou na Edioro (links nos títulos), o sebo Estante Virtual é uma boa alternativa.

Em Dubai, uma séria ameaça à internet e à nossa liberdade

no vídeo, Andrew McLaughlin fala sobre as ameaças de Dubai

Durante esta semana e na próxima, está ocorrendo em Dubai a reunião da União Internecional de Telecomunicações, a UIT, um anacornismo cujo único objetivo é defender o ponto de vista e perspectiva das companhias de telecomunicações de todo o mundo, aliadas neste momento aos governos mais fechado e retrógrados. O Brasil,  representado nesta reunião pelo nosso ministro das Telecomunicações, o Paulo Bernardo, dando suporte aos interesses das operadoras de telecomunicações. Não fosse este alinhamento, o Marco Civil já teria sido votado e a neutralidade da rede assegurada em benefício de cada um de nós e do processo de inovação que estamos sofrendo graças à nova infraestrutura, a internet.

A UIT surgiu em meados do século 19 para regulamentar, ou controlar, os correios. Vivíamos naquela época numa sociedade muito menos complexa e fragmentada do que a contemporânea. Os governos nacionais tinham uma ascendência sobre as sociedade que governavam muito maior do que hoje e, com quase toda a certeza, um papel mais determinante sobre o futuro desta sociedades. O processo de criação de riqueza estava limitado à ocupação do planeta Terra e à utilização dos seus recursos naturais. Não cabe  aqui uma avalização crítica deste processo (imperialismo, esgotamento dos recursos naturais, sustentabilidade).

uma história da internet

Ninguém pode negar que este processo levou a humanidade como um todo a um ponto de desenvolvimento jamais sonhado. Não acabamos com a miséria e a inequidade e estes são problemas prioritários de todos nós. Não serão, no entanto, por meio das instâncias institucionais tradicionais (Estados nacionais, ONU, OEA OMC etc etc etc  e UIT entre elas) que resolveremos estes problemas. Algumas delas terão um papel a desempenhar, com certeza. Mas são as novas formas de relacionamento social, político e econômico que a internet viabiliza que determinarão o futuro. É este futuro que governos retrógrados e companhias sem nenhum compromisso com a sociedade querem atrasar. E estão lutando por isso com todas as suas forças em Dubai.

É uma falácia afirmar que os EUA controlam a internet por causa do ICANN, entidade formada pela comunidade acadêmica global que administra e monitora questões técnicas como a dos endereços na rede e que é regida pelas leis da Califórnia. A UIT assumiu o discurso das operadoras de que não estão sendo devidamente remuneradas pela tráfego internacional. Não é verdade. As empresas que demandam canais maiores, como Google, Amazon, Facebook e algumas empresas de informação, pagam por isso. O problema das operadoras é interno delas e deveria ser resolvido entre elas. Não jogando um custo perverso, porque vai no mínimo restringir o processo de inovação que estamos vivendo, sobre as costas da sociedade.

Me informo pela internet

Apesar de publicar o enxuto e objetivo depoimento do Beto Padiani sobre como ele se informa no dia a dia para ficar antenado, na série na encruzilhada do futuro do presente, o que eu gostaria mesmo é de estar navegando com ele pelo Atlântico ou fazendo alguma expedição por algum ponto perdido do mundo. Enquanto não consiguir viabilizar, continuarei trabalhando em projetos de informação em rede (Confins é um deles) e viajando na a viagem dos meus amigos.

Me informo pela internet. Pela manhã quando abro o computador, leio as notícias noEstadão.com.br. O que mais me interessa me
aprofundo. Dou uma espiada no Twitter e no Facebook. Depois leio meus e-mails que eventualmente trazem algo novo. No carro ouça a CBN e durante o dia no meu escritório acesso as noticias por diversos portais, como Terra, Estadão, UOL e Exame. Vejo televisão alguns dias à noite.

quer ajudar o Beto a viajar? clique aqui

 

Celular, kindle, twitter e produtos em papel

Depoimento do jornalista Renato Cruz para o  Confins, na série na encruzilhada do futuro do presente. Uma tentativa de abrir um pouco mais  o debate sobre o novo ecossistema da informação e a crise da tradicional indústria jornalística, cujo modelo de negócios se sustentava na capacidade destes meio de articular públicos em torno de idéias, sonhos, problemas, consumo etc.

De manhã, dou uma olhada nos jornais brasileiros (Estadão, Folha, Valor, O Globo) pela internet. Normalmente, vejo as edições impressas somente mais tarde, na redação. Recebo por email as newsletters do New York Times, do Guardian, do Washington Post, do San Jose Mercury News, do Wall Street Journal, da Economist e do Financial Times, entre outros.

Ouço notícias no rádio do carro, normalmente para saber do trânsito. Tenho dezenas de blogs nacionais e internacionais assinados no Google Reader, mas o horário em que consulto isso depende um pouco do dia. O Twitter e o Facebook são fontes importantes de informação. No Twitter, tenho algumas listas privadas, por assunto, que me ajudam a organizar a informação.

A Wired é uma das poucas revistas que ainda leio regularmente no papel. Assino a Technology Review e o New York Review of Books no Kindle. Tenho lido muita não ficção em versão digital, principalmente no celular, na rua, enquanto espero para falar com alguém ou alguma coisa assim. Li no celular The Information, do James Gleick, e The Idea Factory, do Jon Gertner, por exemplo.

Sim, ainda sou adepta dos jornais impressos

Catrina Carta Kowarick é neta do Luiz Carta e filha da Patricia Carta e Ricardo Kowarick. Hoje, além de escrever para as revistas RG e Harper’s Bazaar Brasil, é estudante de Relações Internacionais na FAAP. Convive naturalmente com a profusão de mídias dos tempos contemporâneos. Dos jornais e revistas aos meios digitais.  Com quase toda a certeza, não é leitora do Ethevaldo Siqueira, que prevê a morte dos jornais impressos em cinco anos e, apesar de ser leitora de jornais, não esté preocuada com o modelo de negócios que os sustentam, nestes tempos de encruzilhada do futuro do presente. Ela, como está refletido no seu depoimento sobre como se informa no dia a dia, não tem que se preocupar com isso, pois está entrando no mercado de trabalho concomitantemente à formação do novo ecossitema da informação.

Cresci no meio editorial – entre revistas, mais especificamente – e me apaixonei por ele. Depois de muito relutar, acabei ingressando para este mundo. Mas não é só de luxo e moda que me interesso. Na verdade, acredito que para entendê-los a fundo é preciso ter noções, no mínimo básicas, de história, economia e antropologia, principalmente.

Para me informar, costumo ler as chamadas de capa dos dois jornais que assino (Estadão e Folha) de manhã antes de ir para a faculdade de Relações Internacionais. Eles ficam sobre a mesa onde o café da manhã é servido. Sim, ainda sou adepta aos jornais impressos. 

o celular, uma empresa de informação

 

 

 

 

 

 

 

Quando volto, costumo ler os editoriais e os cadernos de cultura, no caso, Caderno 2 e Ilustrada. Às segundas-feiras, saem as colunas da Lucia Guimarães e do Luiz Felipe Pondé nos respectivos cadernos, que, para mim, são leituras obrigatórias. Outro tema pelo qual me interesso bastante é gastronomia, sempre dou uma folheada nos cadernos Paladar e Comida, ambos saem às quintas.

 

 

o celular, uma empresa de informação

 

 

 

 

 

 

Ainda na mídia impressa, além de RG e Harper’s Bazaar, assino a Revista Piauí que gosto muito mas, infelizmente, nunca consigo ler ela de cabo a rabo. Veja e Carta Capital, confesso, tenho um pouco de preguiça, mas, vez ou outra, algumas matérias acabam chamando a minha atenção. A minha revista nacional preferida é, sem dúvida, a Serafina. Na televisão, gosto do Café Filosófico, que passa aos Domingos na TV Cultura.

 

 

o celular, uma empresa de informação

 

 

 

 

 

 

 

Navego em sites e blogs de assuntos variados, a maioria são internacionais sobre beleza, moda, lifestyle, arte e cinema. Nacional, gosto muito dos blogs do Xico Sá e Marcelo Rubens Paiva. Uso o Facebook para me comunicar com os meus amigos, não costumo postar coisas que dizem respeito a minha intimidade, dizer onde estou, com quem, no que estou pensando, etc. Este veículo é bom para expandir o networking, se promover profissionalmente ou postar algo em que você acredita que valem a pena serem divulgadas. Já encontrei muita coisa interessante via Facebook. Também tenho Twitter, mas não sou muito adepta. Na verdade, nunca tuitei nada. Gosto de seguir instituições e não pessoas. Dependendo da maneira de como ele é utilizado, pode ser um ótimo filtro para selecionar o que vale a pena ser visto na internet.

Depois tomo Rivotril, com tanta informação não há Cristo que durma

Abaixo, o depoimento do Tutinha Carvalho sobre como se informa no seu dia a dia para tocar a Joven Pan e dúzias de empreendimentos que inventa e reinventa todos os dias. Com certeza, ele não se sente na encruzilhada do futuro do presente.

Acordo ouvindo a Jovem Pan (um som pra você) e o jornal da manhã, já com a internet ligada vou usando o feed de RSS buscando as notícias que eu tenho interesse, rádio, economia, esportes, tecnologia e headline news. Dou uma olha no Estadão, em algumas notícias pra me interar mais profundamente , e vou trabalhar  na Jovem Pan.

 

Já na radio  entro em sites de rádio de pesquisas musicais, Tipo billboard.com/allcess.comwww.eurochart.com e Musicweek.com. Durante o dia tô sempre ouvindo a JPAM e quando me interesso por alguma coisa entro de novo na internet pra me aprofundar.

 

 

 

 

 

 

A tarde, tenho reunião no portal Virgula para decidir conteúdos da semana, no meu caso mais ligados a entretenimento. Dou uma olhada nos portais da Cnn, Fox, Wired,T3, Flipboard e outros sites internacionais de música entretenimento.

 

 

 

 

 

 

Mais no fim do dia, o pessoal do Pânico se junta e nós vamos ao Youtube procurar casos engraçados ou vídeos que estão fazendo sucesso no mundo. Uso bastante também o site Iheart.com que vc pode ouvir as rádios do mundo todo. Aí tenho idéias de promoção, ouço os playlists da Europa que são bem diferentes dos EUA.

 

 

 

 

 

 

A noite, já em casa depois do jantar, TV ligada e computador ligado e esposa ligada que vão me contando as fofocas do FaceBook e Twitter e Glamurama, Circolare e outros de fofocas e entretenimento.

 

 

 

 

 

 

Depois tomo Rivotril, se nao com tanta informação não há Cristo que durma.

billboard: postolje, reklamni panel


(bi): would

2013, Um Ano Crítico para o Facebook e a Microsoft (além dos velhos meios)

Para quem acompanha o desenvolvimento do novo ecossistema da informação, vai ser rico e divertido acompanhar o movimento das megas empresas do novo mundo no próximo ano, que será muito importante para definição de tendências que já se manifestam no mercado.

De um lado, a empresa do Zuckeberg (foto abaixo) tendo que provar para o mercado que os resultados do últimos trimestre, com os seus $152.6 milhões faturados com o mercado de anúncios em smartphones e tablets, é uma indicação de fato que a empresa pode crescer desmesudaradamente no nascente mercado de anúncios nos devices móveis mercado e que por isso gera mais dúvidas do que certezas. Além disso, a empresa do novo “gênio” do mundo digital parece que encheu a paciência dos europeus (http://www.businessinsider.com/facebook-is-failing-in-europe–and-its-all-russias-fault-2012-10).
Do outro lado, a empresa do Bill Gates, dirigida pelo Steve Ballmer, a simpática figura da foto abaixo, ao lado do windows 8, o novo produto que será lançado amanhã (http://www.npr.org/blogs/alltechconsidered/2012/10/23/163410065/microsoft-an-empire-under-siege-makes-its-next-moves?ft=1&f=1001) com a missão de provar que sua entrada no mercado inverterá a curva de resultados, que no último trimestre teve uma queda de 22%. Quem já teve acesso ao windows 8 tem a impressão que o monopólio do Bill Gates acordou e quer se inserir no mundo da mobilidade, segmento que mais cresce no mercado. Entre uma série de questões, entre elas se terá fôlego para alcançar a Google, a que mais se destaca é como o windows 8 vai se comportar na base instalada de desktops e notebooks.
Além destes movimentos, vale acompanhar também o início da tardia reação das tradicionais empresas de informação. Elas começam a descobrir que não são intelectualmente superiores aos novos atores do mercado. Com isso, imagino, começam a entender que está se formando um novo ecossistema da informação, no qual a matemática por meio do algoritmo tem um papel fundamental  na formação de comunidades sobre comunidades do nada. Se tivessem sido humildes desde o início do processo, com certeza teriam um papel de destaque na formação e desenvolvimento deste novo mundo, em função da sua história de articulação de públicos por meio da informação. Como os jornalistas tendem a ser mais conservadores do que os donos de empresas de informação acho que estas empresas ainda terão um bom tempo pela frente para deslancharem.
Pra quem tá no jogo, vai ser um ano muito divertido.